Quando o sol bate na janela do meu quarto,
Minha cama esquenta.
Eu, para não pegar fogo, levanto.
Olho para os lados e vejo paredes brancas,
Abro as janelas e vejo um dia azul.
Gasto cerca de dez segundos a respirar o ar,
Sem prestar atenção em nada,
Sem olhar para as árvores e os pássaros,
Mas de olhos abertos.
Quando, finalmente, enxergo,
Dou-me conta da proximidade do fim.
Não há ponto positivo ou negativo,
Apenas pontos de vista.
O céu azul parece não sofrer com minha ida,
E não sofre.
O velho ao passar pela rua que dá em frente
À minha janela, também não sofre.
A senhora com o saco de pão na mão
Sorri e, mesmo ao lembrar da mocidade,
Não sofre.
Nada sofre.
Não há sofrimento no mundo,
Nem nos olhos cansados dos velhos
Ou nas nuvens pesadas no céu.
Não há, tampouco, sofrimento em meu quarto.
Há uma nostalgia precoce,
Uma saudade prematura.
Meu coração aperta e bombeia, sem medo
Ou insegurança.
Nada no mundo pode assustar um coração
Que dança ao som de um fado.
Dizer adeus é apenas mais um passo
Para conquistar o mundo.
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