<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829</id><updated>2012-02-16T03:23:07.722-08:00</updated><title type='text'>Ball and Chain</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>156</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-3677544857891843922</id><published>2011-11-25T10:11:00.001-08:00</published><updated>2011-11-25T10:11:46.508-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Juro por Deus, juro mesmo! Qualquer dia desses vou passar por aí. Bater na porta. Arrombar a porta. Só pra lhe dizer que tudo isso é sua culpa. Essa falta de sentido, esse pouco sono, essa ausência de sonhos. Agora eu só deliro. Contigo, ao lado, na cama, no pequeno-almoço. Delírio louco. Te vejo, atravesso a rua e lá está você. De calças e óculos escuros. Um fantasma.&lt;br /&gt; Empalideço. Envelheço. Ganho rugas. Abro e fecho os olhos repetidas vezes. Eu te vejo, depois não te vejo mais. Eu te vejo e não te vejo mais. E então meu coração, dilacerado, começa a bater na frequência normal. TUM-TUM-TUM-TUM. E para mim a vida, essa vida ausente de ti, é uma bomba relógio. TUM-TUM-TUM-TUM-BUM. Quando? Quando Bum?&lt;br /&gt; Ai cansa, volto para casa. Faço pão torrado com manteiga e engulo seco, meu dia seco. Sem conteúdo, mas com mais de um milhão de gramas. Engulo seco o peso nos ombros e esqueço a dor de cotovelo. Tropeço de volta para cama. E nada, nada mesmo. Sem delírio, sem desejo, sem você.&lt;br /&gt; Agora é só viver, me auto conselho. A partir de agora é só viver. Deito seca, na minha cama de solteira. Divido o apartamento com mais mil almas incapazes de me entender. Cade você agora? Que não chega nem em forma de pesadelo. Nem para negar-me um beijo, nem para desfilar diante de mim e jogar os cabelos.&lt;br /&gt; Sofrer de amor é tão banal. E tão fatal. A cada dia de sofrimento algo em você morre. E morre para sempre. Eu vejo. Eu aos poucos nem me reconheço mais. Olho-me no espelho e entristeço. Não há nem mesmo solidão para me acompanhar. Ao meu redor milhares de vozes que não dizem nada.&lt;br /&gt; Vou dar uma volta. Passo por esquinas as quais nunca passei com você, mas mesmo assim é sua a lembrança que vem na mente. Então eu sento, na calçada mesmo. E escrevo uma poesia bem sacana, cujo título tem seu nome. Eu te xingo, te viro do avesso. Falo mal de ti, da sua mãe. Chamo-te de diabo, de Drácula. De meu inferno.&lt;br /&gt; Levanto-me decidida a te enviar a poesia. Mesmo que por pombo-correio. No fim, escrito em letras maiúsculas, meu grito: NÃO TE QUERO, NÃO TE QUERO. Lembro-me de quando você me chamava de mentirosa e de quando dizia: “não sabes mentir, teus olhos são muito sinceros”.&lt;br /&gt; Desfaço-me da poesia, por fim. Meus olhos sinceros choram lágrimas reais e elas se afogam no travesseiro. Em silêncio imploro a qualquer coisa capaz de ouvir meu desespero, mas mil almas dão-me as costas. Elas dizem “quase ai já é Janeiro, como se passou depressa esse ano inteiro”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-3677544857891843922?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/3677544857891843922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=3677544857891843922' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3677544857891843922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3677544857891843922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/11/juro-por-deus-juro-mesmo-qualquer-dia.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-9032844949552961224</id><published>2011-09-04T23:23:00.000-07:00</published><updated>2011-09-04T23:24:26.259-07:00</updated><title type='text'>Onde vivem os monstros</title><content type='html'>Eu tenho medo de dormir. &lt;br /&gt;Porque, quando durmo, &lt;br /&gt;pensamentos assustadores&lt;br /&gt;povoam minha mente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí acordo, assustada, &lt;br /&gt;em pânico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração dispara. &lt;br /&gt;E eu, pequena, &lt;br /&gt;nessa cama tamanha, &lt;br /&gt;sem preço, sem calma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinha, é escuro, é avesso. &lt;br /&gt;Desperto, abro os olhos.&lt;br /&gt;Durmo acordada, &lt;br /&gt;só assim há sonhos sem pesadelos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto, esqueço, ando, bebo, fumo, deito. &lt;br /&gt;Bem feito, meu sono me acompanha.&lt;br /&gt;Insisto, desfaleço. Meu sono ganha.&lt;br /&gt;De olhos fechados, descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É apenas mais um domingo&lt;br /&gt;Cinzento. É apenas mais um&lt;br /&gt;Pesadelo. Não há monstros&lt;br /&gt;Em baixo da cama.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-9032844949552961224?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/9032844949552961224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=9032844949552961224' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/9032844949552961224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/9032844949552961224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/09/onde-vivem-os-monstros.html' title='Onde vivem os monstros'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5060030081735144151</id><published>2011-08-22T19:18:00.001-07:00</published><updated>2011-08-22T19:18:49.786-07:00</updated><title type='text'>O tempo não para</title><content type='html'>Cá estou eu, sentada na mesma velha cadeira onde sentei-me a meses atrás pela última vez. Agora, no entanto, algo diverge dos meus antigos pensamentos de madrugadas insones. É que eu queria você ao meu lado hoje, embora não saiba o que iria dizer-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não pensar nisso, ou em você, olho para os prédios ao redor. Indago-me sobre as pessoas por trás de janelas ainda iluminadas nessa madrugada de segunda-feira qualquer. Ocorre-me a inevitável pergunta: será que elas pensam em você também?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, óbvio que não. Provavelmente não te conhecem, nem mesmo ouviram falar de você. Tampouco ouviram o timbre de sua voz, tão doce e baixo. Nem tocaram sua pele, tão suave e macia. Quando paro, percebo-me a pensar novamente em seus olhos verdes e seus cabelos louros. Lembro-me da incrível sensação que tive, quando não havia mais nada no mundo além de nossos corpos deitados, um ao lado do outro, em um Março colorido e frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente tento me perder desses pensamentos. Começo a imaginar quem são aquelas pessoas, acordadas tão tarde da noite. Pergunto-me se elas possuem os mesmos medos e inseguranças que eu. Se elas também estão de olhos abertos pelo simples fato de que, fechá-los pode significar uma enxurrada de lembranças que doem no peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas logo descubro não ser assim. A mulher do primeiro andar, por trás daquelas cortinas cor bege, não guarda mais sonhos nem medos em seu coração, surpreender-me-ia, até, caso ainda houvesse um coração a pulsar em seu peito de pedra. Seus olhos assistem a um canal qualquer, enquanto, pesados, dizem à sua mente que dormir é o melhor jeito de acabar com esse dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três andares acima e algumas janelas para o lado, é uma luz azul que me chama atenção. Por trás de cortinas de pano azuis, há um rapaz com seus quase dezoito anos. Enquanto joga, em sua mente repete-se a melodia de uma música que nunca ouviu antes. Inventa palavras para aqueles acordes e, ao acordar no outro dia, tentará recordar da última frase da poesia que escreveu em sua mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último andar do prédio, há um homem e uma mulher. São cortinas cinzas que impedem a luz laranja do quarto de produzir sombras na rua. Seus pés não se cruzam. Ela deitada de lado, encara a mesma cortina que eu enxergo agora. Ele, um pouco sentado, tenta encontrar na parede à sua frente as escolham que os levaram até ali. Talvez essa seja a última noite deles juntos, e ela nem mesmo escovou os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retorno para mim. Em torno de mim a madrugada pede descanso. E eu não canso de me trair. Ouço sua voz a ecoar pelas ruas laranjas de Recife. Pergunto-me onde estão seus lábios vermelhos, com quais pés os seus se cruzam e qual melodia ecoa em sua mente agora. A dor de amar deve ser isso. Esse sempre imaginar o perfeito, sendo perfeito para um outro alguém. Um perfeito que, aliás, nem existe. De qualquer jeito, amar é imaginar amor, então tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa segunda-feira acaba também. Como tudo na vida acaba. Amanhã, talvez, sua lembrança esteja menos forte dentro de mim. E eu possa sentar-me na varanda do oitavo andar do meu prédio, sem precisar pôr como cortina uma força que nunca vi.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5060030081735144151?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5060030081735144151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5060030081735144151' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5060030081735144151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5060030081735144151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/08/o-tempo-nao-para.html' title='O tempo não para'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-4625459768113416574</id><published>2011-08-18T20:49:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T20:50:48.125-07:00</updated><title type='text'>Sem lar</title><content type='html'>Sabe a sensação de ter tido sua alma esticada ao máximo e agora tentar colocá-la dentro de um lugar já pequeno? Um lugar que não comporta mais seu peso e seu tamanho. Um lugar que, aliás, nem quer comportar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe como é perder o fôlego só de lembrança e tentar fechar os olhos para lembrar da sensação de outrora, de amar. Amar simplesmente, sem ligar para o “o que” ou o “como”, sem dar-se conta da posição do sol no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas meu amor morreu de tédio, dentro desse espaço pequeno e incomodo. Um espaço que não me recebe mais e no qual não sou mais parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E minha alma torcida dentro do pote de vidro. Assisto-o embaçar quando grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nenhum dos dois mundos me ouve gritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase peço socorro, enquanto tento ajeitar meu corpo imenso dentro desse minúsculo lugar. Mas, no tempo certo, me lembro: não há piedade para almas sem lar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-4625459768113416574?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/4625459768113416574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=4625459768113416574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4625459768113416574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4625459768113416574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/08/sem-lar.html' title='Sem lar'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-3796797150292730673</id><published>2011-08-01T17:49:00.001-07:00</published><updated>2011-08-06T13:40:52.320-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quando o sol bate na janela do meu quarto,&lt;br /&gt;Minha cama esquenta.&lt;br /&gt;Eu, para não pegar fogo, levanto.&lt;br /&gt;Olho para os lados e vejo paredes brancas,&lt;br /&gt;Abro as janelas e vejo um dia azul.&lt;br /&gt;Gasto cerca de dez segundos a respirar o ar,&lt;br /&gt;Sem prestar atenção em nada,&lt;br /&gt;Sem olhar para as árvores e os pássaros,&lt;br /&gt;Mas de olhos abertos.&lt;br /&gt;Quando, finalmente, enxergo,&lt;br /&gt;Dou-me conta da proximidade do fim.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não há ponto positivo ou negativo,&lt;br /&gt;Apenas pontos de vista.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;O céu azul parece não sofrer com minha ida,&lt;br /&gt;E não sofre.&lt;br /&gt;O velho ao passar pela rua que dá em frente&lt;br /&gt;À minha janela, também não sofre.&lt;br /&gt;A senhora com o saco de pão na mão&lt;br /&gt;Sorri e, mesmo ao lembrar da mocidade,&lt;br /&gt;Não sofre.&lt;br /&gt;Nada sofre.&lt;br /&gt;Não há sofrimento no mundo,&lt;br /&gt;Nem nos olhos cansados dos velhos&lt;br /&gt;Ou nas nuvens pesadas no céu.&lt;br /&gt;Não há, tampouco, sofrimento em meu quarto.&lt;br /&gt;Há uma nostalgia precoce,&lt;br /&gt;Uma saudade prematura.&lt;br /&gt;Meu coração aperta e bombeia, sem medo&lt;br /&gt;Ou insegurança.&lt;br /&gt;Nada no mundo pode assustar um coração&lt;br /&gt;Que dança ao som de um fado.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Dizer adeus é apenas mais um passo&lt;br /&gt;Para conquistar o mundo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-3796797150292730673?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/3796797150292730673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=3796797150292730673' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3796797150292730673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3796797150292730673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/08/quando-o-sol-bate-na-janela-do-meu.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6701292176454814836</id><published>2011-07-20T19:48:00.000-07:00</published><updated>2011-07-20T19:49:46.365-07:00</updated><title type='text'>O que posso dizer?</title><content type='html'>As rosas murcham depois de florirem.&lt;br /&gt;A tinta mancha depois de chover.&lt;br /&gt;O sangue seca depois de sangrar.&lt;br /&gt;O que mais posso dizer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6701292176454814836?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6701292176454814836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6701292176454814836' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6701292176454814836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6701292176454814836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/07/o-que-posso-dizer.html' title='O que posso dizer?'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5860387890501029859</id><published>2011-07-20T18:31:00.000-07:00</published><updated>2011-07-22T18:41:21.262-07:00</updated><title type='text'>Não houve sonhos naquele dia</title><content type='html'>Coloquei meus dois olhos para secar. Eles estavam molhados de lágrimas. Com minha cabeça para fora da janela, olhei os pássaros sobrevoando a casa ao lado. A antena de TV prateada reflectia um sol tímido, mas quente. Meu corpo suava, minhas mãos tremiam e meu coração parecia não existir no peito. Era algo diferente que batia, algo que bombeava desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei na poltrona perto da janela antes de minhas pernas perderem a força. Meu corpo todo tateava o desconhecido, através das horas e dos dias que passariam adiante daquela hora e daquele dia. Meu estômago parecia faminto, mas nada me apetecia. Só sede, sede de algo forte que talvez matasse o gosto ruim na garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pus minha cabeça para trás, senti o pouco do vento que entrava pela janela aberta. Fechei os olhos, controlei as lágrimas. Depois, ao olhar para o teto, contei os pontos pretos na tinta branca. Não queria pensar, mas minha mente não dormia. O dia amanhecido lá fora e eu sem adormecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado, mas horas antes sentia-me apenas adormecida. Não sentia nem dor, nem tédio, nem raiva, nem medo. Não sentia e ponto. Nada sentia. Lembro de ter sentado na mesma poltrona que ali estava, mas com vista para o céu. Contava as estrelas e esperava nascer rugas em mim. Esperava por estrelas cadentes. Esperava por objectos não identificados. Esperava por aviões. Esperava por qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã, sentada na poltrona, contando os pontos pretos no teto, já não esperava por nada. Era como se as horas tivessem levado minhas esperanças. Não havia mais lugar para elas. Acho que o vento da madrugada levou meu coração embora e trouxe, consigo, desespero empacotado. Meu corpo todo rugia de dor. E eu, sentada na velha poltrona vermelha apenas ouvia os pássaros voando na casa ao lado, circulando a antena de TV que reflectia o sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormeci algumas vezes, com a cabeça encostada na almofada. Acordava sempre, em alerta. Havia alguma coisa dentro de mim despertando-me. Havia um barulho em meus ouvidos, um grito não dado, talvez. Se era medo o que sentia, definitivamente não o enfrentei. Batalhei para manter afastado os porquês daquela sensação de desconforto. Mais uma vez era eu, sozinha, na sala, não cabendo dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual versão acordaria da próxima cochilada? Era sempre a mesma. A velha mesma. A eu mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não suportei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pus meus sapatos vermelhos e fui caminhar pelas ruas. Desci e subi ladeiras, cheguei ao rio. Sentei-me ao lado de uma árvore grande e antiga. Deitei minha cabeça em suas raízes. Não me importei com as formigas que talvez estivessem a brincar em meus cachos. Não ouvi o barulho das crianças a brincar à beira do rio. Não abri meus olhos ao sentir o sol queimando-me a face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormeci ao lado do rio. Sonhei que a água subia, até cobri-me por inteira. E eu, sem nadar nem nada, deixei-me levar pela correnteza, lavar de mim o suor do dia, levar de mim o desespero que a madrugada havia-me trazido. Quem sabe meu coração não voltava ao lugar e eu, ao abrir os olhos, procurasse no céu claro nuvens em formas de brinquedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei alguns minutos depois. Meu corpo transpirava, meu rosto estava sujo de terra. Meus olhos, escondidos atrás dos óculos escuros, não acharam nuvens para brincar. Pus meus sapatos vermelhos nos pés e voltei para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram nove e vinte da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu corpo rendeu-se ao cansaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adormeci em minha cama vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houve sonhos naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia apenas uma trágica certeza: ao acordar não será mais dia, meus olhos buscarão no céu esperanças enferrujadas até o sol voltar a aparecer trazendo consigo o desespero do meu dia-a-dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5860387890501029859?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5860387890501029859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5860387890501029859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5860387890501029859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5860387890501029859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/07/nao-houve-sonhos-naquele-dia.html' title='Não houve sonhos naquele dia'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-3902933168083841180</id><published>2011-07-18T21:19:00.000-07:00</published><updated>2011-07-18T21:20:46.561-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Nasci, &lt;br /&gt;Conheci pessoas, &lt;br /&gt;Descobri lugares, &lt;br /&gt;Inventei sentimentos. &lt;br /&gt;Inventei-me, de fato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresci, &lt;br /&gt;Diminui problemas, &lt;br /&gt;Maximizei soluções, &lt;br /&gt;Relativizei dilemas.&lt;br /&gt;Subestimei emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivi,&lt;br /&gt;Modifiquei os lugares,&lt;br /&gt;Reconheci pessoas,&lt;br /&gt;Reinventei sentimentos,&lt;br /&gt;Reinventei-me, de fato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansei,&lt;br /&gt;Propus empate,&lt;br /&gt;Selei acordos,&lt;br /&gt;Evitei desgaste,&lt;br /&gt;Enterrei mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morri,&lt;br /&gt;Encontrei o fim,&lt;br /&gt;Adormeci em paz,&lt;br /&gt;Já não resta mais&lt;br /&gt;Outro lugar para ir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-3902933168083841180?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/3902933168083841180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=3902933168083841180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3902933168083841180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3902933168083841180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/07/nasci-conheci-pessoas-descobri-lugares.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2065096784712284236</id><published>2011-07-03T14:23:00.001-07:00</published><updated>2011-07-03T14:26:01.254-07:00</updated><title type='text'>Para dizer adeus</title><content type='html'>Fico passando a fita na cabeça. Início, meio e fim. Um cigarro ocupa minha mão. Em outra noite quente de verão paro para pensar em você. Meu coração aquece junto também. Mesmo que aqueça para ferver, fazer borbulhar lá dentro os sentimentos antes congelados e fazer doer o ir e vir de um amor louco e efémero. Não há papel em minhas mãos, não há nenhum bilhete de adeus. Há apenas um cigarro meio fumado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esteja comigo essa noite, nós não precisamos pedir permissão a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não pedimos. Nunca pedimos. Eu fiquei, ficaria, com ou sem seu pedido. Porque há braços irresistíveis e há pessoas especiais demais para simplesmente deixá-las escapar. Não acreditava em suas declarações falsas de amor, continuo sem fazê-lo. Mas não precisava de declaração para não fugir, nunca precisei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minha mente não precisava de razão alguma para ficar. Apenas virei meu rosto e lhe beijei. Não havia mais nada a dizer. Estava cansada, ainda bem que você chegou. E, mesmo ao assistir seus passos indo embora daqui, não senti dor ou arrependimento. Há coisas que precisam terminar, antes de se arrancar um pedaço. Você sabia disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estive com você nessas noites, nós não precisamos nos arrepender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos arrependemos. Embora sim, eu tenha chorado de saudade. Embora sim, tenha medo de sentir-me cansada novamente. Mas, revivendo a fita do início, meio e fim, não poderia tomar nenhuma decisão diferente daquela a qual tomei. Talvez nós, como seres humanos, não tenhamos sido feitos um para o outro. Talvez, de fato, ninguém seja feito para ninguém. Por isso as pessoas possuem todo o direito de ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, sim. Eu te amei. Sei disso porque, na fita, há tardes maravilhosas como aquela na qual nossos corpos ocupavam quase o mesmo espaço ou quando seus óculos escuros reflectiam a tarde de sol frio e árvores quase sem folhas (a minha cabeça, encostada em sua perna, repousava leve e livre). E amar não é pecado. Mesmo que as vezes o amor lhe faça viajar até o inferno e voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acredito que podemos parar o mundo enquanto estivermos vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito também. Há sim alguma dificuldade, não é fácil sentir-se vivo o tempo todo. Mas viver é exactamente isso, precisa-se sempre morrer um pouco. Nós nunca vamos entender como isso funciona, por isso seguimos sempre passos errados, mas seguimos, ainda com a dor nos joelhos. Não importa a força da gravidade, nossos sonhos acendem lanternas pelo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que posso dizer, foi um prazer assistir o mundo parar ao seu lado. Não há motivos para culpar. Nós não nos desapontamos, apenas desfizemos os pontos de partida. Não há razão para perdoar, dos seus lábios não saíram palavras cruéis. Você deu-me tanto e agora sigo pelo tempo. Tento adivinhar quais outros lábios podem ser tão doces quanto os seus. Mas não há tempo de adivinhação, só há uma vida e há muitos amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- São dias assim que dão sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje consigo enxergar do lado oposto as placas de contramão. Dizer adeus não dói se fizermos com o coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2065096784712284236?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2065096784712284236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2065096784712284236' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2065096784712284236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2065096784712284236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/07/para-dizer-adeus.html' title='Para dizer adeus'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6487585501345721300</id><published>2011-07-03T07:37:00.001-07:00</published><updated>2011-07-03T08:10:16.251-07:00</updated><title type='text'>À Portugal</title><content type='html'>Quando cheguei eu era tão menina&lt;br /&gt;E tão criança.&lt;br /&gt;Dei esses passos, os primeiros passos&lt;br /&gt;Que antes,&lt;br /&gt;Quando era menina, perdi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei por essa mudança e,&lt;br /&gt;De criança, passei a ser&lt;br /&gt;Gente crescida.&lt;br /&gt;Conheci os lados opostos&lt;br /&gt;Do eu exposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim fugida da guerra&lt;br /&gt;E volto para ela&lt;br /&gt;Sem medo&lt;br /&gt;E sem vontade de perder.&lt;br /&gt;Levo, então, esse espírito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Português, de quem constrói&lt;br /&gt;Grandes naus&lt;br /&gt;E viaja o mundo para se descobrir.&lt;br /&gt;Se perguntarem de mim&lt;br /&gt;O que mais levo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo: levo os rios e a saudade,&lt;br /&gt;Levo os mares&lt;br /&gt;E os versos.&lt;br /&gt;A bandeira verde e amarela&lt;br /&gt;A fundir-se com a cor vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, nada mais levo.&lt;br /&gt;Isto porque o resto está&lt;br /&gt;Tão intrínseco no novo eu&lt;br /&gt;Que nem sei mais quando se deu&lt;br /&gt;O início do que agora carrego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao me olhar no espelho,&lt;br /&gt;É o mesmo rosto que vejo.&lt;br /&gt;Mas ao ver fotografias&lt;br /&gt;Leio nas antigas linhas&lt;br /&gt;Alguém que outrora conheci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou nova dentro de mim,&lt;br /&gt;Mas reconheço-me no passado,&lt;br /&gt;Isso porque, agora a parte crescida&lt;br /&gt;Abraça-se com a antiga&lt;br /&gt;E juntas caminham lado a lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6487585501345721300?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6487585501345721300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6487585501345721300' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6487585501345721300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6487585501345721300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/07/portugal.html' title='À Portugal'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-1618681479720944047</id><published>2011-06-29T23:38:00.000-07:00</published><updated>2011-06-29T23:39:01.613-07:00</updated><title type='text'>No fundo de mim</title><content type='html'>Tenho esses segredos dentro de mim. Eles não são segredos secretos. As pessoas ao me verem podem saber deles, caso olhem com os olhos certos. Há essas montanhas de sentimentos, de pensamentos, há aquele pedaço inflamado que dói ao ser tocado. Há um joelho operado, cicatrizes no corpo. Há essa versão descomplicada de mim, de mais fácil acesso. E há aquela, mais densa, mais tensa, mais viva. Esta parte de mim é a mistura completa do dolorido, do vivido, do apaixonado. De todos os sentimentos e pensamentos que vagam e dissertam sobre mim. Eles não estão escondidos, apenas cobertos por panos e simplicidade. São partes interessantes de uma vida curta, são fases, frases, são tormentos e medos, alegrias, esquecimentos, paixão, vontade, loucura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sim toda essa loucura correndo em minhas veias. Uma loucura saudável no horário comercial. E depois, na noite, no espaço do tempo entre o ontem e o hoje, há uma loucura total. Quase impossível de decifrar para olhos leigos. Essa complexidade dá voltas e retorna sempre reduzida. Seus caminhos são de difícil caminhar. São passos longos e fortes, são passos curtos para a morte que me fazem desenhar o destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode reduzir a vida em alguns parágrafos. Ela é maior. Palavras não cabem em seu extenso vocabulário. A vida é uma mistura de cores e frases e nela desenha-se sempre um arco-íris impossível de se atravessar. Desenham-se histórias não contadas porque não são engraçadas ou dramáticas. São apenas histórias, sobre dias de verão, sobre madrugadas passadas em claro, sobre noites de TV e jornal. Nessa mesmice esconde-se passagens importantes de uma narrativa medíocre. Nela há o encontro dos segredos não secretos, da densidade simples, da paixão dolorida, do viver para morrer algum dia, em um espaço menor do que aquele o qual ocupo agora, com dores nas costas, cabelos brancos e um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prezo pela loucura dentro de mim. Venero-a. Ela é quem não me deixa enlouquecer nesse mundo insano. Amo-a e, em certos momentos, escondo-a. Acabo por vivê-la por baixo dos panos, em pensamentos e sentimentos que caminham pelos caminhos mais inimagináveis e acabam por ser vomitados de forma simples, como é simples a forma de uma flor para quem não a olha de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha felicidade aquece meu peito e de noite, no aconchego do inverno, deixo-a seguir por outro rumo caso queira, só para sentir a dor daquilo que é inflamado e curar com pressa. Faço questão de conhecer também esse meu lado obscuro, gosto de encará-lo só para tentar decifrar um pouco dos segredos que guardo, aqueles segredos não secretos, mas cobertos pelos anos, pelos panos, pelos tratamentos paliativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encará-los é como olhar em baixo da cama para encontrar um bicho-papão, é aprender a andar de bicicleta sem as rodinhas, é descobrir que as pessoas morrem, ainda que você as ame. Encarar e não se assustar, é igual a não ter nojo do seu próprio sangue. É melhor curar de uma vez a ferida aberta, e vê-la aos poucos fechar e dar lugar a uma cicatriz minúscula e a uma história dramática, mas que continua sendo um tipo de história não interessante para se contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo de mim agrava-se essa fome pela vida. No fundo de mim há um poço sem fundo, no qual eu afundo, náufrago e aprendo a nadar. No fundo de cada um há um norte e um sul com diferentes fusos. No fundo de tudo há sentimentos difusos. Não há o que esconder – no fundo, no fundo há mais simplicidade do que meus olhos confusos conseguem decifrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-1618681479720944047?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/1618681479720944047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=1618681479720944047' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1618681479720944047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1618681479720944047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/06/no-fundo-de-mim.html' title='No fundo de mim'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-3716117937920498320</id><published>2011-06-22T12:59:00.000-07:00</published><updated>2011-06-22T13:00:30.457-07:00</updated><title type='text'>As cores de Monet</title><content type='html'>Há vezes nas quais gostaria de viver dentro de um quadro de Monet, com todas aquelas flores, as pontes e os guarda-chuvas inseridos em um dia de céu claro e nuvens brancas. Meus pés descalços tocariam a grama úmida e minhas mãos passariam ligeiras pelas flores abertas no campo. O céu não pingaria chuva e o mundo não tardaria a silenciosamente escurecer. Os vagalumes no alto do céu fariam a noite parecer uma chuva de luzes. Meu coração bateria forte no peito, enquanto as mãos de Monet desenhariam para mim outro dia, com campos não tão floridos, mas não menos bonitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento por trás dos altos vales passaria apressado pelas árvores e rios, me impulsionaria também para além daqueles vastos pedaços de terra. Talvez eu, que de corpo não sou nada, voasse para fora do quadro um pouco. E vivesse de fazer tintas com minhas próprias mãos. De tempos em tempos invejaria as mulheres nos quadros, tão belas e tão calmas, com longos vestidos brancos e em paisagens encantadoras. Deixaria minha alma navegar pelas paisagens de cimento e concreto do dia-a-dia e, eu que de corpo não sou nada, sentiria minha alma desacelerar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos meus pés caberia o dever do retorno. E assim se daria. Aos poucos meus olhos assistiriam as lembranças daquelas tardes serenas em campos amarelos e verdes e no meu coração bateria saudade dos tempos, das pontes e das nuvens claras no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltasse, no entanto, as mãos de Monet, embora ainda habilidosas, não mais poderiam desenhar aquelas velhas paisagens. As cores seriam mais turvas, mas ainda assim tudo continuaria no exato mesmo lugar. As pontes, as flores, os guarda-chuvas, os campos, o céu. Eles ainda teriam vida. Eu é que padeceria do mal de quem acostumou-se a viver como protagonista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-3716117937920498320?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/3716117937920498320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=3716117937920498320' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3716117937920498320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3716117937920498320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/06/as-cores-de-monet.html' title='As cores de Monet'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2855891057225001041</id><published>2011-06-12T01:13:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T01:15:31.446-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Mentiras são iguais a histórias perversas. Eu minto sempre que quero lembrar-me de coisas perversas. Minhas secretas mentiras, histórias escritas em papéis trocados. Não fujo, mas de repente meus pés estão longe de alcançar-me. Alcançar qualquer outra perversa mentira contada. São perversos pensamentos demais em minha cabeça. Continuo a pensar, no entanto, só por viver em trocados papéis, por esquecer-me de fúteis histórias secretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando te toco, toco quase o infinito. Posso sentir o mundo nas pontas dos meus dedos. E agora, em segredo, choro apenas pela falta de sentir em meu peito a possibilidade de ter-te pela vida inteira. Não morro, mas quase sofro. Não corro, mas quase caiu. Não fujo, apenas meus pés se deslocam cada vez mais e de mais só há mesmo essa fútil sensação em meu peito, de quem ama em segredo, sofre em segredo, chora em segredo e, por tanto ter feito em segredo, não consegue esquecer sem gritar a todos os ventos: te amei, te amo, te amarei, e doeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei exatamente onde encontra-se esse elo meu e teu. Se são em seus olhos verdes e livres. Ou nos meus, pretos e tristes. Fantasiei, mas fantasiaria ainda mais, caso isso significasse um pouco de cada sonho sonhado, em segredo, tão secreto que mal caberia em minha boca teus seios, teus beijos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juro por Deus, meu amor, juro por Ele, caso um dia eu volte a amar, igual a como um dia amei-te sem nem mesmo acreditar em deus, ou ainda um pouco menos, ou quem sabe um pouco mais, nunca mais desmanchará em meu peito vazio de sentimento a flor que brotou em segredo, no seio que ainda guarda tuas digitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há de se fazer tudo bem. Porque minhas secretas mentiras agrupam-se e protegem-se. E eu, que sempre julguei-me tão verdadeira, de fato não passo de um vento apressado a levar no fim telhados demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2855891057225001041?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2855891057225001041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2855891057225001041' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2855891057225001041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2855891057225001041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/06/mentiras-sao-iguais-historias-perversas.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5754919295827588413</id><published>2011-05-22T19:45:00.000-07:00</published><updated>2011-05-22T19:48:11.949-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;É chama. Segredo e chama.&lt;/span&gt; O que faz aí parado no canto, menina? Nada, não faço nada. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;É a resposta, e é segredo.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mas pela janela vê-se a chama, do outro lado do vidro.&lt;/span&gt; Coitada da chama, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pensa primeiro,&lt;/span&gt; é chama mas não queima nada. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Depois pensa&lt;/span&gt; é chama, não precisa de nada para queimar, já queima-se sozinha. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Quando finalmente pensa:&lt;/span&gt; é linda, é chama que sozinha queima o nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai menina, diz logo o que tais fazendo aí. Nada, tô vendo a chama. Que chama? Essa aí, tá do outro lado do vidro. Mas tu, perdendo tempo só pra ver chama, quer brincar de nada não? Não, quero não, já tô brincando de ver a chama. Isso é brincadeira nada, isso é tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Uma palavra desconhecida, ela vira a cabeça.&lt;/span&gt; Tédio? E o que é tédio? Tédio é um sentimento de chatice quando nada acontece. Mas nunca nada acontece, pai, sempre alguma coisa acontece, agora mesmo, do lado de lá do vidro, a chama queima. Mas não queima nada, já já ela diminui e morre, porque quando o fogo não se alimenta ele morre. Mas é assim com todo mundo, pai, a gente mesmo, se não comer, também morre, e nem por isso a gente é tédio quando tá existindo sem comer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas imagina você parada, sem comer, sem fazer nada, né chato não menina? É não pai, se alguém um dia tiver parado sem comer, sem fazer nada é porque morreu. Oxe, claro que não, já visse alguém parado sentado vivo e sem fazer nada não? Vi não pai. Pois eu vou ficar nos próximos segundos parado, sem fazer nada e tu vai ver que eu não tô morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Daí ele se senta na cadeira, para as mãos em cima da mesa e fica lá, com cara de nada. Depois de uns segundos ele ri,&lt;/span&gt; tá vendo? Fiz nada e tô vivo. Oxe pai, fizesse nada coisa nenhuma, tu tava aí o tempo todo respirando e duvido nada se tivesse pensando também, em mim ou em se concentrar pra não fazer nada, talvez tu até tivesse olhando pra chama, igual eu tava fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ave maria, menina, é muito chato discutir contigo, vai brincar vai. Ô pai, diz filha, posso brincar de tédio?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5754919295827588413?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5754919295827588413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5754919295827588413' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5754919295827588413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5754919295827588413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/05/e-chama.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2257256069928545882</id><published>2011-05-17T02:33:00.000-07:00</published><updated>2011-05-17T02:48:37.862-07:00</updated><title type='text'>Pela beleza das coisas</title><content type='html'>Talvez eu vá ao rio hoje. Caminhar. Caminhar para ver.&lt;br /&gt;Não ver flor ou rio, não ver árvore.&lt;br /&gt;Mas ver apenas, o que é flor, rio e árvore antes de virar nome, antes de tornar-se árvore e rio e flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu não passe o dia no quarto. Sem sono, sem ver nem ouvir.&lt;br /&gt;Apenas a fazer construções e desconstruções de tudo que nunca ouvi, nem vi.&lt;br /&gt;E caminhe pela calçada que é calçada porque antes de virar calçada não era nada.&lt;br /&gt;Era só pedaço de rua, igual a rua, mas sem poder se caminhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não igual a flor, ao rio, as árvores, que antes mesmo de nascer o nome, já eram hoje como são, flor, rio e árvore, mas sem nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu hoje compre um café na porta da tabacaria, &lt;br /&gt;leia trechos do jornal. Finja preocupação com esse mundo real.&lt;br /&gt;E ao ver insetos me assuste e abane com as folhas de papel o ar.&lt;br /&gt;Derrube um pouco de café no canto da xícara e assopre gentilmente a fumaça quente a subir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o sol queima-me a nuca, eu respire fundo o ar do mundo real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez hoje eu volte para casa mais cedo e antes de dormir escreva poemas sobre esse &lt;br /&gt;mundo de fora.&lt;br /&gt;Desenvolva teorias sobre a realidade das coisas e mastigue pão velho com café e leite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez sim. Para amanhã, quando acordar, voltar à realidade do meu mundo.&lt;br /&gt;E sozinha nominar de flor, de rio e de árvore qualquer outra coisa que eu quiser.&lt;br /&gt;E assim, qualquer outra coisa nascerá para ser bela como são os rios. Para ter cores como têm as flores. &lt;br /&gt;Para surgir do chão de uma semente que cabe na palma da mão, e cresce, cresce até ficar maior do que nossas cabeças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando amanhã chegar, depois desse hoje que talvez hoje venha a ser, pretendo, antes de dormir, escrever poemas.&lt;br /&gt;Sobre a beleza de tudo que é belo, independente do nome e da definição.&lt;br /&gt;No fim, depois de ter vivido essa realidade paralela do meu eu, deite a cabeça no travesseiro.&lt;br /&gt;E durma com tranquilidade, apenas por saber da existência de coisas belas, que nunca deixarão de ser belas, independente dos nomes que lhes dêem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2257256069928545882?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2257256069928545882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2257256069928545882' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2257256069928545882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2257256069928545882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/05/pela-beleza-das-coisas.html' title='Pela beleza das coisas'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-1114685254936502739</id><published>2011-05-08T20:03:00.000-07:00</published><updated>2011-05-08T20:14:57.784-07:00</updated><title type='text'>É só aproveitar, quando é</title><content type='html'>- Tem certeza que eu não te criei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me criou? Mas me criou como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei, ninguém tem olhos e sorrisos tão bonitos assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sorriu, as vezes falo apenas para te ver sorrir. Seu corpo ainda nu, ao lado do meu. Não há espaço para o tempo na nossa cama, nem há relógios a nossa volta ou calendários pendurados na parede. Nunca nos importou, tão pouco importa, o mundo lá fora, com regras e sombras e ponteiros – eu tenho certeza que você não me criou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será? Sua pele quase transparente, seus cabelos longos e quase brancos. Será? As vezes eu lhe toco apenas para sentir meus dedos suprimindo sua carne, seus ossos, seus seios. Perceber seu pulso. E conto seus cílios. Enquanto estamos a zero quilómetros por hora, mas voamos. Beijo seus lábios, vermelhos. Não são seus lábios que são extraordinariamente vermelhos. Mas é que seu rosto é tão claro e seus lábios tão doces – É, sei que não te criei, nunca teria imaginação de criar algo perfeito assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas mãos procuram meu rosto, meu lábio, quando finalmente se localizam, sua cabeça desassossega do travesseiro e, de olhos ainda fechados, sinto uma boca na minha. Não há tempo para nós, só há esse agora eterno, dentro desse quarto sem cor e sem janelas. Minha respiração ameaça perder o equilíbrio, mas suas mãos me acariciam, não há pressa em nossa cama, me acalma. Antes de acender outro cigarro, olho seu corpo deitado, de costas para o teto. Ponho meus dedos a desenharem em seus ombros, beijo cuidadosamente entre ombro e pescoço. Você se arrepia. Eu me arrepio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero tocar o chão. Tenho medo de se quebrar o encanto. Tenho medo de que, no momento em que tocar o chão, meu pé, frio, se lembre dos compromissos do mundo, daquele mundo confuso e bacunçado. Por isso, sento, mas cruzo minhas pernas. Seus olhos me olham, enquanto pego o Marlboro vermelho e levo um cigarro a minha boca. Suas mãos me trazem um isqueiro preto, pequeno. Eu fumo, você fuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois nos fundimos. No eterno momento do agora. Enquanto não se evapora nosso mundo, absorvido pela obsessão das horas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-1114685254936502739?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/1114685254936502739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=1114685254936502739' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1114685254936502739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1114685254936502739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/05/nosso-amor-sem-hora.html' title='É só aproveitar, quando é'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2697956667308103942</id><published>2011-04-06T09:13:00.000-07:00</published><updated>2011-04-06T09:19:14.500-07:00</updated><title type='text'>Sem tempo de ter tempo</title><content type='html'>Não sei fazer piadas. Por isso não faço. Para não sobrar comedida demais, prefiro ignorar as frases engraçadas. Prefiro as atitudes, as ironias, os sarcasmos escondidos por trás de frases sem graça. Também não sei fazer poesia, por isso não faço. E para não soar prepotente não tento rimar palavras difíceis, distribuir sentimentos, alimentar parágrafos. Prefiro a poesia do cotidiano, da rotina cansada, dos olhos exaustos, do gosto de café amargo e cigarro amassado e barato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que você me conheceu, há quatro anos atrás. Sentada no banco a espera de uma brisa, de um cheiro ou até mesmo de você. Foi assim que lhe conheci, desse jeito que sou, talvez menos humilde, habitual e real. Talvez mais misteriosa por trás dos olhos escuros de lápis e rímel e da boca vermelha de batom e mordidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Olá, tudo bem eu sou Leandro. Olá, tudo bem, eu sou Maria. Maria só? Maria sim. Maria é um nome bonito. Obrigada, Leandro é um nome comum. Comum? É. Maria é mais comum. É. Você quer um café? Não. Uma cerveja? Sim. Maria de que? Maria só. Vai ser difícil te chamar só de Maria. Mas por que? Porque Maria é normal demais, quando eu for olhar amanhã no meu celular seu número vai haver uma Maria seilaoquê, outra Maria seiladasquatas e você, Maria e ponto. E quem disse que meu nome vai estar no seu celular amanhã? Eu espero que esteja. Já eu espero a cerveja.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia meu nome estava no seu celular, Maria Alice. E você me ligou, em vez de ligar para a Maria seilaoquê. Eu atendi, mesmo sem saber quem ligava. Meio corrida, sempre apressada, sou o tipo de pessoa que sempre fala no telefone como se houvesse outra coisa mais importante pra fazer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Então vai, fala rápido, tô ocupada. Ocupada com o que? Ocupada só, quer ligar depois? Não, falo agora. Então fala. Tá no trabalho? O que você quer falar? Nada, porque se você tivesse no trabalho eu passava aí e a gente saía pra tomar um café. Não. Cerveja. Sim. Certo, onde você trabalha? A gente pode se encontrar na praça de ontem. Seu trabalho é por perto? Não, mas pode ser lá, tá bom pra você? Tá, certo. Às 19h então? Certo. Quer pegar um cinema também? A gente pode resolver mais tarde, eu estou ocupada. Certo, tchau. Tchau. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ai eu desligo o celular e vou contar os azulejos da casa. Porque eu não trabalho, nem estudo, nem faço nada. É isso, eu não faço nada. As vezes faço, vendo CD, faço camisas. Mas é tudo transitório, como eu, que sou transitória também, embora você ainda não saiba, depois de apenas um telefonema, um cinema, uma transa em seu carro na garagem deserta. Depois de alguns dias, o telefone toca de novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é você, agora me chamando pra jantar, um sushi, ou um crepe, ou em um bar perto do seu trabalho que tem sanduiches maravilhosos. Eu topo os sanduiches, chego no bar tarde, atrasada, como sempre eu andei ocupada demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Desculpa. Tudo bem. Esperou muito? Um tempo, mas tudo bem. Já pediu algo? Só bebida. Certo, só bebida pra mim também. Por enquanto. Sim, por enquanto. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre ocupada, contando as janelas dos prédios por trás da janela do carro. O sinal abre e fecha. E eu, ocupada, ocupando-me. Ter tempo livre é perigoso para alguém que transita. Sem espaço de frear, parar, estacionar. O problema é que gente não vem com step, com freio de mão. É instinto, sentimento, tudo isso sem alavanca de “não aguento mais, quero parar de sentir tudo isso”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Então se provoca loucuras para parar de sentir, como sentar no banco da praça a espera de uma brisa, ou de um cheiro ou de um você e dar uma trepada rápida em uma garagem vazia, ou no seu escritório deserto, em sua sala com o tapete macio e o sofá mais confortável do que o sofá da minha casa, até porque, aliás, em minha casa não há sofá, uma vez que gastei a grana do sofá pagando aquela festa louca sem razão nenhuma só para poder beber acompanhada e sem correr o risco de perder as chaves de casa ou do carro ou o celular, já que a festa foi dentro de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que o tempo foi passando e eu me acostumei com isso. A falta de cordialidade, o sexo, o segundo mundo, seu mundo, tão diferente do meu, tão normal e agendado, com horário e jantares importantes onde você deve ir sem expressar sua opinião sobre determinados assuntos porque você não quer que lhe odeiem simplesmente por ser diferente deles, ou pensar diferente deles, ou concordar com qualquer forma de pensar que não seja a forma deles.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;De repente eu estava nas festas da firma, na casa do chefe, recebendo cantadas indiscretas por baixo do nariz da mulher siliconada e plastificada do chefe, atrás da figura de família perfeita e feliz, mas que na verdade tem um filho drogado e outro que não se sabe se é drogado ou só esquizofrénico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engordei alguns quilos, perdi algumas fobias e adquiri outras, meu atraso continua incompreensível, agora vendo livros e cd’s em uma loja perto do seu bairro, vou para sua casa na maior parte dos fins-de-semana e as vezes nos encontramos na minha, só para fugir da rotina e rir da minha falta de sofá e do meu microondas inoperante. Nossos sexos se resumem a uns gritos, uns orgasmos, uma virada de lado e meus olhos fechados, cansados, com rímel e lápis borrados e no fim da noite, quase sempre, ainda me toco sozinha, você percebe e me abraça enquanto eu gozo e as vezes tenho vontade de te enfiar dentro de mim também ou de te expulsar e sair correndo daquele quarto e daquela vida que não é minha, que eu não sei como fui parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo bem, porque um dia você vai compreender que sou transitória e eu vou lembrar-me do fato de mais cedo ou mais tarde você vai fazer parte da paisagem atrás da janela do carro, que ignoro ver, junto com os fantasmas e os sonhos, todos cinzas e em busca de mim, para se tatuar em mim, para doer em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vou continuar sem tempo, sem espaço, sem freio. Já colidi, mas juntei os pedaços. Criei alavancas, fingi stpes, forjei gasolina com álcool. Destilei sensações, sufoquei emoções e continuo contando janelas, sem tempo, ocupada, apressada, fugindo da pergunta que não cala e que corre e que grita: mas e se o fôlego acabar, o carro parar, a velocidade diminuir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta não quero saber. Por isso atinjo velocidades exorbitantes nas curvas dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2697956667308103942?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2697956667308103942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2697956667308103942' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2697956667308103942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2697956667308103942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/04/sem-tempo-de-ter-tempo.html' title='Sem tempo de ter tempo'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-7800701007144192159</id><published>2011-03-15T04:56:00.000-07:00</published><updated>2011-03-15T06:26:24.353-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>- Acho que sou o amor da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele olhou para o lado, a garota estava mesmo falando com ele. Pôs seu livro no colo e sorriu. Não aquele sorriso de quem gosta do que a outra pessoa falou. Mas aquele sorriso, de quem não entendeu a mensagem e começa a duvidar, seriamente, da sanidade da outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdão, você está falando comigo? – Marcelo perguntou isso, apesar de não ter dúvidas que a resposta era sim. O parque não estava tão frio naquele fim de tarde. Os raios de sol ainda caiam suavemente sobre a grama e iluminavam também o rosto da garota ao seu lado. Apesar dos óculos escuros, Marcelo conseguia sentir a profundidade daquele olhar. Insanidade. Talvez fosse melhor ele sair dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, falei contigo! Veja bem, estou aqui a uma hora e meia. Mais ou menos o tempo que estais. Exceto pelo fato de teres levantado duas vezes – uma delas para comprar cigarros, outra para comprar coca-cola – não te vi fazendo nada mais além de ler esse livro. Não estais esperando ninguém, porque não olhou o relógio nenhuma vez e nem demonstrou impaciência. Se fosse chutar, poderia dizer que não tens um celular e, se tiveres, não o usa muito. Sentes prazer ao fumar – quando digo isso tento dizer que não fumas por vício, fumas pelo prazer. Se um dia quisesse parar, pararia. Gostas do sol no rosto, por isso, algumas vezes, abaixas o livro e simplesmente põe a nuca no encosto do banco, até tiras os óculos escuros. Mas usas os óculos para ler, o que é engraçado, porque preferes ler de óculos do que encarar o sol com eles. Talvez as palavras te sejam mais claras do que a luz. Brincas com o dedo quando gostas de alguma parte do livro e dás um sorriso. Não daqueles sorrisos-gargalhada, mas um sorriso discreto, no canto da boca, quase irônico. Por isso, digo, tendes a ler Machado de Assis. Pela ironia mesmo. Gostas disso. Desse sarcasmo. Entendes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo sorriu novamente. Na realidade a conversa estava mais interessante. Continuava insana, mas compartilhava do pensamento de que não há nada normal realmente interessante. Só as coisas loucas despertam vontade de se conhecer mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sinceramente, não entendo. Descreveste bem uma parte de mim. Essa parte cá sentada no parque, lendo Machado de Assis e satisfeito com sua ironia e seu sarcasmo. Mas ainda assim, não entendo porque eu haveria de ser o amor da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdão, talvez tenha tido o entendimento errado. Eu não disse que eras o amor da minha vida. Eu disse que, talvez, eu fosse o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, claro. Agora tudo faz sentido. Fez menção de guardar o seu livro na mochila, mas a mão da garota o impediu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não ainda. Deixe-me provar meu ponto. Odeio conversas mal terminadas. Mesmo essas, que começam do nada. O que quero dizer é que eu também sou assim. Quer dizer, não sou irônica, nem fumo apenas pelo prazer. Tenho um celular e sinceramente me seria difícil viver sem um. Aprecio quem vive sem, deve ser uma sensação de muita liberdade. Mas o problema é, veja bem: eu também não estou esperando ninguém. Estou aqui a uma hora e meia a observar-te. Não por não haver nada mais para fazer, mas é que fazê-lo seria ir contra a filosofia do que essa tarde significa para mim. Todos os sábados venho aqui, nesse mesmo parque. Não trago livros ou música. Apenas café, cigarros e batata frita. Sento exatamente naquela árvore, ao pé da estátua no meio do parque. Fico sentada até quando quiser – ou pelo menos enquanto me restam café e cigarros. Olho o dia e desenho suas cores em minha retina. Sinto o sol no meu rosto e respiro. A minha filosofia da tarde de hoje é essa: respirar, simplesmente. Então vi sua chegada. Na hora pensei que eras mais um dos apressados executivos que passam aqui uma tarde com seus filhos pequenos, a correr de um lado para o outro no telefone, sem perder tempo. Mas então percebi que eras muito jovem. Assim que sentaste e pegaste o livro na bolsa, tive a certeza de que eras mais um estudante a beira do vestibular e que, por sê-lo, estavas a ler Machado de Assis para a prova de Literatura. Depois, no entanto, percebi que não lias com pressa. Coisa, aliás, que não condiz com aluno em ano de vestibular lendo um livro “antigo” – a garota fez aspas no ar - com palavras “complicadas” – novamente as aspas. Percebi então: no fundo, és igual a mim. Estais aqui, apenas para tentar respirar um pouco. Nem que para isso seja necessário maltratar teus pulmões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual é o teu nome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sofia. Soa como o nome do amor da minha vida. Marcelo sorriu, pôs o livro na bolsa e pegou a carteira de cigarros. Pôs ao seu lado, no banco. Não fumou e nem ofereceu um para a garota. Instantaneamente percebeu os olhos de Sofia, descendo até a caixa de cigarros. Marcelo sorriu, dessa vez, uma verdadeira gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que houve? Por que estais a sorrir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, Sofia. Eu te vi minutos antes de apareceres ao meu lado com esse papo de “amor da minha vida” – dessa vez, Marcelo usou as aspas também. Procuravas arduamente algo, não? E olhaste depois para mim, embora não houvesse percebido que eu te olhava também. No segundo em que me olhaste, pus meu cigarro na boca. Riste. E acho que foi nesse momento quando decidiste esperar meu cigarro acabar, para vir aqui e pedir-me um cigarro, já que tuas moedas não contam a soma necessária para comprar mais. No entanto, teu orgulho não te deixaria chegar a me pedir algo tão diretamente. Por isso vieste primeiro me conquistar, fazer confusão em minha cabeça. Pois bem, me pedes o cigarro que eu te dou. É simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- És mau. Mas tudo bem, peço-te então. Dá-me um cigarro, por favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É claro que sim. A propósito, Sofia, meu nome é Marcelo. E desejo chamar-te para comer algo agora. É que, bem, está o mal feito. Apaixonei-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-7800701007144192159?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/7800701007144192159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=7800701007144192159' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7800701007144192159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7800701007144192159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/03/acho-que-sou-o-amor-da-sua-vida.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-1165783946027402805</id><published>2011-03-11T02:04:00.000-08:00</published><updated>2011-03-11T02:05:38.513-08:00</updated><title type='text'>Sobre cartas de amor</title><content type='html'>Me escreveram uma carta certa vez. Eu não li. Não lembro agora se rasguei ou se queimei. Só lembro disso: não li.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo também de na hora em que rasgava ou queimava me veio na cabeça como eu sempre me lembraria daquele momento, daquela atitude radical de queimar ou rasgar a carta. Mas na realidade, hoje, anos depois, tudo o que consigo me lembrar é apenas dessa parte: eu não li aquela carta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Até hoje não sei o que perdi. Eu só sei disso: assim quando a carta chegou em minhas mãos, eu a coloquei no bolso e ao chegar em casa rasguei. Ou queimei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso houvesse uma declaração de amor, eu me pergunto se, junto do papel e da fumaça – supondo ter sido a carta queimada – evaporou-se também as palavras. Não a tinta da caneta usada para escrever as palavras. Mas as palavras, o que elas representavam e para quem representavam. Se elas acinzentaram-se também, desprendendo-se do pedaço de papel sem desenhos na borda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se houvesse ali uma declaração de amor e simplesmente rasguei a carta, eu me pergunto se houve algum coração rasgado também, sangrando tinta vermelha em uma camisa branca, sem bordados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu quero dizer é: nunca deixe de ler suas cartas, principalmente se for uma carta de amor. Porque, quando você crescer, as pessoas que escrevem cartas de amor vão crescer também. E não sei porquê razão essas pessoas deixam de escrever. Talvez porque acreditem quando outras pessoas dizem que escrever cartas de amor é brega e infantil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditem nessas pessoas que não sabem amar porque não são ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de voltar no tempo e ler aquela carta de amor, porque talvez, se eu a tivesse lido, as palavras se desprenderiam do papel e se tatuariam em meu coração, com tinta vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje eu não seria esse tipo de pessoa, que nunca escreveu uma carta de amor. Esse tipo de pessoa de não saber o que é o amor, muito menos saber amar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse tipo de pessoa que não consegue ver a beleza que há em uma ridícula carta de amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-1165783946027402805?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/1165783946027402805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=1165783946027402805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1165783946027402805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1165783946027402805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/03/sobre-cartas-de-amor.html' title='Sobre cartas de amor'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2490435920229023857</id><published>2011-03-07T14:01:00.000-08:00</published><updated>2011-03-07T14:10:44.894-08:00</updated><title type='text'>Dezessete parágrafos</title><content type='html'>Eu te liguei dezessete vezes. Em todas elas você atendeu. Mas eu nunca respondi do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que foram dezessete vezes, porque eu pus riscos no meu caderno, fazendo contas, tentando descobrir quando eu teria coragem de falar tudo o que eu nem preciso mais falar agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que foram dezessete vezes, porque em todas elas meu coração veio a boca e minhas mãos tremiam, o telefone quase caiu, e eu desliguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único pensamento que me deixa feliz hoje é saber da existência de coisas as quais você não sabe sobre mim. Eu me apoio sobre elas, permaneço em pé por causa delas. Elas são minhas mais fiéis companheiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas coisas que você não sabe sobre mim, você não as roubou. Não conseguiu pôr em sua estante suja, junto daquelas outras coisas, que eu, inocentemente, entreguei em suas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sorrio. Porque você não sabe de onde vem meu sorriso, não sabe a forma como ele surge dentro de mim, quase incontrolável. Difícil de conter. Eu sorrio por impulso da vontade. Essa vontade é minha e você não a conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisei sair da minha realidade para descobrir o quão as realidades são subjetivas. Os erros que cometi não tatuam-se mais na minha pele. De fato, ninguém os vê. Tomei conta deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisei conhecer uma realidade alternativa para sentir a dor em voz alta. Tremer no colchão. Chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi também devido a essa nova realidade que descobri como matar essa dor. Convivi anos com ela. De fato, se pode conviver com uma dor sem que ela doa. Ela só lhe corrói por dentro, silenciosamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fui corroída por anos. Sem entender de onde vinha aquela sensação de vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu encarei minha dor, dei a ela todas as possibilidades de doer sem receio. E hoje eu não tenho medo de quartos escuros. Quando fecho meus olhos, não vejo sombras. Quando durmo, não tenho pesadelos. Quando acordo, não tenho vontade de continuar dormindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque há também outra coisa que você não conhecia a respeito de mim: Minha vontade de viver. Você não sabia de onde ela vinha. Como ela surgia e deixava meu coração quente e meus olhos abertos. Essa vontade de viver é minha. Você não a roubou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje agradeço por eu ter desligado o telefone todas as dezessete vezes que lhe liguei. Agradeço porque sei que há coisas que não precisam ser ditas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não me destruiu e não é parte do que eu sou. Nem mesmo a parte ruim. É apenas um ponto negativo, uma fotografia borrada, um pedaço estragado de comida velha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, assim como a comida estragada, eu te joguei fora. Exorcizei meus demônios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu sou feliz. E sei que assim serei em qualquer outra realidade que for. Porque eu sou assim. Isso você nunca vai conseguir roubar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo se tentar fazê-lo por dezessete vezes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2490435920229023857?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2490435920229023857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2490435920229023857' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2490435920229023857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2490435920229023857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/03/dezessete-paragrafos.html' title='Dezessete parágrafos'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-1235156357705022959</id><published>2011-01-24T10:32:00.000-08:00</published><updated>2011-01-24T10:33:14.374-08:00</updated><title type='text'>Sobre sapatos e óculos escuros</title><content type='html'>Pus todos os meus sapatos dentro daquela caixa enorme. A partir daquele dia estava decidida a nunca mais pôr nada nos pés. É que eles devem andar livres, sentindo as coceiras do mundo, sem pedaços de borracha ou de pano pra cobri-los, saqueando todas as sensações que eles poderiam ter. Antes, confesso que pensava nos sapatos e nas sandálias como salvações para os pés, objetos que os protegiam do frio e do calor, dos vidros e das formigas. Mas sabe, me veio na cabeça o seguinte: se for assim, teríamos todos que viver completamente inseridos em grandes tênis, amarrados com cadarços de ferro, dentro de meias gigantes. Não, ninguém faria isso comigo, ou com os meus pés. Eles viveriam soltos, livres, donos de si. No início foi difícil acostumar-me, mas sabe, aos poucos se aprende a receber com ternura os tombos, os cortes e até mesmo as unhas encravadas. Não sem chorar ou espernear, não sem correr ou tentar fugir. Mas chega um ponto em que seus pés estão tão cansados, tão doloridos e inchados, que ficar se torna a melhor opção. Você crava seus pés no chão e decide enfrentar o mundo, do jeito que ele é. A partir daí é um novo início, porque depois de se ter corrido e fugido, decidir voltar e ficar é sinônimo de se deixar doer, lembrar de cada topada, de cada torcida de calcanhar. Permitir-se sentir as bolhas nos pés, para poder curar. Lentamente então – ainda que seus pés estejam mais velhos, duros e grossos – reergue-se sobre eles uma vontade de continuar a andar. Dessa vez com um pouco mais de cuidado, observando sempre com os olhos. Aprende-se a pesar e a ponderar. Aprende-se até quando simplesmente pisar fundo e ultrapassar os limites. Apreende-se qual a hora de parar. Seus pés e seus olhos então se tornam amigos, melhores amigos. No meu caso, entretanto, meus olhos ainda andam de óculos escuros. É que eles são sensíveis. Quem sabe um dia eu não jogue os óculos fora também, e passe a enxergar o mundo com olhos crus, sem que a luz me cause dor de cabeça e sem que chova dentro de mim todas as vezes em que eu me encarar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-1235156357705022959?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/1235156357705022959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=1235156357705022959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1235156357705022959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1235156357705022959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/01/sobre-sapatos-e-oculos-escuros.html' title='Sobre sapatos e óculos escuros'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-609765787426308821</id><published>2011-01-06T22:34:00.000-08:00</published><updated>2011-01-06T22:37:57.364-08:00</updated><title type='text'>Adeus</title><content type='html'>Meus filhos talvez me odeiem. Meus pais. Mas quem pode entender, quem realmente pode entender o que eu estava fazendo aqui? Perdendo as horas, compreendendo os segundos, após o tempo que passa levando embora um pedaço seu. Abri feridas demais. Assoprei nelas, apertei-as. Mas quer saber? As reconheci. Cada centímetro de dor, cada parágrafo de corte, cada tinta de sangue. Vieram de mim, basicamente causadas por mim ou pela minha ingenuidade de acreditar nas pessoas. Meu último adeus, meu primeiro olá, fodam-se. Eles não são o que eu sou. Fodam-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei desses sonhos inquietos, pesadelos horríveis. Neles, no entanto, houve reconhecimento também. A falta de ar pelos caminhos que percorri, a falta de chão pelos lugares que flutuei, a falta de mar, de vida, a falta de mim. Deixei de ser eu mesma, depois voltei. É porque pode se escapar de muitas coisas nessa vida. Pode-se escapar do inferno e do paraíso, pode se escapar das agulhas, das navalhas, da bebida em excesso, da falta de estômago, da fumaça nos pulmões, mas não se pode escapar de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deram-me parabéns durante um tempo. Meu comportamento impecável, meu vocabulário cheio, meu sorriso, meu rosto, meus seios. Ganhei recortes de jornais, fitas no cabelo, deram-me de presente para alguém. Fui criada, domesticada, o animal selvagem aprendeu a dormir tranqüilo e sempre que ele rugia mais alto, davam-me aspirina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu voltei. Porque não se pode escapar de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde raios estão meus companheiros? Em que parte, em que mundo, em que marte? Viver é fugir. Viver é correr. Mas, em um ponto a vida tem razão, não importam quantos caminhos existem: diferentes, dolorosos, belos, todos eles dão no mesmo fim. A vida é isso, um meio para um fim. Logo logo deixa-se de ser estrela, seu nome é esquecido, suas frases apagadas, seu rosto passa a ser confundido com outra pessoa do passado. Referem-se a você como “aquela garota que passou um tempo na cidade, ela sim sabia o que era diversão”. Na realidade, o que ninguém percebeu é que aquela garota não sabia de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E quem sou eu”, gritava ela, desesperada. Presente e passado, coadjuvantes.  O problema da vida, o verdadeiro problema dela, é o tempo em excesso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-609765787426308821?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/609765787426308821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=609765787426308821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/609765787426308821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/609765787426308821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2011/01/adeus.html' title='Adeus'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-7437648985694509725</id><published>2010-11-29T08:02:00.000-08:00</published><updated>2010-12-02T08:22:34.778-08:00</updated><title type='text'>Flores Astrais</title><content type='html'>A saudade ainda vive como saudade minha. Em meu corpo, voltas e sombras. Vejo mãos que não são minhas, pois bem, volto e ando em círculos. Ando pelo avesso, esperando o fim, para fazer as contas sem, de fato, saber o que pôr na conta. Olhos puros que não desmembram mais meu corpo. Perdi-me entre meus pés e minhas mãos. Afugentei olhos puros, nadei em mares tenebrosos e voltei, porque eu sempre volto. Pois bem, de que me vale essa falsa sensibilidade? Não sei amar, simplesmente não sei. Falta a mim aquele ar de poeta, boêmio burguês. Só eles sabem o que amor é e onde encaixar suas rimas. Abraça-me forte, é disso que preciso. Beija-me as mãos e olha-me, com seus olhos puros, cor de mel. Não acho mais espelhos, não sinto mais tua falta, não preciso-te mais. Independente e solitária. Em minha boca são outros gostos que sinto, doces como seus olhos, perigosos como suas mãos. Acordei agora, secretamente. Abri primeiro um olho e esperei que ele se acostumasse com a luz do dia. Depois abri o outro e me levantei, sozinha. Não dei bom dia a ninguém, nem ao sol, nem as flores do dia. Simplesmente encarei-me nos sonhos que tive, regressei para o tempo em que era menina e minha vida cabia no verso de um cartão postal - hoje eu brinquei, caí, passei remédio, ardeu, melhorei, brinquei, cansei, comi, dormi, não lembro com o que sonhei. São flores dentro de mim, que desabrocham e rompem meu silêncio sagrado? São flores dentro de mim, que criam espinhos e corrompem meus anos dourados? Que flores são essas, dentro de mim, sagradas, douradas, vermelhas, charmosas, cheirosas. As flores mortas em meu jardim são os sonhos que perdi na infância, meu novo jardim, no entanto, não é estéril nem seco, meus sonhos não são ventos passageiros. Carrego as flores dentro de mim, como quem carrega o mundo inteiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-7437648985694509725?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/7437648985694509725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=7437648985694509725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7437648985694509725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7437648985694509725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/11/flores-e-eu.html' title='Flores Astrais'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2254959406121912776</id><published>2010-11-24T17:43:00.000-08:00</published><updated>2010-11-26T07:29:46.955-08:00</updated><title type='text'>Talvez seja para não fazer sentido</title><content type='html'>- Sempre fui uma pessoa fascinada por abelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez o fato de elas viverem pelo mel, é quase como se fosse oxigênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No que você está pensando agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguia sentir pelos meus pés a grama molhada. Não era de chuva. Aliás, não chovia a dias. Talvez a água viesse de alguém que regou aquele enorme jardim, enquanto na outra mão jogava as cinzas de um cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nas abelhas. Qual a cor dos seus óculos escuros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, havia esquecido. Às vezes, mesmo que eu tenha lhe visto há segundos, me lembro de você da forma como nos vimos pela primeira vez. Com aquela camisa ridícula dos mamonas assassinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mamonas assassinas não era uma banda ridícula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, mas a sua camisa era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos deitados na grama de um parque da cidade, nossas cabeças se tocavam, bem no topo, cada pé virado para um hemisfério diferente. Acima de nós um sol suportável, estranho para a cidade normalmente quente em que vivemos. Ao lado de nossos rostos um mesmo mp3, com dois fones indo para lados contrários. Não havíamos escolhido nenhuma banda de preferência, decidimos apenas ligar o rádio. Nos fones, músicas sem sentido, determinando a trilha sonora de uma tarde perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você, no que estava pensando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estava pensando em lhe levar para casa, tirar sua roupa e fazer amor com você até o dia clarear e voltar a escurecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento ambos viramos nossos corpos para baixo, com os cotovelos no chão, segurávamos nossas cabeças com as mãos. Eu sorri. Não havia mais fone de ouvido na minha orelha. Havia sim um sorriso, enorme. Nos beijamos, suavemente, como se por acaso uma brisa tivesse juntado nossos lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ainda tem cigarros? – Sim, tenho. Você não decidiu parar de fumar há dez minutos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é, mudei de idéia, de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formigas provavelmente me mordiam nas pernas, tentando inutilmente chamar minha atenção. Meus olhos, no entanto, estavam vidrados na colméia suspensa numa árvore perto dali, meus ouvidos concentrados no barulho peculiar de várias abelhas juntas. Fechei meus olhos, senti o sol evaporando minha alma, e a água abaixo de mim, hidratando-a, percebi ali a forma como vivemos: o tempo todo perdendo e ganhando um pouco mais de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pus meus dois braços estendidos no chão, parecia mesmo que eu estava abraçando o universo. Aqueles pesadelos haviam ficado para trás, as únicas coisas que me restavam eram aquele parque e aquelas mãos, percorrendo meu corpo inteiro, sem pressa de me levar para casa e me deixar acordada até o sol nascer e novamente dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2254959406121912776?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2254959406121912776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2254959406121912776' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2254959406121912776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2254959406121912776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/11/sempre-fui-uma-pessoa-fascinada-por.html' title='Talvez seja para não fazer sentido'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2202073958086889313</id><published>2010-11-22T13:41:00.001-08:00</published><updated>2010-11-22T13:41:57.179-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Por que você sai todas as vezes que vou dizer às palavras que quer ouvir? Oh, meu doce amor, não posso dar início a outra guerra dentro de mim. Minha paz já está tão abalada. Eu sei, essas são as mesmas mentiras que já lhe contei antes, mas do que adianta ouvir as coisas reais? Elas são como alfinetes espetando balões de ar. E todas as vezes que as proclamo algo dentro de mim caí seco e sem respirar. Minhas lágrimas não servem como efeito? Não faz sentido lhe contar as causas. As causas foram às únicas culpadas pelas minúsculas granadas estouradas no meu coração. Respire fundo, sua tranqüilidade é minha única arma. Apaziguadora e com ares de primavera, seus olhos me fazem flutuar para além das coisas reais que você não quer conhecer. Por dentro é tudo tão escuro, por dentro eu não sei onde pôr as mãos, por dentro há tempestades em mares sem fim, mas os seus olhos são como o sol nascendo e o azul do céu clareando minha aspereza. Por dentro, você sabe tudo de mim e faz dos males gotas d’água que nunca transbordam oceanos infinitos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2202073958086889313?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2202073958086889313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2202073958086889313' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2202073958086889313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2202073958086889313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/11/por-que-voce-sai-todas-as-vezes-que-vou.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-3757785268266789188</id><published>2010-11-14T11:20:00.001-08:00</published><updated>2010-11-14T11:20:25.333-08:00</updated><title type='text'>Má companhia</title><content type='html'>Você não vai querer me conhecer. Eu sou má companhia. Rude e rudimentar, tão fácil de conviver se tiver uma garrafa de vodca em uma das mãos. Você não vai querer me conhecer. Eu não presto. Falo alto quando não devia e torço contra seu time preferido. Extremamente fácil de conviver, se houver um bolso cheio de notas de cem.  Você não vai querer me conhecer. Meus palavrões são meu vocabulário. Eu uso botas e óculos escuros até o dia amanhecer. Eu não durmo. Você não vai querer me conhecer. Minha insônia não é orgânica. É puramente efeito das drogas que eu tomei para não precisar pensar em mim. Sou como uma tarde de domingo suave, se você tiver dois gramas de qualquer coisa. Você não vai querer me conhecer. Sou sem sentido. Minhas frases e minhas idéias são irreproduzíveis. Tão original que assusta, e meus olhos comem meu temperamento, eu pego fogo. Você não vai querer me conhecer. Sou inteligível. Quase estrangeira árabe em um país onde ninguém fala minha língua. Eu tendo a me perder todos os sábados de noite e de repente me acho em algum bar de quinta. Mas se você tiver um cigarro nas mãos e um whisky dose anos na mesa, provavelmente nós vamos parar em seu apartamento, em uma noite agradável de um domingo sem sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-3757785268266789188?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/3757785268266789188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=3757785268266789188' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3757785268266789188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3757785268266789188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/11/ma-companhia.html' title='Má companhia'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6663752928028967420</id><published>2010-11-10T17:53:00.000-08:00</published><updated>2010-11-10T17:55:26.906-08:00</updated><title type='text'>Sem vírgula e ponto</title><content type='html'>Eu morro aos poucos. Como quem morre em cada suspiro. E sempre respiro de novo, como quem sobrevive a cada precipício. São os dias e as noites. Sobrevidas, sobretudo. Dias inteiros insones. E cada ser humano tem seu jeito de não perder a cabeça, eu prefiro me perder na vida, estragando o fígado e o pulmão que me resta. Afagando os olhos cansados e assoprando a vida, enquanto assovio com o beiço o trecho de uma música profana. Afogando-me na essência do desconhecido, recorrendo ao gerúndio e aos verbos perdidos no tempo, sem ares de outono ou inverno, sem verão nas veias, sem primavera nos ouvidos. Mandaram-me flores, fizeram-me poemas, elogiaram-me os cabelos. Mas eu sou veneno pros buquês, sou prosa para a poesia e sou caspa e pontas duplas. Fizeram-me humana e eu voltei-me animal irracional, feroz e selvagem, como quem não aceita afago atrás da orelha. Meu sujeito preferido sou eu, gramaticalmente falando. Como não se preferir uma primeira pessoa singular? O resto é cópia, é ferida aberta, é passado mais que perfeito que caí por terra. Por isso fecho meus olhos, às vezes. Por isso abro os poros do corpo. E sinto tudo, como quem não sente nada. As sensações me provocam arrepios, me embrulham o estômago, me doem na cabeça, me secam a boca, me falham a visão. A sensação de mundo correndo a cem por hora na veia, no fundo de um objeto cilíndrico, no barulho dos carros que se mistura com meu assovio profano. Nem canto, nem falo. Só paro e sinto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taurina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulsante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vertente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas faces se perdem nas canções que não embalo, nas frases que não ouço, mas se tatuam em minha pele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou pele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Epiderme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu passado, presente e futuro imperfeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6663752928028967420?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6663752928028967420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6663752928028967420' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6663752928028967420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6663752928028967420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/11/sem-virgula-e-ponto.html' title='Sem vírgula e ponto'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-3860410666408795772</id><published>2010-11-04T13:18:00.000-07:00</published><updated>2010-11-04T13:33:43.600-07:00</updated><title type='text'>Eu vendo imóveis</title><content type='html'>Na placa em frente à minha casa vizinha tinha bem grande “eu vendo imóveis” – eu, criança, pensei que aquele meu vizinho esquisito e caladão, vendia, dentro de sua casa grande e sombria, pessoas que não se mexiam, como bonecos, mas de gente viva, que tinha até coração. Comecei a criar histórias fantásticas, sobre como eu um dia iria entrar lá, e salvar todos aqueles seres humanos das mãos desumanas do meu vizinho esquisito e sozinho. Quantas pessoas seriam? Várias, muitas? O suficiente para que eu saísse no jornal da escola como o herói da vizinhança? Um dia, no entanto, sem mais por que, meu vizinho mudou-se, quedou-se em algum lugar, longe daquela gente normal da minha rua. Outras pessoas vieram morar na casa que outrora era dele. Pessoas normais, normais demais. Esvaziaram minhas histórias. Elas não podiam guardar gente imóvel dentro de uma casa que nem sombria era mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei amigo do menino que foi morar lá. Era aquela criança que acabou de se mudar para um bairro novo e por isso fazia de tudo para agradar. Isso era legal – mas pra mim, o mais importante mesmo, era entrar de uma vez por toda naquela casa e descobrir os segredos, ou os restos deles que ficaram com a ida do meu ex-vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira vez que entrei ali, meu coração batia acelerado. Nunca havia contado a ninguém sobre o horroroso segredo que ali se escondia: pessoas vivas, mas imóveis dentro, talvez, de um mesmo pesadelo, ou, ainda pior, vendo o tempo passando lá fora, normalmente, mas por conta de um feitiço não podiam mexer os pés e as mãos, tocar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei por todos os cantos da casa – prestei-me logo a dizer “vamos brincar de esconde-esconde, e quem se esconde primeiro sou eu”. Passei horas ali dentro, vagando por corredores que ainda estavam sendo preenchidos por novos móveis que virariam logo, logo velharia. Saí decepcionado. Todas as pessoas imóveis já deviam ter sido vendidas, e talvez aquele meu ex-vizinho as tivessem vendido as pressas e fugido de lá, porque a polícia já quase descobria seu terrível segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que cresci, ri de mim mesmo. Vendo imóveis. Algo tão simples e eu, criando histórias mirabolantes, só para preencher com um pouco mais de fantasia minha infância... imóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virei corretor. Agora, para todo canto que olho há uma placa enorme com aqueles dizeres. Ou uma possível futura placa. Ou uma retirada de placa com meu bolso pouco mais cheio e uma casa pouco mais preenchida. Hoje sei de cabo a rabo o significado daquela frase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vendo imóveis. Eu, imóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveriam mesmo é vender sonhos na esquina da minha rua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-3860410666408795772?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/3860410666408795772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=3860410666408795772' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3860410666408795772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3860410666408795772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/11/eu-vendo-moveis.html' title='Eu vendo imóveis'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2341575351323984452</id><published>2010-11-02T20:36:00.000-07:00</published><updated>2010-11-02T20:48:41.537-07:00</updated><title type='text'>Verdades Indomáveis</title><content type='html'>Qualquer ponto de uma verdade indomável pode lhe fazer perder o controle. E a palavra é exatamente essa: controle. No fim tudo se resume a isso: quanto tempo você agüenta ficar na corda bamba, segurando os dois baldes pesados nas costas ligados por um pedaço de madeira, enquanto atravessa de um lado para outro com apenas uma das pernas. Pois bem, perdi o meu controle há algum tempo. Quase sucumbi. Ou sucumbi e voltei. Ou continuo sucumbida. É que verdades indomáveis retornam, queira você ou não. É que lembranças doloridas sangram, queira você cutuque-as ou não. É que ronchas antigas machucam, você pressionando-as ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que acordei agora. De um sonho bom, de uma vida sã. Talvez nem tão sã ou nem tão boa, mas melhor do que a real. Aquela que eu esqueci e que fiz de lembrança ruim escondida entre meias verdades. Ultimamente abro meus olhos e não vou ao encontro de mim. É que eu não sei mais onde me encontro. Até os bares perderam minha identidade. Só me identifico com um espelho vazio, sem cara, sem rosto, sem sombra, sem nada. E eu, monstro, mostrando-me, amostrando-me e, aos poucos, matando-me na última vaga do último hotel vagabundo do interior de qualquer Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem sentido. Sem sentir-me. Sentindo muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade indomável é como montar em um cavalo selvagem, ou escalar uma montanha sem proteção. Um vento a mais e pronto. E ponto. Nada mais. Aliás, verdades indomáveis não pedem licença, batem na porta e se sentam de pernas cruzadas no canto do sofá. Não, não se iluda. Verdades assim são folgadas, mal educadas, originais. Por isso se chamam verdades. Porque lhe dizem na cara o que você esqueceu há três dias, três meses ou três anos atrás. Não, não se iluda. Elas voltam, ressurgem, e dá um banho em suas mentiras deslavadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdades assim são cruéis, insensíveis, inimigas, infiéis. Parece até mentira o jeito como elas conseguem torcer cada pedaço seu como se fosse um pedaço de pano. E você sente tudo seu sangrar, dos seus dedos dos pés até os seus neurônios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, pois é. Verdades sinceras não são nem um pouco interessantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2341575351323984452?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2341575351323984452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2341575351323984452' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2341575351323984452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2341575351323984452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/11/verdades-indomaveis.html' title='Verdades Indomáveis'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6907638547599910915</id><published>2010-10-20T09:03:00.000-07:00</published><updated>2010-10-20T09:12:32.379-07:00</updated><title type='text'>Morto-vivo</title><content type='html'>Faz algumas horas que não durmo direito. Na realidade, alguns dias. Por isso a cara de morto-vivo nas fotos, talvez porque eu esteja mesmo, mais morto que vivo. Há meses não escrevo, mas de repente eu perdi a vontade de falar. Sei que foi errado ter ido embora sem avisar a ninguém, mas enfim, qual a outra opção que tinha? Se eu me despedisse, eu não teria coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O papel de parede do meu quarto está descascado, meus olhos estão fundos e eu ando fumando mais do que meu pulmão aguenta. Mas tudo bem, sou um morto-vivo. Morto-vivo não tem pulmão, não sente dor. Morto-vivo devia ser um estado de espírito e não o protagonista principal de um filme de ficção científica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mortos-vivos de verdade não são interessantes. Eles não têm super forças, não andam engraçado e nem vagabudam pelo mundo a procura de carne fresca. Não, os mortos-vivos de verdade, eles são fracos, são moribundos, são trágicos e cômicos, eles esquecem a hora de dormir, esquecem a hora de comer, afinal, o que é que os mortos-vivos não esquecem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu confesso, sou morto-vivo. Mais morto que vivo. A única coisa que me falta é coragem de dar minha carne para o mundo, vagabundo, fazer dela o que bem entender.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6907638547599910915?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6907638547599910915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6907638547599910915' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6907638547599910915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6907638547599910915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/10/morto-vivo.html' title='Morto-vivo'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-546075029587661539</id><published>2010-10-11T12:13:00.000-07:00</published><updated>2010-10-11T12:15:13.853-07:00</updated><title type='text'>Não é mais verão</title><content type='html'>Outra vez acordei ansiosa. Ou ociosa. Como diria Osman Lins: sentindo uma felicidade que talvez não venha – ou alguma coisa assim. Enfim, são os mesmos pesadelos, mas dessa vez você está em um deles e suas mãos brancas e macias escapam das minhas, como quem corre depressa em uma linha de trem, com o trem já vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, fim. É assim que se é, não é? E é disso que você sente falta? Sinto muito, mas não é assim que eu imagino que seja o amor. O amor é qualquer coisa que dura e que passa, como o trem, que tem hora, mas pode atrasar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que você me ama? Sem atraso? Pois bem, me escreva uma carta de amor de Veneza, me contando sobre como seus lírios nascem mais coloridos aí. Enquanto isso eu conto as favelas do Rio e as flores que nascem sem graça, entre balas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, é assim que você me quer? Eu te respondo sem dó: não te dou mais nada. Tudo você já me tirou. Era minha aquela leve certeza de que o mundo é bom e tudo vai dar certo no final. Era minha. E agora, meu pessimismo me encara no espelho, com faca entre os dentes e eu bebo mais do que posso e o fundo do poço se escava dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo em segredo. São juras secretas de um amor que juro nunca mais amar. Até o amor você tirou de mim, algo que era tão meu, com gosto de maracujá e feijão. Nem feijão eu como mais, enjoei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou não. Ou me adaptei tanto ao feijão que você fazia, com suas mãos macias e brancas. Feijão preto, sem carne, com gosto forte de cominho, e pedaços de coentro e cebolinho. Enfim, parei de comer feijão e de tomar suco de maracujá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora amor tem o gosto amargo da cerveja e da batatinha ruffles. Na embalagem me mandam fazer barulho, mas não. Eu procuro a solidão do meu quarto escuro, sem enfeites e sem fotos. Tudo ao meu redor tem cadeado, milimetricamente fechado para não fugir de dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-546075029587661539?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/546075029587661539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=546075029587661539' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/546075029587661539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/546075029587661539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/10/nao-e-mais-verao.html' title='Não é mais verão'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5080883023684650149</id><published>2010-10-10T16:59:00.000-07:00</published><updated>2010-10-10T17:02:47.859-07:00</updated><title type='text'>Um filme</title><content type='html'>Pesadelos são como potes de manteiga, que você põe no microondas para depois colocar por cima da pipoca. E quando você os tira lá de dentro e os pega com as mãos descobertas, a dor faz seus olhos lacrimejarem e você solta o pote, que acaba se esparramando pelo chão e a manteiga quente queimando outras partes do seu corpo. Agora imagine quando você não consegue derrubar o pote, quando suas mãos doem tanto, que você não consegue as abrir, quando seus olhos não lacrimejam mais e tudo o que você tem é outro pote com pipoca dentro, esperando uma manteiga que nunca virá, olhando para um pote de pipoca que você nunca vai comer. Pesadelos constantes, alguns podem dizer. E bem, de repente você se ver comendo daquela manteiga e sentindo-se satisfeita, aprendendo a conviver com aquele pote nas mãos, a pipoca murcha, a dor passa, os olhos fecham e você acorda e se ver com as mãos vermelhas e inchadas e compreende que, em determinado ponto da vida, decidiu se banhar em potes de manteiga tão quentes que borbulhavam e todos os dias da sua vida você os engole um pouco, só para fazer a dor passar na sua pele e queimar lá dentro: mas tudo bem, porque lá dentro ninguém ver sangrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de repente você pensa em uma frase, que nasce em seu cérebro de forma completamente inconsciente e que esfria um pouco a cabeça quente e se instala, sem alarde, sem alarme, simplesmente nasce, sequer se reproduz, sequer morre. Apenas fica, como pipoca murcha, entre dois neurônios que não funcionam: “gostaria de ter sido abortada” – é a frase. E você vai dormir, sem luvas e sem fome, para ter novos pesadelos e pensar frases que não são suas, mas que você compreende.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5080883023684650149?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5080883023684650149/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5080883023684650149' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5080883023684650149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5080883023684650149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/10/um-filme.html' title='Um filme'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-491412057695128312</id><published>2010-09-12T18:41:00.000-07:00</published><updated>2010-09-15T06:56:08.995-07:00</updated><title type='text'>O sonho na vida real</title><content type='html'>Encaixotei todos os livros que nunca escrevi e guardei na memória os deliciosos títulos que lhes dei. Já era de manhã, quando me olhei no espelho e vi olheiras e falta de brilho. Mas o fato é que venho enfrentando problemas para dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então coloquei no rosto meus óculos escuros estilo anos oitenta, nos ouvidos o rock sujo de nirvana. Saí na rua com a primeira roupa que vi e andei para lugares que nunca fui. Na minha boca o gosto amargo de quem não escova o dente a muitas horas, misturado com o café preto de todos os dias. Os gatos, os pássaros, as árvores, não tinham nada de surpreendente. Era só a realidade, do jeito que ela é, sem mais cor, mais canto, mais brilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meus pés sapatos tão velhos que não tinham mais cor, cadarços que quase não se mantinham mais juntos. Juntei de qualquer forma que pude os sonhos, e os encaixotei também, em locais que nunca mais procurarei. Ser criança é tão fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos cheios de lágrima e um engasgo na garganta. Chorar não iria fazer muita diferença. Evito os espelhos nas ruas. Evito olhar-me nos olhos. Não sei quem eu sou e nem sei se já soube. Continuei andando por aquelas ruas. Ninguém caminhava por elas também. Ao menos eu não os via, aqueles fantasmas que me perseguem normalmente. Era confortável não enxergá-los também. Aumentei o volume do som e rasguei as poesias que guardava no bolso da calça jeans. Simplesmente continuei a rasgar meus sonhos e não importava o que viria pela frente, eu não os queria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permaneci variando: passos largos e passos curtos. E as vezes olhava ao redor para observar algo que também nunca seria diferente, o concreto e as janelas me entendiam. Imparcial, apática. Meus braços caídos ao meu lado seguiam o ritmo dos meus passos. Não se abriam, nem se fechavam, apenas balançavam estupidamente. Minhas unhas ruídas, minha mão pequena, meus dedos gordos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recusei-me o tempo todo olhar para os meus pés, eles doíam, mas eu os ignorava. Ignorar a dor fora algo que sempre pratiquei muito bem. De repente comecei a ver o fim do caminho, como uma estrada deserta que um dia simplesmente acabava em um buraco enorme e infinito. Caminhei em silêncio, com a certeza no peito de que agüentaria a dor nas pernas. Forcei-me a ir até lá, olhei para baixo e não vi nada. Olhei para cima, para céu, para trás. Atrás de mim meus fantasmas, me perseguindo, me procurando, quase encostando em meus cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulei antes que fosse tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei em minha cama, no vigésimo sexto andar de um prédio no centro de uma cidade grande. Ao meu lado o CD de Nirvana, os óculos escuros, os jeans sujos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulei do vigésimo sexto andar daquele prédio estúpido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus fantasmas não acordariam mais comigo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-491412057695128312?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/491412057695128312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=491412057695128312' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/491412057695128312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/491412057695128312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/09/o-sonho-na-vida-real.html' title='O sonho na vida real'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-3227145185584052526</id><published>2010-08-30T08:53:00.000-07:00</published><updated>2010-08-30T13:24:52.443-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>No emprego de gerúndio, vivendo. Transformando-se em estatísticas, encaixando-se em discursos, aos poucos, aos poucos tornando-se números. CPF, RG, título de eleitor, número do passaporte. E você, protocolado e sempre mais protocolando-se. Na rotina do dia-a-dia do ano inteiro, dormindo, sonhando, acordando, pesadelo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no fim, é tudo particípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-3227145185584052526?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/3227145185584052526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=3227145185584052526' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3227145185584052526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3227145185584052526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/08/no-emprego-de-gerundio-vivendo.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5092086717071850693</id><published>2010-08-21T15:40:00.001-07:00</published><updated>2010-08-21T15:54:53.809-07:00</updated><title type='text'>Poesia sem fundo d'alma</title><content type='html'>Um corpo só, dentre milhões&lt;br /&gt;Veja só quantos dedos, e olhos&lt;br /&gt;E ouvidos e bocas. &lt;br /&gt;Ser humano sim. Com esse nariz&lt;br /&gt;E a coluna ereta.&lt;br /&gt;Só poder ser humano mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só um corpo, vagando nas sombras&lt;br /&gt;Obscuras e assustadas.&lt;br /&gt;Sombras que se curvam&lt;br /&gt;E que matam.&lt;br /&gt;A quantas andam mesmo&lt;br /&gt;Os pés descalços? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois corpos sós, que se juntam&lt;br /&gt;E se curvam&lt;br /&gt;E se amam.&lt;br /&gt;E se movem,&lt;br /&gt;Transparentes, sujos e invisíveis.&lt;br /&gt;Partes de paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas sombras e esses corpos,&lt;br /&gt;A quantos andam?&lt;br /&gt;Eles morrem,&lt;br /&gt;Unidos pela poesia do asfalto,&lt;br /&gt;Pela beleza do céu claro&lt;br /&gt;E por mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas corpo, &lt;br /&gt;Sem fundo falso,&lt;br /&gt;Sem alarme.&lt;br /&gt;E pobre, que pobre&lt;br /&gt;Meu Deus, que pobre.&lt;br /&gt;Viver devia ser pecado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5092086717071850693?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5092086717071850693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5092086717071850693' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5092086717071850693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5092086717071850693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/08/poesia-sem-fundo-dalma.html' title='Poesia sem fundo d&apos;alma'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6917673310563202671</id><published>2010-08-17T20:42:00.001-07:00</published><updated>2010-08-17T20:46:11.594-07:00</updated><title type='text'>Poesia sem fundo de verdade</title><content type='html'>Preciso escrever alguma coisa, qualquer coisa. &lt;br /&gt;Mesmo superficial e esquisita. &lt;br /&gt;Como eu. &lt;br /&gt;Eu que sou assim: incompleta e ofuscada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oi, oi, oi, oi.&lt;br /&gt;Alguém me ouve? &lt;br /&gt;Preciso cortar meus pulsos, pular fora,&lt;br /&gt;cair fora. Eu não agüento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa desigualdade entre meus sonhos&lt;br /&gt;e eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cigarro, uma dose de whisky&lt;br /&gt;e uma vida toda pra descobrir:&lt;br /&gt;Não vale a pena continuar enchendo o copo.&lt;br /&gt;beba da garrafa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo em excesso. &lt;br /&gt;E eu? Prostituta,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo sempre na mesma esquina,&lt;br /&gt;me vendendo para as encantadoras ofertas&lt;br /&gt;das bancas de revista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superficial e esquisita.&lt;br /&gt;Eu não valho um ponto&lt;br /&gt;no seu cartão de visita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6917673310563202671?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6917673310563202671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6917673310563202671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6917673310563202671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6917673310563202671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/08/poesia-sem-fundo-de-verdade.html' title='Poesia sem fundo de verdade'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-7304082555236340402</id><published>2010-08-15T19:40:00.000-07:00</published><updated>2010-08-17T18:48:09.936-07:00</updated><title type='text'>Em segredo</title><content type='html'>- De repente isso não faz mais falta, entende? De repente isso não significa mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel olhou para cima, havia tinta em suas mãos. Na sua frente um quadro quase pintado e, ao lado do quadro, Roberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu te amo, entende Miguel? – Roberta olhava para Miguel, sempre achou engraçada a forma como seu rosto ficava melado de tinta também. Ele poderia passar horas naquele estúdio, sem sequer olhar para trás, para a janela com cortina esverdeada, para além daquele quarto. Ao olhar para Miguel, Roberta sentia seus olhos coçarem. Sentia vontade de ir até lá, abraçá-lo. Em vez disso, ficou olhando para fora da janela descoberta de cortina. Para a calçada e o sol, para as pessoas e as flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel se levantou e continuou a misturar as tintas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta se sentou no sofá laranja no canto direito do estúdio, acendeu um cigarro, prendeu os cabelos e pôs seus dois pés em cima do sofá, seus joelhos estavam perto do queixo. Ao olhar a cena, Miguel sorriu. Como era bonito o sorriso dele – pensou Roberta, enquanto ajeitava sua franja para trás da orelha.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Não faz sentido, finalmente disse Miguel. Passei anos da minha vida procurando o amor. Desenhei milhões de vezes seu rosto, sem nunca ter lho visto pessoalmente. Sonhei, transei, amei. Mas agora, que ele está aqui, eu não o reconheço. Apesar de saber que definitivamente esta é a pessoa com quem sonhei, agora eu simplesmente não sonho mais. Não faz sentido, é como se amar não me coubesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas cabe. Eu te amo, o suficiente por nós dois. Eu te amo o bastante. Se você quiser eu posso até mesmo te amar para sempre. Eu não exijo o mesmo, não peço retorno, carinho, afeto, nem mesmo respeito. Te amo e pronto. Sem acordo, sem compromisso. Eu te amo completamente descompromissada. Roberta pôs seus olhos dentro dos olhos de Miguel – meu deus, será que ele não me lê? Eu o amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta ofereceu um cigarro, mas ele negou – Meus dedos estão cheio de tinta, respondeu. Novamente sorriu e se sentou em frente ao quadro incompleto. Os dois permaneceram em silêncio, Miguel olhando para um quadro que não lhe dizia mais nada. No quadro havia uma mulher loura, com olhos castanhos claros e pele branca sem sardas. Abaixou os olhos e com tom de decepção falou: Não sinto nem vontade de abraçá-la mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como pode Roberta? Como pode? Eu a amei, eu a amei tanto. E agora nada, nem uma vírgula, nem um ponto, nem uma gota de tinta – levantou-se do banco e foi até a janela, olhou para o mesmo quadro que Roberta havia olhado a pouco, mas seus olhos de artistas viam outras formas nos tetos, na luz e nos sons. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhou até a torneira próxima ao sofá, lavou as mãos. Aos poucos a água ficava colorida também. Sentou, finalmente, ao lado de Roberta, aceitou o cigarro, acendeu e a olhou nos olhos: - E agora, como faço para dizê-la que não a amo mais? Você vem até aqui e não abre a boca sequer uma vez? Eu estou tendo uma crise, cadê os seus conselhos sensatos agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta sorriu, sua boca estava um pouco seca, estava mesmo há quase uma hora calada, desde que chegou ali ouviu Miguel explicar-lhe o motivo da ligação urgente que a fez largar os estudos para descer a rua e ir ao seu apartamento. Ele não amava mais Júlia. Júlia é uma ótima pessoa, seus cabelos cacheados e louros a tornava deslumbrantemente linda.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Roberta olhou-se no vidro da mesinha a sua frente, seus cabelos pretos e lisos novamente caíram no rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perdoe-me Miguel, eu simplesmente não sei o que dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-7304082555236340402?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/7304082555236340402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=7304082555236340402' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7304082555236340402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7304082555236340402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/08/em-segredo.html' title='Em segredo'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6858980205815657285</id><published>2010-07-27T08:07:00.000-07:00</published><updated>2010-07-27T17:33:29.079-07:00</updated><title type='text'>Tempo</title><content type='html'>Acho que foi de mim mesma que brotou essa quase indecência de ser quem eu sou. Mas é que morrer não me assusta mesmo. Não mais, pelo menos. Desde aquele dia em que cortei meus pulsos e quase fui, percebi que morrer não dói. Dói mesmo é ter que dar aqueles pontos nos braços. Dói mesmo é continuar vivendo, sem querer. Só como penitencia por não ter conseguido se matar logo, de uma vez.&lt;br /&gt;Minha depressão te confunde? Eu, que vive procurando a eternidade, agora morro de tédio com as horas que custam a passar. Custam tanto, custam muito. Custos que cartão de crédito nenhum tem no limite. O tempo é algo que dinheiro nenhum compra, muito diferente de amor e felicidade. O tempo é comércio difícil, impossível, irremediável. &lt;br /&gt;E agora esse mesmo tempo me bate à porta, mostrando-me como meus dentes não são mais os mesmos, como meus ossos quebram com mais facilidade. O tempo, agora, é seu amigo nostálgico, quase melancólico, quase alcoólatra.&lt;br /&gt;Com três filhos e seis netos. Aquela foto invejável de família feliz. Uma foto que por si só deixa claro: "o tempo vale a pena". Mas vale mesmo? Aquele sorriso naquele segundo de flash, faz o mundo mais feliz?&lt;br /&gt;Não, não faz. E não se zangue, não entorte o nariz. Felicidade é mais do que flash, foto, sorriso.&lt;br /&gt;Felicidade é não assistir o tempo passar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6858980205815657285?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6858980205815657285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6858980205815657285' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6858980205815657285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6858980205815657285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/07/tempo.html' title='Tempo'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-7089791134136481892</id><published>2010-07-21T19:06:00.000-07:00</published><updated>2010-07-21T19:08:41.930-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Olhos rubros, cor de pulmão, pele escura, cor escura. Combustão. Não faço rima, não sou rimador. Eu só sei te olhar com esses meus olhos pálidos. Nesse mar que eu não nado, não sou remador. Nesse mar que eu morro afogado. Nessas águas de cais, quero mais é te ver bem perto e te suspirar. Em águas sem cais, entrar e nadar e rimar. E não sei mais o quê. Mas amor é objeto, é interseção. Duas linhas seguras de si, tão seguras que se cruzam e se confundem em perpendiculares, mas ainda assim são duas linhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós nos conhecemos ontem. Ou foi hoje? Ou hoje ainda é ontem? Mas que hoje nunca chegue amanhã, porque amanhã talvez eu prefira água doce.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-7089791134136481892?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/7089791134136481892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=7089791134136481892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7089791134136481892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7089791134136481892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/07/olhos-rubros-cor-de-pulmao-pele-escura.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-4137097295992074563</id><published>2010-07-04T17:10:00.001-07:00</published><updated>2010-07-04T19:19:24.263-07:00</updated><title type='text'>Mas não é</title><content type='html'>É como aos poucos perder a insônia. E dormir. É como aos poucos se entregar ao sono. E dormir. E as flores e as festas, é finalmente encarar o silêncio. É finalmente escolher o lado errado. É correr, é perder o fôlego. Mas não é. Ficou para trás o colorido das pétalas. É como a cinza virar cinza. É como queimar e não derreter. É como arder sem dor e respirar gás carbônico. É como fazer a fotossíntese. É como rezar sem joelhos dobrados. É como gritar sem ar. É como diminuir de tamanho e esmagar as formigas. É como crescer e se deixar esmagar. Mas pode não ser. Mas é. É de enlouquecer e sanar, e sarar. É como perder a cabeça e pôr outra no lugar. É como não operar e deixar morrer. É como sangrar e estancar. É como estancar e parar e morrer de pé e cem passos pra dar. É fazer bicho de sete cabeças. É como transpirar e esperar, suar, suar e amar. É como voltar, só pra vê como é quando não é, quando não foi, quando não há. É como desistir e virar e desistir de virar e retroceder. É como ouvir música com volume no máximo só para ver o ouvido estourar. É como não ter sonhos, mas sonhar. É gostar do sonho que se inventa. É chorar da dor que se inventa. É inventar o mundo, a vida, o amor, os dias. É a hora que passa e a hora seguinte que demora a chegar. É a hora rápida sem tempo de demorar. É questão de segundo que leva uma vida inteira. É viver a beira do precipício, dentro do hospício da segunda feira. É como ser ateu, mas crer. É como ser pobre, ter fome, ter febre. É como a raiva que não passa e que volta e que não vai embora. É como ter depressão sem pressionar. É como morrer pra viver quando se vive morrendo. É pegar o trem e ir para qualquer outro lugar. É fugir. É escapar. É se prender sem lutar. É viver, é viver, mas não é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-4137097295992074563?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/4137097295992074563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=4137097295992074563' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4137097295992074563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4137097295992074563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/07/mas-nao-e.html' title='Mas não é'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2230171637208825011</id><published>2010-06-27T18:25:00.000-07:00</published><updated>2010-06-27T18:27:20.729-07:00</updated><title type='text'>Palhaço do circo sem futuro</title><content type='html'>Em tudo na vida se engana, &lt;br /&gt;Da fome, do medo, da loucura.&lt;br /&gt;Só não se engana a morte,&lt;br /&gt;Essa, por sorte, é mais esperta.&lt;br /&gt;Nos palcos armados como circo&lt;br /&gt;Temos todos as caras pintadas&lt;br /&gt;Palhaços abandonados&lt;br /&gt;Com frases mal decoradas.&lt;br /&gt;Por isso mentimos, &lt;br /&gt;Por esquecermos como é&lt;br /&gt;Ser só um.&lt;br /&gt;E passamos então a ser mil,&lt;br /&gt;A ser dois mil,&lt;br /&gt;A ser mil e tanto.&lt;br /&gt;E perdemos o jeito nascido conosco&lt;br /&gt;De sermos poetas e loucos,&lt;br /&gt;Para nos tornarmos caretas e santos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2230171637208825011?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2230171637208825011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2230171637208825011' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2230171637208825011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2230171637208825011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/06/palhaco-do-circo-sem-futuro.html' title='Palhaço do circo sem futuro'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-74519271683602214</id><published>2010-06-20T18:12:00.001-07:00</published><updated>2010-07-01T20:22:38.693-07:00</updated><title type='text'>Alcoholic Logic V - Pedaços de mim</title><content type='html'>Meu problema é que faço piada de mim e do mundo. Tento rir de uma solidão que conquistei apulso. Sorrateiramente, guio-me pela vida como quem tenta escorar o corpo em qualquer canto mais confortável do que o meu próprio porão sombrio. Vazio, ele apenas é preenchido por lembranças que tento esquecer, mas que sempre voltam me aterrorizando. Até hoje consigo enxergar a bola de basquete voando dentro de um carro tamanho família, consigo me lembrar de quando fui embora daquilo que deveria ser minha casa, sem olhar pra trás e sem dizer adeus a minha mãe. Levei comigo apenas uma foto dos meus pais, preferi esquecer meu irmão, hoje não consigo mais me lembrar do rosto dele. Sempre que tento fazê-lo imagino-me mais novo, mas sem a bola de basquete na mão. Seu rosto é uma lembrança que ainda não veio me assombrar no porão sombrio, vazio e frio que são meus dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprender a se levar a sério é uma lição difícil. Porque não se pode levar a sério demais. Constatei isso enquanto fumava um cigarro no meu pequeno apartamento de solteiro, com uma cama Box para casal, encolhida entre quatro paredes brancas. Sei ser só desde criança, e acho mesmo que a solidão é algo inevitável e que não deve ser repelido. Mas solidão pura é como álcool, em dias nos quais seu estômago não aguenta mais do que coca cola, trazendo ressaca e mal estar. Trazendo guerra entre as quatro paredes de você mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez cheguei aqui. Ao fim do mundo, do lado errado. Só para, novamente constatar, como são tolo os homens. É, sei que falo com muito sentimentalismo e com muita (falsa) experiência. Mas depois de viver o que vive, de ver o que eu vi, de amar como eu amei... Percebe-se que nada na vida se passa como águas passadas. De fato o dizem os mais perspicazes, mas se esquecem de uma regra básica da vida. Tudo volta para nós um dia, em nosso próprio mundo redondo. Separei-me, criei-me só, emancipado do mundo. Hoje sei tudo que sei devido às tapas na cara que levei ao decorrer do tempo. Meu tempo é curto. Ele passa em um segundo, como uma vida inteira. Como quem nasce no abismo e não perde tempo de aproveitar aquele quase suspiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fátima é uma mulher que vez ou outra vem limpar minha casa, fazer uma faxina geral, encontrando as camisinhas usadas que me esqueci de jogar fora. Uma ótima senhora, que trás não apenas no nome uma pureza e castidade introduzida pelo comportamento machista do mundo, pela pobreza irremediável de alguma cidade do interior, onde a igreja é o ponto principal na praça. Ela vem alguns domingos e, após fazer a faxina, me faz companhia. Quase sempre começa o assunto falando sobre Deus e sobre conseguir perdão e se arrepender. Ela diz que não é tarde para eu seguir pelo caminho certo e encontrar alguma paz de espírito. Eu gosto quando ela fala, é uma daquelas mulheres que lhe rende um sentimento de simpatia. Ficamos sentados no sofá e depois a conversa começa a tomar proporções diferentes. Ela não é culta, mas não é burra. Nós conversamos sobre qualquer idéia que pinte na hora. Sempre confesso nessas conversas as vontades mais intimas que tenho, as vontades que todo mundo tem de ser um rock star, ou de escrever um livro. Ela diz que eu quero mesmo é ser amado e eu digo que nunca aceitaria dormir com ela. Ela sorri, diz “você sabe o que eu quis dizer, patrão”. Depois de chegarmos a esse ponto, finjo sono, ela finge vontade de ir embora, voltar para um marido morno, para uma realidade morna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dificilmente sinto medo ou tédio. Sentir, de sentir mesmo. Tipo aquela queimadura que realmente machuca, e não apenas lhe faz soprar o dedo por alguns segundos, para depois nem lembrar mais que existiu. Tédio e medo são companheiros meus, eles existem comigo, dormem comigo, nascem e morrem comigo. Mas eles são meus pesos, iguais aos que você provavelmente sente também, mas que talvez tenham outro nome, mas que talvez, no lugar de queimar por alguns segundos, tire seu folego.&lt;br /&gt;Eu não gosto de futebol, não gosto de show, não gosto de pessoas. Eu finjo gostar disso tudo, porque apenas assim sinto as coisas. Em queimaduras de terceiro grau. Eu preciso queimar também, bem como, em certos momentos, também preciso morrer sufocado, afogado, só pra renascer depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pareço velho, eu sei. Talvez até o seja. Quantos anos você me dá? Por essas sábias palavras que não valem nada? Quantos anos? Eu perdi a conta. Acho que regressei. Fiz de conta que o tempo não passava para mim. De repente eu que passei.&lt;br /&gt;Bem vindo, é o que nos dizem ao nascer. Bem vindos todos, naquelas toalhas coloridas e nos cartazes grudados nas paredes. Bem vindos, é irônico já que, depois de abrir os olhos, você se sente tão à parte. Sem ser parte do todo. Um pedaço só, esquecido, mastigado, mal digerido. Bom dia, bom dia eu dou aos meus pedaços. E os cato, e os colho e os amo. Porque eles são o meu todo, meu tudo. Quem são eles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não são eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-74519271683602214?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/74519271683602214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=74519271683602214' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/74519271683602214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/74519271683602214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/06/alcoholic-logic-v-pedacos-de-mim.html' title='Alcoholic Logic V - Pedaços de mim'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-802853168369772814</id><published>2010-06-16T18:09:00.000-07:00</published><updated>2010-06-16T18:15:24.376-07:00</updated><title type='text'>Jeito estúpido de te amar</title><content type='html'>Não fala de saudade, que a saudade me consome. Nem fala de medo, porque medo me destrói. Se você quiser vir aqui, me pegue pelas mãos e me distraia. Mas não fale nada. Nem mesmo do seu amor descompassado por mim, eu não quero ouvir. Eu quero um vinho, um intervalo para dois tempos. E na chuva, assistir os pingos se desenhando na janela enquanto os seus dedos desenham sobre mim. Houve um tempo em que nós dois éramos tão mistério, mal nos falávamos, tudo o que tínhamos a dizer morria nas nossas bocas, afogado em salivas. Mas agora, nós nem segredos temos mais. Agora nós somos completos, um tédio. Perfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo faz, mesmo? Desde aquele dia em nos encontramos no bar, você com um jeito de embriagado, um jeito nato daqueles que nunca estão sóbrios. E eu, desembaraçada, bebendo do seu copo sem medo, nem saudade, nem tédio. Nem lembrávamos nosso nome, e agora seu nome me persegue. Seja pelo nosso filho, que de sobrenome tem Filho, porque repete teu nome. Seja pelo meu sobrenome, que imita o teu. Agora não tenho tempo de te esquecer. Nem pra tentar lembrar como é bom ter saudade, nem pra tentar lembrar como é bom ter você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que às vezes cansa a rotina. Principalmente para alguém como eu, já nascida pra fugir, alguém que não cabe no mundo, independente do tamanho que ele tenha, porque ele sempre será menor que minha mente. Porque minha mente é universo e como tal comporta mundos, e não mundos que formam um universo. Nada em mim se interliga, aliás tenho a impressão de que há vezes em que meus pés se movimentam sem querer, se movimentam só porque não querem ficar parados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que eu te odeie, ou que agora seus defeitos me irritem. Acho que isso são conseqüências naturais da falta de amor. Eu ainda consigo conviver com teus defeitos, na realidade ainda sou capaz de sorrir deles, com leve desdém, com leve identificação, com leve orgulho de já conhecê-los tão bem. Eu ainda te amo. Sei como isso pode soar confuso ou ridículo. Mas amor é uma coisa que não vincula vontade de estar junto. Amor é uma coisa mais forte, que vincula dois corações, e não dois corpos. E eu poderia, poderia mesmo passar o resto da mina vida te amando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas te querendo, aí já é demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-802853168369772814?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/802853168369772814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=802853168369772814' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/802853168369772814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/802853168369772814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/06/jeito-estupido-de-te-amar.html' title='Jeito estúpido de te amar'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5305602811123500671</id><published>2010-06-13T13:52:00.001-07:00</published><updated>2010-06-13T13:52:35.098-07:00</updated><title type='text'>Poluição visual</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:0cm"&gt;Quando de manhã acordo, de fato, não acordo completamente. Sempre fica um resto meu dormindo, resto meu que fica pra sempre. É que, a cada dia diferente, eu deixo pra trás alguns pedaços, porque enjoou muito fácil de tudo, até mesmo de mim. E às vezes, todas as músicas do mundo não são capazes de me fazer dançar, nem todos os filmes do mundo são capazes de me fazer sentir. Às vezes eu olho lindos quadros nas paredes e além da tinta e das cores, não vejo nada, e quando leio algum livro, não toma conta de mim uma vontade maluca de engolir as páginas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:0cm"&gt;Eu simplesmente fico parada e os meus olhos de vidro não se mechem, escancarados, nem derretem como mel ao ver a beleza do céu raiando de manhã. Eles apenas estão abertos, como se não tivessem acordados. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:0cm"&gt;Em dias como esses eu uso meias nos pés, para não sentir frio. E tomo anastelgico para não sentir dor. Em dias assim, que nem cinza são, eu mal como e mal durmo. Pareço um zumbi, problemático. Só me faltam mesmo as mãos suspendidas na minha frente e aquela pele esverdeada. E talvez eu esteja mesmo verde, mas não enxergue. Porque meus olhos não vêem cor, nem ardem, nem piscam. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:0cm"&gt;Não é tristeza ou cansaço. Não é falta de energia. Acho que é uma digestão. Como o estômago faz depois que eu almoço. Uma digestão visual. Meus olhos passam a ingerir tudo que eu vi nos dias passados. Só para que eles não fiquem cheios de mais. E aí eu não consiga voltar a ver o cinza das nuvens que despejam gotas transparentes do céu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:0cm"&gt;Em dias como os de hoje eu não penso nos meninos magricelas da África, meninos cinzas também. Aliás, nem preciso ir longe para não enxergar, se olhar para os lados com certeza verei meninos que somem nas gotas transparentes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent:0cm"&gt;Eu só preciso assumir uma coisa: ainda bem que esses dias acabam, e depois deles eu volto a enxergar, a sentir, a dançar. E, ainda com as nuvens cinza no céu, eu consigo enxergar o amarelo do sol e tirar as meias, e sentir a dor. Depois de uma digestão visual, eu volto a poder comer o mundo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5305602811123500671?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5305602811123500671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5305602811123500671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5305602811123500671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5305602811123500671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/06/poluicao-visual.html' title='Poluição visual'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6657498458864742948</id><published>2010-06-06T15:02:00.000-07:00</published><updated>2010-06-06T15:04:46.883-07:00</updated><title type='text'>Meu Guarda Chuva e Eu</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pus meus dois pés a beira de uma poça de água. Nessa época as ruas de Recife parecem que morrem afogadas. Estranhamente pensei nas formigas, mortas, boiando naquela água suja de esgoto. Por um segundo pensei em pular na água, mesmo que isso causasse o estrago de um sapato recém comprado, branco, caro. Acho que esse pensamento me deteve. Circulei a poça e seguir andando. O céu estava cinza. Cheiro de domingo. Mas era mesmo meio da semana, uma quarta feira cinza, cheirando errada. Tive a presunção de inclinar meu guarda chuva mais para o lado, alguns pingos molharam-me no cabelo e no rosto – péssima idéia, pensei. Voltei com ele para a posição certa, meu guarda chuva era a única coisa azul daquele dia. Até as portas azuis estavam parecendo manchadas, como se a chuva tivesse vindo com água sanitária. Eram três e meia da tarde. Eu havia saído mais cedo do trabalho. Meu corpo doía. Chovia em cada canto de cada rua que passava. Mas eu estava de bom humor. Não, não de bom humor. Mas com aquele sensação de plenitude que as vezes a gente tem. Como quem achou o sentido da vida ou a felicidade, com direito a bode tocando violino e tudo o mais. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Senti vontade de sentar em algum restaurante ali perto, que tivesse toldo na calçada, só pra escrever alguma coisa, fumar um cigarro e deixar o dia mais cinza ainda. Meus pulmões não se importam. Eles sabem que eu nunca combinei com rosa. Olhei ao redor, mas não vi nenhum restaurante. Me encostei então em frente a uma gráfica, escondendo-me com um resto de teto que sobra pro lado de fora, ajudando-me com o guarda chuva azul, imune a água sanitária. Fumei ali, dois cigarros, para ser mais sincera. Aos meus ouvidos a voz de Ian Curtis, com uma guitarra afiada, as cordas parecendo facas. Percebi como as pessoas não olhavam para cima, é cinza e pronto. É chuva e pronto. Apenas dois meninos sentados em frente a um restaurante, sem camisa, descalços, brincavam com as gotas. Ao acabar o segundo cigarro me dei por vencida, a chuva não ia parar, o chão não ia secar. Continuei andando à caminho da parada de ônibus, agora sem circular poças d’água. Não me importava mais com o preço dos meus sapatos, com o fato de serem novos e brancos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Simplesmente segui em frente, vendo ao redor de mim o mundo se descolorindo e eu segurando o meu guarda chuva azul, imune, sem perder aquele brilho que todo azul tem, por mais escuro que seja.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6657498458864742948?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6657498458864742948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6657498458864742948' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6657498458864742948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6657498458864742948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/06/meu-guarda-chuva-e-eu.html' title='Meu Guarda Chuva e Eu'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6243649298450175000</id><published>2010-05-26T10:54:00.000-07:00</published><updated>2010-05-26T11:02:55.313-07:00</updated><title type='text'>Talvez sejam apenas os anos 2000</title><content type='html'>Fiz uma música&lt;br /&gt;Meio blues,&lt;br /&gt;Meio jazz.&lt;br /&gt;Tirei os jeans&lt;br /&gt;e pus meus dois pés&lt;br /&gt;dentro do riacho.&lt;br /&gt;Fiz uma música&lt;br /&gt;Meio samba,&lt;br /&gt;Meio triste.&lt;br /&gt;O apocalipse&lt;br /&gt;sentimental.&lt;br /&gt;Pus de lado&lt;br /&gt;o violão&lt;br /&gt;Suas cordas&lt;br /&gt;Esganaram&lt;br /&gt;meu pescoço.&lt;br /&gt;Quase sem osso,&lt;br /&gt;sem aspirina,&lt;br /&gt;Interrompida.&lt;br /&gt;Um fiasco&lt;br /&gt;sentimental.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6243649298450175000?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6243649298450175000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6243649298450175000' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6243649298450175000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6243649298450175000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/05/poluicao-sonora.html' title='Talvez sejam apenas os anos 2000'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-3819274467159257430</id><published>2010-05-23T14:59:00.001-07:00</published><updated>2010-05-23T14:59:52.662-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;p style="MARGIN: 0cm 42.55pt 18pt 14.2pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu só uso preto. E faço igual a quando não faço. E sou igual a quando não sou. Amanha, quem sabe, seja um amarelo que me caia melhor. E ai eu seja e faça totalmente diferente. E aí, eu brilhe. Mas por hoje, eu prefiro o preto. E não que eu viva num luto constante, ou talvez seja por isso mesmo. Porque eu morro também, eu morro sempre que respiro. Eu espirro pra tentar não morrer. E eu suspiro pra tentar me matar. E ai, quando eu durmo é como se eu saísse de uma asfixia. Mas não, o preto não tem só ligação com isso. Eu uso preto, porque de dia o mundo ao redor é tão claro. E de noite tudo é tão esquisito. Na realidade, eu não sei por que uso preto. Eu podia usar mais azul ou vermelho, vermelho cor de sangue, daqueles que quase cegam os olhos, antes do momento maravilhoso de se acostumar com ele. Talvez eu não saiba que cor eu sou. Talvez eu não queira saber, e saiba igual a quando não faço e a quando não sou. E talvez em não seja nem faça nada, talvez eu não saiba.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 42.55pt 18pt 14.2pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Enfim, é melhor eu voltar pro preto. Que já me acostumou. E agora eu sobrevivo sugando um pouco dessa cor que quase não é, porque eu, eu quase não sou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 42.55pt 18pt 14.2pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-3819274467159257430?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/3819274467159257430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=3819274467159257430' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3819274467159257430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3819274467159257430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/05/eu-so-uso-preto.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-1822686481410312844</id><published>2010-05-12T10:01:00.000-07:00</published><updated>2010-05-12T10:03:57.343-07:00</updated><title type='text'>Alfabeto Afiado</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 16.2pt; BACKGROUND: white" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia; COLOR: black"&gt;Havia velas por cima da mesa. Acesas, queimavam o ar ao redor. E havia um vestido de noiva no segundo armário do quarto à direita, mas não havia ninguém para usa-lo, ao menos, não havia ninguém mais. Com a mão em cima da mesa, ela tentava fazer com que as velas queimassem também os pensamentos dela, queimassem as lembranças. E ela não sabia porque, mas o vestido no armário escondia um medo do futuro, um anseio de perder a cabeça. Já fazia, talvez, três horas que as velas estavam acesas ali, fazia calor naquele pequeno espaço onde o ar era queimado, mas quando ela se levantou e sentou-se na varanda surpreendeu-se com o frio. A noite já estava quase indo embora, os pássaros já soltavam cantos tímidos nas árvores. Ela conseguia ver os restos dos seus sonhos sendo levados pelo vento gelado, mas ela sentiu-se cansada demais para agarra-los com os dedos e não os deixar ir embora.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 16.2pt; BACKGROUND: white" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia; COLOR: black"&gt;Era incrível o frio que fazia, o chão ainda estava molhado da chuva que havia caído há pouco tempo, ela ainda conseguia ouvir o barulho da chuva caindo na janela. Parecia que tudo havia acontecido há segundos atrás e ao mesmo tempo ela sentia, depois daquele momento, o peso do cansaço que apenas os anos eram capazes de dar. O telefone tocava impacientemente, mais impaciente ainda, ela não o atendia. Devia ser alguma colega que já soubesse do acontecimento. Mas também podia ser ele ligando e logo após esse pensamento lhe ocorrer ela correu para o telefone, mas deu tempo apenas de escutar a outra pessoa desligando o telefone do outro lado da linha.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia; COLOR: #444444; mso-bidi-font-family: Tahoma"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 16.2pt; BACKGROUND: white" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia; COLOR: black"&gt;Os seus olhos estavam com um aspecto assustado, talvez ela já soubesse disso e, por já saber, passou direto pelo espelho da sala. Aquele havia sido o espelho que tantas vezes ela se olhou, o espelho para o qual ela tantas vezes se perguntou se ela estava suficientemente bem vestida. É incrível como essas trivialidades perdem valor depois que percebemos como tudo é passageiro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 16.2pt; BACKGROUND: white" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia; COLOR: black"&gt;Seu rosto parecia um palco de horrores, parecia que havia chovido ali. Eram apenas lágrimas na verdade, o único gosto que ela se recordava, após o jantar, era o das lágrimas salgadas. Eu não sei estou pronto – disse ele. Incrível, parecia que ela ainda estava escutando aquelas palavras, parecia que havia um gravador repetindo sem parar essa frase. “Eu não estou pronto para me comprometer, eu não sei se te amo o suficiente.”&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia; COLOR: #444444; mso-bidi-font-family: Tahoma"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 16.2pt; BACKGROUND: white" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia; COLOR: black"&gt;Ocorreu uma disputa, para quem ia falar primeiro. Ela havia ligado para ele a tarde marcando um jantar em um restaurante perto do apartamento que eles, a pouco tempo, dividiam. Mas ele preferiu ir jantar em casa, ele disse que talvez fosse melhor para eles conversarem antes do dia chegar. E sim, talvez ela tivesse imaginado que ele fosse acabar tudo, sim, talvez ela até já soubesse que isso ia acontecer. Mas durante o dia todo, quando ela pensava sobre o jantar, ela se lembrava das palavras carinhosas que ele havia dito quando pedira a sua mão, ela se lembrava de quão carinhosamente ele a chamou de “mulher da minha vida”, do toque macio dos seus dedos em seu rosto e do hálito ansioso em sua boca.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia; COLOR: #444444; mso-bidi-font-family: Tahoma"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 16.2pt; BACKGROUND: white" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia; COLOR: black"&gt;Mas enfim o jantar tinha chegado e ela percebeu como as palavras podem ser maravilhosas e trágicas de uma hora para outra. Já estava tudo quase pronto, com um pouco de sufoco eles conseguiram ir juntando dinheiro para uma modesta festa de casamento, ela se lembrava de ter ido com ele escolher o vestido que usaria no dia.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 16.2pt; BACKGROUND: white" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia; COLOR: black"&gt;Eu não sei se te amo o suficiente.&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 16.2pt; BACKGROUND: white" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia; COLOR: black"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É, palavras podem ferir.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: Georgia"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-1822686481410312844?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/1822686481410312844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=1822686481410312844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1822686481410312844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1822686481410312844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/05/alfabeto-afiado.html' title='Alfabeto Afiado'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-1886779777341989323</id><published>2010-05-09T18:50:00.001-07:00</published><updated>2010-05-09T18:51:19.785-07:00</updated><title type='text'>Uma moderna Neanderthal</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:georgia;"&gt;Minha força vem de um lugar escondido, quando todas as luzes se apagam no céu e os postes começam a olhar para o seu próprio umbigo. Acho que Deus não me criou. Acho que eu não sou uma criatura de Deus. Só sei que sou gente porque quando corta, sangra; porque quando machuca, dói; porque quando arde, incomoda; porque quando amo, perdoou. Mas eu não sei ser uma criatura de Deus, não acompanho todas as mudanças. As evoluções não acontecem para mim. Ao contrário, me sinto cada vez mais primitiva. Aos poucos minha coluna se curva, meus pêlos crescem por todas as partes do corpo, e meu idioma passa a ser um grunhido. É que nunca aprendi como é ser grande, ser gente. Nunca aprendi como é ser homem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-1886779777341989323?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/1886779777341989323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=1886779777341989323' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1886779777341989323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1886779777341989323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/05/uma-moderna-neanderthal.html' title='Uma moderna Neanderthal'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8196998583041419762</id><published>2010-05-09T18:46:00.001-07:00</published><updated>2010-05-09T18:48:00.103-07:00</updated><title type='text'>O Amor</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;O amor me faz, de tempos em tempos, trocar as roupas do armário. Me faz usar mais maquiagem, e perder tantos quilos. O amor, de tempos em tempos, me aparece e, surpreendentemente, passa a mandar em mim. É que o amor se engrandece sozinho, e vai alimentando-se de qualquer coisa que se dê de comer. O amor é cria fácil. É simples de fazê-lo crescer. Mas, quando grande, o amor é um adolescente malcriado, que vive tomando porre e chegando tarde da noitada. Como se não se encaixasse no mundo, simplesmente por existir. E quando ele machuca, parece que arranca um pedaço seu, como se você pensasse que todas as vezes em que se acordou no meio da noite para pôr nos braços aquela coisa que ainda nem amor era, não tivesse valido a pena. Ele cresceu, simplesmente para se transformar o oposto do que se esperava. Mas quando o amor volta ao caminho que, de uma forma ou de outra, a gente trilhou com ele, e começa, então, a trilhar seu próprio caminho, o amor nos engrandece também. E faz no nosso estômago uma espécie de festa, onde os brigadeiros e os bem casados nunca nos enjoam, e onde não é necessário tomar nada, porque o amor não nos desce mais em seco. É uma parte sua, que permanece, mesmo quando acaba. E quando morre, deixa em você uma espécie de tatuagem, e faz com que você se olhe nos olhos e diga: eu nunca vou o esquecer. E a gente esquece, se esquece mesmo de lembrar, mas ele sempre vai estar com a gente, porque foi ele quem nos engrandeceu também, foi ele quem nos fez, preparados ou não, para outro amor que vai vir para somar também, e para arrancar novos pedaços e fazer novas tatuagens depois. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8196998583041419762?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8196998583041419762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8196998583041419762' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8196998583041419762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8196998583041419762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/05/o-amor.html' title='O Amor'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5410268974361492849</id><published>2010-05-03T19:36:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T19:56:34.738-07:00</updated><title type='text'>Alcoholic Logic IV - A pior tatuagem do mundo</title><content type='html'>I - &lt;a href="http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/07/alcoholic-logic.html"&gt;http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/07/alcoholic-logic.html&lt;/a&gt;&lt;div&gt;II - &lt;a href="http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/alcoholic-logic-ii.html"&gt;http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/alcoholic-logic-ii.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;III - &lt;a href="http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/03/alcoholic-logic-ii-true-love.html"&gt;http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/03/alcoholic-logic-ii-true-love.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/03/alcoholic-logic-ii-true-love.html"&gt;&lt;/a&gt;Quando era criança tinha um amigo chamado Robson. Robson era um menino magricela que morava em frente à minha casa, ele normalmente dormia por lá, em cima de pedaços de papelão, cobrindo-se com jornal. Quando chovia, eu ia até a janela e via Robson encolhido no frio, sentia vontade de ir até lá, ajudá-lo – mas antes que vontade e coragem se unissem, ele sumia diante da fumaça que parecia se desprender da atmosfera ao redor. Lembro que ficava imaginando se as frases dos jornais lhe formavam tatuagens no corpo. Eu e Robson brincávamos escondidos, dois submundos. Eu, um rico garoto, carente de amor à vida. Ele, um pobre garoto, no qual na vida já nasceu carente. Tínhamos em comum uma melancolia simpática, talvez por ser camuflada pela angelical beleza de quem ainda não criou espinhas. Quando Robson sumiu por uma última vez, sabia que ele não iria voltar. É que, de alguma forma, nosso corpo cansa de cobrir-se sempre com as mesmas velhas notícias. Robson não queria mais ser tatuado pelo pequeno jornal de uma cidade do interior, seu corpo queria abraçar o mundo, ou, ao menos, uma capital. Ele não se despediu de mim, na realidade penso às vezes se ele sabia o quanto me foi crucial tê-lo por perto em certos momentos da minha infância. Se ele sabia que eu o amei, como um amigo e como a um irmão. Como a alguém que não me julgava pela estupidez de um garoto de sete anos de idade, a estupidez de jogar basquete dentro do carro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi assim que aconteceu: estávamos todos da família viajando para Recife. Éramos unidos – pelo menos essa é a imagem que guardo para mim. Cantávamos juntos enquanto meu pai dirigia um Escort vermelho, modelo novo na época. Papai era o tipo de homem que não se importa com os gritos e as brigas ao seu redor – é que, quando se estressava, ele brigava e gritava melhor e mais alto que todos nós. Raramente aconteceu, meu pai era um homem em paz e, quando eventualmente brigava comigo ou com meu irmão, soltava um sorriso no final e não conseguíamos segurar o riso. Sempre fui apaixonado por basquete, por isso, de aniversário de sete anos, ganhei uma bola de basquete. Havia passado o último mês grudado a ela, o melhor presente que havia ganhado resultou no pior dia da minha vida. Lá de trás, e com as mãos pequenas, joguei a bola mais forte que pude e, surpreendentemente, forte demais. Atrapalhou meu pai, que derrapou com o carro e, enquanto capotava mais vezes do que posso lembrar, foi atirado para fora do carro. Meu irmão morreu com a cabeça no meu colo. Eu e minha mãe quase não sofremos ferimentos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Após o acidente, um policial achou minha bola de basquete pelo matagal ao lado da estrada. Durante todo o percurso para o hospital chorei perguntando por ela: eu não poderia perder minha bola, não com pouco mais de um mês de uso, não se eu quisesse ser um jogador da seleção brasileira. Aquele policial estava ao meu lado o percurso inteiro, ao achar a bola veio até minha casa entregar-me. Vibrei de felicidade ao vê-la. Minha mãe olhou-me com desdém. Eu saí para brincar na rua, com a bola mais suja do que o costume. Robson estava em frente a minha casa e o chamei para brincar comigo, ele, mais sujo do que de costume, aceitou o convite. Passamos a tarde inteira sorrindo. Quando foi escurecendo voltei para minha casa. Não porque minha mãe havia me chamado – após o acidente ela mal me chamava pelo nome – mas porque eu sabia que isso era o que devia fazer antes de tudo girar de cabeça pra baixo, dentro de um carro a 120 km/h, em uma estrada, por causa de um garoto estúpido e uma bola de basquete falsificada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando amanheceu, acordei-me com as panelas batendo na cozinha. Era um dia de sábado, por isso eu não teria aula. Fiquei pensando, antes de me levantar, no que poderia fazer. Enquanto comia e, como de costume fazia, sentava na janela que dava para o jardim da minha casa, levei um susto enorme. Vi minha bola de basquete toda rasgada, ao lado da árvore onde costumava colher pitanga. Horrorizado, mal consegui falar. Soltei o pão com presunto e queijo em cima do prato encostado no parapeito da janela e corri para o quintal. Lá, de joelhos, senti uma sensação de perda. Meus pés ficaram estranhos e meus olhos começaram a coçar. Aos prantos levei os restos mortais da minha melhor amiga para dentro de casa. Mostrei a minha mãe, que apenas acenou-me com a cabeça e, sem tirar o cigarro das mãos, me fez um gesto para que eu jogasse aquele “traste” fora. Não entendia porque minha mãe, antes tão apaixonada pelo basquete, nunca mais havia visto um jogo comigo. Achava que ela havia se frustrado demais por causa da derrota no estadual do time para o qual torcia, mas que, com o tempo, sua paixão bateria mais alta. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Nunca poderia ter imaginado que foi ela quem, na calada da noite e com uma faca de cozinha, rasgou a bola de basquete com uma raiva quase animal. Em seu bolso, ao lado do terço, uma foto do meu pai e do meu irmão. Ambos sorrindo, segurando um embrulho arredondado que tinha um cartão: “Para o futuro melhor jogador de basquete do mundo”. Papai e meu irmão deram-me juntos o presente, eu corri para abraçar o embrulho e os sorri com uma sensação de euforia no peito. Mamãe, com a máquina na mão, tirou uma foto na hora em que abri o presente. Esta não estava com ela, guardado no bolso do roupão. Estava no fundo de uma gaveta no armário das coisas que ninguém usava mais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Atrás de um culpado fui falar com Robson. Ele que vivia frente ao jardim havia de ter visto alguma coisa. Ao perguntar-lhe seu rosto enrubesceu. Foi sua mãe, disse-me acanhado. Eu sorri e perguntei que sonho maluco ele havia tido na noite anterior. Pensei “tudo bem, nunca vou descobrir quem foi”. Mal sabia eu que Robson a viu de noite, com os olhos vermelhos de tanto chorar, carregando uma bola que trazia o cheiro da morte e da saudade. Ao dar fim a ela, mamãe pensou ter exorcizado seus demônios. Voltou a se dirigir a mim com uma educação beirando o carinho. Alguns meses depois, com umas moedas que juntei, comprei uma nova bola de basquete. Ao chegar na minha casa com ela em baixo dos braços, minha mãe a tomou de mim. Disse-me que não havia espaço para se jogar basquete dentro de casa. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Foi à primeira vez que vi uma palavra desenhada em seus olhos, uma palavra que voou até minha pele e se tatuou em mim - Assassino, era disso que ela me acusava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dei as costas e pus a bola de basquete nas mãos de Robson. No outro dia ele não estava mais na cidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Talvez um dia eu o encontre por aí.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ele tatuado com as frases dos jornais,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu com uma palavra que desde menino aprendi a carregar nas costas,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Com uma culpa que, desde menino, insistentemente mora dentro de mim. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5410268974361492849?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5410268974361492849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5410268974361492849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5410268974361492849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5410268974361492849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/05/alcoholic-logic-iv-pior-tatuagem-do.html' title='Alcoholic Logic IV - A pior tatuagem do mundo'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6043572382178851399</id><published>2010-05-01T23:22:00.000-07:00</published><updated>2010-05-01T23:31:15.959-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Hoje vi um espelho e me assustei. Ele tinha um rosto parecido com o meu, mas suas olheiras eram maiores e o brilho dos olhos ofuscados pelos duros traços de uma face já cansada. Espantei-me com tamanha feiura. E, ainda assim, sorri. Apliquei-lhe um ensinamento que a vida me deu: não julguei pelas aparências. É que quando sorri, ele me sorriu de volta e, embora seus dentes fossem levemente amarelados, escondia-se por trás dos lábios e do esmalte uma vontade de viver. E os traços duros suavizaram, revelando tamanha leveza, uma incontestável leveza de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu não tinha esse rosto,&lt;br /&gt;assim calmo, assim triste, assim magro,&lt;br /&gt;nem esses olhos tão vazios,&lt;br /&gt;nem o lábio amargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tinha essas mãos sem força,&lt;br /&gt;tão paradas e frias e mortas.&lt;br /&gt;Eu não tinha esse coração&lt;br /&gt;que nem se mostra;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não dei por esta mudança,&lt;br /&gt;tão simples, tão certa, tão fácil.&lt;br /&gt;Em que espelho ficou perdida&lt;br /&gt;a minha face?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retrato - Cecilia Meireles&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6043572382178851399?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6043572382178851399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6043572382178851399' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6043572382178851399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6043572382178851399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/05/hoje-vi-um-espelho-e-me-assustei.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8376358102080630856</id><published>2010-04-21T17:33:00.001-07:00</published><updated>2010-04-21T17:33:51.496-07:00</updated><title type='text'>Abril Despedaçado</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Eu me esqueço de acordar. E quando ponho os pés pra fora da cama, não são meus pés que vão. Eu me esqueço de estar lá, é mais fácil permanecer no sonho no qual sempre há os velhos clichês, como escutar ‘heroes’ enquanto se nada no mar. Eu me esqueço de abrir as persianas. Eu me esqueço de pôr meu nariz congelado para fora daquele quarto vazio. Eu me esqueço de mim. E, mesmo assim, todos os dias eu volto a deitar comigo e a me amar. E eu penso que me amo sozinha, penso que amo só. Quando isso acontece meu coração se enche de uma confusa sensação, e é essa sensação que me faz ter medo de acordar. Sei quanto tempo devo a minha vida. Sei quanto tempo desperdicei. Mas é que, ultimamente, meus pés estão mais cansados. Ultimamente minha barriga está mais vazia. Ultimamente meu mundo está despedaçado. Um abril, um abril despedaçado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Tudo começou com as folhas no chão. Eu podia pisar nelas e escutar um barulho engraçado. Um barulho de vidro se quebrando. Sentia-me confortável ali, naquele parque com árvores mais marrons do que verdes, com um céu mais cinza do que azul. E escutar sua voz era como permanecer no sonho, nos velhos clichês, nadando no mar ao som de Bowie. E sim, eu sei como parece tolo. Hoje eu sei disso, eu sei que o tempo todo eram palavras vazias. Naquele parque nos conhecemos e, aos poucos, fomos nos conhecendo. Marcávamos ali por ser perto de nossas casas e, na realidade, por certo orgulho, o fato de ninguém querer ir mais longe do que o outro. Orgulho ou medo de que no final a longa caminhada não valesse à pena. Por isso nos encontrávamos no parque, um tanto deprimente, é verdade, mas tão vivo. Nós podíamos escutar os pássaros cantando e parecíamos estar fora da cidade, exceto pelo eventual barulho de buzina e ônibus passando. Ficávamos até de noite, até quando todas as luzes nos prédios ao redor do parque se acendiam e os postes começavam a receber vários insetos. E, mesmo quando nossas palavras acabavam, ficávamos. Porque nos sentíamos confortáveis com o silêncio, e era nosso silêncio que preenchia uma tarde cinzenta. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Nossas tardes passavam assim, não todas. Algumas não nos encontrávamos, por descuido ou destino. Deixávamos a saudade apertar um pouco no peito, as histórias se acumularem e a vontade de se ver ficar quase irresistível. Daí nós nos encontrávamos, e nunca precisamos de muito. Normalmente algumas latas de refrigerante e algum MP3 que tivesse música o suficiente para servir de trilha sonora. Lembro-me da primeira vez que ouvi ‘heroes’ com você, me senti dentro de uma piscina gelada, e peixinhos nadavam dentro do meu estômago. Nós nos beijamos ali, e nossos beijos triunfaram diante daquele silêncio instigante. E nossas tardes passaram a ser madrugadas também. E nossas madrugadas passaram a ser manhãs. E, depois de termos nos conhecido, fomos nos conhecendo mais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Descobri os seus gostos. Sua ânsia de vômito só de ver um copo de leite. Sua vontade repentina de comer coisas doces. Seu time favorito, o fato de você preferir vôlei a futebol. Descobri que você dormia com o corpo mais pra esquerda, que seus calções de ficar em casa eram quase todos furados. Percebi sua mania de roer as unhas vendo qualquer filme, de se lembrar de alguma piada de repente – e de não ter nenhuma piada engraçada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Eu lhe conheci demais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Eu não gostei do que vi.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;E agora não eram as folhas que faziam barulhos engraçados. Era nosso amor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Um amor despedaçado, em um Abril com cheiro de Março.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8376358102080630856?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8376358102080630856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8376358102080630856' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8376358102080630856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8376358102080630856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/04/abril-despedacado.html' title='Abril Despedaçado'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5723986130388082391</id><published>2010-03-31T12:03:00.000-07:00</published><updated>2010-04-15T12:26:07.001-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A mulher tinha cabelos encaracolados,&lt;br /&gt;vestia trapos esquisitos.&lt;br /&gt;Era do tipo que falava baixo&lt;br /&gt;e adormecia com os versos de Carlos Pena Filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher tinha dois gatos,&lt;br /&gt;mas nenhum deles lhe eram queridos.&lt;br /&gt;Viviam pela casa a bagunçar&lt;br /&gt;e a melar sua estantes de livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um certo dia a mulher cansada,&lt;br /&gt;decidiu-se por se ajudar,&lt;br /&gt;pôs os dois gatos na calçada&lt;br /&gt;e se matou com dois cacos de vidro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5723986130388082391?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5723986130388082391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5723986130388082391' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5723986130388082391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5723986130388082391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/03/mulher-tinha-cabelos-encaracolados.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6261702896673908541</id><published>2010-03-26T22:54:00.001-07:00</published><updated>2010-06-06T15:22:32.394-07:00</updated><title type='text'>Alcoholic Logic III - True Love</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman', 'serif';"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Acho que existem determinados pontos na vida onde nos esquecemos de quem somos. Por alguns segundos apenas, quando podemos ser quem quisermos. Quase como se nossos peitos fossem feitos de aço. Compreendo quando alguém diz ser difícil demais permanecer trilhando uma espécie de caminho, por isso o descaminho, às vezes, é a melhor saída. Pra nos livrar do enfado, do cansaço de permanecer seguindo os mesmos sonhos.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman', 'serif';"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Lembro ter lido em uma citação de algum autor famoso uma descrição sobre solidão. Tal autor a descrevia como um vento frio, que racha os lábios, faz tremer a boca e doer os ossos, mas que em um lapso de arrepio, quase em um segundo indecifrável, provoca uma sensação de conforto e carinho. Por isso, acho, respirei mais do que devia, tentando fazer durar mais tempo sensações as quais, de fato, nunca me pertenceram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"&gt;&lt;span style="font-family:'Times New Roman', 'serif';"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Desde criança criei um mundo secreto, onde as palavras e os desenhos tornavam quase reais as histórias que inventava. Fui cavaleiro, príncipe, rei, sapo, fui mocinho e fui bandido. Acho que usei dessas histórias para ser cada vez menos eu. Ser eu me assustava muito. E eu não sabia ser eu – me dava melhor sendo qualquer outra coisa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-INDENT: 35.4pt; mso-line-height-alt: 8.75pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não voltei no consultório da psicóloga novamente. Apesar de termos nos visto algumas vezes após aquele dia. Houve um momento em que ela me julgou imaturo demais para um relacionamento, não consegui pensar em nada para me defender – talvez porque não quisesse, talvez porque fosse verdade. O relacionamento mais duradouro que tive foi com Ella, foram três anos de namoro, mas três anos à “prestação”. A maior constante que tivemos foi de nove meses, os outros vieram aos poucos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-INDENT: 35.4pt; mso-line-height-alt: 8.75pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Depois de algum tempo a galega peituda me apareceu com um convite para o seu casamento. Nós havíamos transado uma noite antes. Ao me dar o convite ela agradeceu pela ótima despedida e beijou-me nos lábios rapidamente. Alguns dias depois soube que havia pedido demissão. Ia mudar-se para a cidade do noivo. Nunca mais a vi. Não fui ao seu casamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-INDENT: 35.4pt; mso-line-height-alt: 8.75pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Houve um dia, anos atrás, que decide andar pelas ruas laranjas da cidade. Passei por muitas esquinas, vários bares, mas não parei em nenhum deles. Um vira-lata perseguiu-me por todo o percurso, o levei para casa. Alguns meses depois ele sumiu. Eu o chamava de Barata – por ter pêlos pretos e ser feio. Eu adorava aquele animal. Mas ele era como eu, não conseguia gostar de nada por muito tempo. Barata foi embora antes de enjoarmos um do outros, ou ele enjoou de mim primeiro. Prefiro acreditar na primeira opção. Questão de amor próprio ou sei lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-INDENT: 35.4pt; mso-line-height-alt: 8.75pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na realidade eu não sei se amar é apenas um verbo, se é um estado de espírito. Como ser feliz ou estar bêbado. Talvez amor embriague, cause ressaca depois. Talvez amar esteja em uma gramática especial, junto de todos os outros questionamentos humanos. Eu não sei amar. Eu sei ficar feliz e, definitivamente, sei estar bêbado. Mas amar, amar é complicado demais. Porque requer um conhecimento a mais. Um conhecimento de sei lá o que, que vem sei lá como.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-INDENT: 35.4pt; mso-line-height-alt: 8.75pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando as pessoas dizem que acreditam em um amor para toda vida, eu tenho vontade de rir. Lembro de uma garota que conheci anos atrás. Eu tinha apenas 19 anos e ela era um pouco mais velha. Lembro de como sua presença fazia com que eu me sentisse um pouco embriagado. Dava uma sensação gostosa, tipo coceira no estômago. Eu pensei que ela seria o amor da minha vida, mas logo a coceira no estômago tornou-se embrulho. A partir daí passei a perceber que é assim com tudo na vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-INDENT: 35.4pt; mso-line-height-alt: 8.75pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não acredito em amor verdadeiro. Acredito em paixão; carne; sexo; vontade. Essas coisas são verdadeiras. Amor não. Amor é meio um consolo. Quando você está cansado e quer ter alguém pra lhe fazer um carinho ou trazer cerveja. E qualquer um pode fazer isso. O ponto é: quem você consegue encontrar que queira fazer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-INDENT: 35.4pt; mso-line-height-alt: 8.75pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Amor verdadeiro é besteira. Normalmente as pessoas traem, machucam, mentem, enganam e depois choram pedindo perdão. Bem, quanto de verdade há nisso? Mas cada um escolhe suas mentiras para viver. Todo mundo tem esse direito. Eu vivo as minhas mentiras, as vivo de verdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-INDENT: 35.4pt; mso-line-height-alt: 8.75pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Desde criança fui dado à imaginação. Fantasiar era uma especialidade. Comecei a praticar com maior voracidade depois dos meus sete anos de idade. Minha família sofreu um acidente de carro, eu fui o culpado. Meu pai se feriu gravemente e morreu depois de quatro meses em coma. Meu irmão morreu na hora. Minha mãe quebrou um braço e o coração. Eu saí intacto. Nenhum ferimento. Meu irmão cobriu-me com o corpo. Até hoje não sei se de propósito ou foi apenas o impacto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-INDENT: 35.4pt; mso-line-height-alt: 8.75pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gosto de pensar que ele quis. Gosto de pensar que antes do acidente terminar após alguns segundos, ele me perdoou. E decidiu provar isso me salvando à vida. Como eu disse: sempre gostei de sonhar. Às vezes eu ainda sinto seu corpo sobre mim. Um peso morto. Uma má lembrança. Um dia ruim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-INDENT: 35.4pt; mso-line-height-alt: 8.75pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gostaria de ter tido a coragem de me atirar sobre ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-INDENT: 35.4pt; mso-line-height-alt: 8.75pt"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Talvez isso seja o mais próximo de amor verdadeiro que um dia eu vá chegar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6261702896673908541?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6261702896673908541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6261702896673908541' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6261702896673908541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6261702896673908541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/03/alcoholic-logic-ii-true-love.html' title='Alcoholic Logic III - True Love'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-1674185172673131763</id><published>2010-03-11T18:11:00.001-08:00</published><updated>2010-03-11T18:11:53.460-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 42.55pt 18pt 14.2pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;Deixe encarar-me em teus olhos, sentir teus cabelos infiéis que tantos outros dedos desembaraçaram os nós. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 42.55pt 18pt 14.2pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;Deixe confundir-me em teu cheiro, buscar-te em segredo nos apelos que fiz para nós dois. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 42.55pt 18pt 14.2pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;Cuido de aperfeiçoar os nós que construímos entre nossos lençóis. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 42.55pt 18pt 14.2pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;E que cada manhã seja manhã de domingo. E que cada sol não bronzeie de mais. E que cada lua seja cheia. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 42.55pt 18pt 14.2pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;E que toda areia marque os nossos pés.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-1674185172673131763?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/1674185172673131763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=1674185172673131763' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1674185172673131763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1674185172673131763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/03/deixe-encarar-me-em-teus-olhos-sentir.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6424993500831002200</id><published>2010-03-04T17:41:00.000-08:00</published><updated>2010-03-04T17:47:01.778-08:00</updated><title type='text'>Pátria Amada</title><content type='html'>Eu vou sendo,&lt;br /&gt;vou (des)sendo,&lt;br /&gt;vou dizendo.&lt;br /&gt;Eu digo na lata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou da Lapa,&lt;br /&gt;sou do Rio de Janeiro,&lt;br /&gt;os meus braços boêmios&lt;br /&gt;abraçam o mundo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São maiores do que os do Redentor,&lt;br /&gt;com eles aliso o Corcovado&lt;br /&gt;até me diluir nas águas do mar,&lt;br /&gt;até chegar do outro lado,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no lado de Cabral,&lt;br /&gt;naquele Portugal&lt;br /&gt;tão bem descrito por Saramago.&lt;br /&gt;Conseguindo ver o mundo todo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com os olhos quase fechados&lt;br /&gt;&lt;em&gt;naturalmente&lt;/em&gt; vermelhos.&lt;br /&gt;E sentir o gosto amargo que é&lt;br /&gt;acordar brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6424993500831002200?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6424993500831002200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6424993500831002200' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6424993500831002200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6424993500831002200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/03/patria-amada.html' title='Pátria Amada'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8694002805179331863</id><published>2010-02-27T09:18:00.001-08:00</published><updated>2010-02-27T09:18:46.741-08:00</updated><title type='text'>(Des)estabilidade</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não perco o tempo assistindo a Terra parar de rodar. Eu sinto o cheiro, o vento do mundo ao meu redor. Não é tão fácil permanecer com os olhos abertos, mas de certa forma continuo me alimentado dos desejos secretos, amores concretos que descobri. Meus olhos e meus pés. Minhas mãos. Tudo se desfaz em mim. Sinto-me indo e vindo n’uma corrente de gelo sem fim. Às vezes meus dedos predem pedaços discretos, mas normalmente eles sangram sem conseguir segurar demais. Aprendi a não chorar, aprendi a falar baixo, a transformar o enjoou em sorriso no rosto. Aprendi a lidar com a acidez da vida ao redor. A vida é um caminho de vias secundárias. Minhas veias perdem-se nesses caminhos, caminhos obsoletos e escuros. Com absoluta certeza nunca caminhei por aqui. Meus sapatos se rasgam, meu mundo aos poucos descolore. Então alguma coisa me corrompe por dentro. Rompe minhas veias, desfaz meus segredos. Sou tão inteira quando me olho de perto. Pedaços colados, encolhidos como fetos. Fazendo-me. Juntando-me. Construindo-me. É um ciclo vicioso, regado por fumaça e cerveja. É um circulo gostoso. Uma (des)construção, um (des)amor, afundo na densidade de mim. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A cada dia sou mais eu. A cada mim sou menos eu.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8694002805179331863?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8694002805179331863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8694002805179331863' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8694002805179331863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8694002805179331863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/02/desestabilidade.html' title='(Des)estabilidade'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-4161114254220789728</id><published>2010-02-24T07:45:00.001-08:00</published><updated>2010-02-24T07:49:27.372-08:00</updated><title type='text'>Tudo o que quero dizer</title><content type='html'>Ainda vejo os homens formigas rastejando-se em terra firme,&lt;br /&gt;Acho que voei alto demais.&lt;br /&gt;Tudo o que quero dizer é:&lt;br /&gt;cuidado com os limites que você ultrapassa,&lt;br /&gt;alguns são inexplicavelmente essencias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-4161114254220789728?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/4161114254220789728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=4161114254220789728' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4161114254220789728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4161114254220789728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/02/tudo-o-que-quero-dizer.html' title='Tudo o que quero dizer'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-7719631526480017037</id><published>2010-02-01T17:10:00.000-08:00</published><updated>2010-02-01T17:11:42.872-08:00</updated><title type='text'>Amor Casual</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Como quem fala baixo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;E canta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Como quem chega&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;- Distante, meus olhos te perseguem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;É noite, eu canto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;E grito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Espanto meus demônios.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Minha cama, teu canto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;É aqui ao lado do meu&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Travesseiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Amanha de manhã&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Não haverá mais sol,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Nem mar, nem nada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Só uma coisa espessa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Pendendo entre nós dois,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Secreta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Vou sentir o cheiro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Do seu suor&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;E me concentrar nas lembranças&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Usando minhas mãos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Para te deixar ir embora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-7719631526480017037?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/7719631526480017037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=7719631526480017037' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7719631526480017037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7719631526480017037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/02/amor-casual.html' title='Amor Casual'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6899046162644414333</id><published>2010-01-25T00:18:00.000-08:00</published><updated>2010-01-27T17:21:58.429-08:00</updated><title type='text'>A história que ninguém quer ler</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Passei a acreditar em anjos na primeira vez em que o vi,&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Seus olhos, como acalantos, regavam qualquer jardim.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Uma pele negra e enrugada, vestida com velhos trapos,&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Dentes tão amarelos quanto à porta do barraco.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Mas mãos assim bondosas, delicadas e divinas,&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Cuidava de sua mulher e protegia suas meninas.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Embora em sua carteira não houvesse nenhum centavo&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;E em seu estômago ecoasse um ronco vago,&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Deixava correr o destino, amando a vida a fiado.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;No seu dia-a-dia havia tanta coragem,&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Um homem que vivia enfrentando a cidade.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Atravessava a rua com a pele descascada,&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Olhando para os lados, comprimindo-se na calçada.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Tantos outros homens nas veias daquelas ruas,&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Tantas outras histórias de miséria nua e crua.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Contudo aquele homem não se deixava abater&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Em busca dos mesmos sonhos que via na TV,&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Correndo com o destino e devendo por viver.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Os dias de domingo reservavam-lhe certo luxo,&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Um jogo de futebol provocando no rosto murcho&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;O sorriso amarelo, naquele boteco molhado e sujo.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Às vezes acreditava no abandono de Deus,&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;que Ele não olhava para tipos como o seu.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Porém voltava para casa e nos braços da morena&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Reconhecia que a dureza podia valer à pena.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Com seus braços cansados aos céus agradecia&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Garantindo a Deus nunca pôr sua vida a venda.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Certo dia de domingo, em direção ao boteco&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Uma bala o atingiu enquanto escondia-se no teto&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Da casa do vizinho traficante chamado Neto.&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;No mesmo instante seu corpo estremeceu&lt;br /&gt;"Será mesmo que Ele não olha para tipos como eu?&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Será que por ser preto, favelado e pobre&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Mereço levar um tiro dessa gente que se diz nobre?"&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Pensou em sua preta esperando um menino&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNoSpacing"&gt;Entregou-se assim a vida, aceitando seu destino.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6899046162644414333?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6899046162644414333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6899046162644414333' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6899046162644414333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6899046162644414333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/01/historia-que-ninguem-quer-ler_25.html' title='A história que ninguém quer ler'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-533730890884788599</id><published>2010-01-23T21:04:00.000-08:00</published><updated>2010-01-23T21:06:20.973-08:00</updated><title type='text'>Mil formas de amar</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'"&gt;- Quando as pessoas dizem que entendem todas as formas de amar, será que contam com a minha?&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'"&gt;- Por quê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'"&gt;- Porque eu amo assim, tirando os pedacinhos e deixando pedacinhos meus. Amo em segredo, por medo, por orgulho ou vontade de esquecer. Amo sem dizer, porque assim a coisa toda fica em silêncio, existindo sem saber. Amo ao contrário – amo o que odeio e o que não faz parte de mim. E não digo que amo, pois no momento em que o faço tudo se torna real, e aquela ilusão, aquelas fantasias criadas param de tentar existir. Porque a realidade me pega pela mão e me leva aos lugares que temo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'"&gt;- E a quem, a quem amas assim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'"&gt;- Tenho medo de falar. Quando eu falar o amor não será apenas meu coração. Será cada parte de mim – minhas pernas, minhas mãos. Minha boca, minha garganta. No momento em que gritar o amor ele extrapolará cada parte de mim. E assim eu amarei, amarei realmente. E amar não me sufocará mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'"&gt;As lágrimas escorriam, não tantas. Algumas, quase nada. Se seu rosto não estivesse tão visível, as lágrimas seriam imperceptíveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'"&gt;- E agora que falei amar não me sufoca mais. Não me sufoca. Eu respiro. Ainda amando, ainda que não haja mais nenhum pedaço meu para ficar. Respiro fundo, é quase um alívio. Embora amanha, talvez, eu ponha a culpa no álcool. Embora, talvez, você acredite. Eu sei da verdade. Eu sei que te amo. E vou sentir certo constrangimento. Vou torcer para que você ponha a culpa no álcool também. Mas eu te amarei de verdade. Eu te amarei realmente. E, por ter te dito meu amor, amanhã, amanhã quem sabe... Eu não te ame mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-533730890884788599?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/533730890884788599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=533730890884788599' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/533730890884788599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/533730890884788599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/01/mil-formas-de-amar.html' title='Mil formas de amar'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-3171065743408503622</id><published>2010-01-13T19:54:00.001-08:00</published><updated>2010-01-13T19:54:49.689-08:00</updated><title type='text'>Pensamentos Voluptuosos</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'; FONT-SIZE: 12pt"&gt;Na praça ou na praia. Milhões de quilômetros longe do mundo. Agora tudo evapora. Um sentimento extremamente sucinto. Meu corpo não pede água nem paz. Pede um pouco da dor que amar dar. Um pouco de amor. Minha mente abriga pensamentos impuros, meus desejos não estão a favor de mim. Se fechar os olhos significa me ter mais perto, o escuro é mesmo meu melhor amigo. A milhões de quilômetros de tudo. Apenas eu vago por aqui. Pensamentos obscuros, desnudos, impuros, vertiginosos. É a mim que chamo. Apenas a mim. Eu me amo. Respirar fundo não provoca mais a sensação de sufoco. Consigo finalmente pôr pra fora o ar que me corria por dentro. Adoro meus defeitos, meus erros. Me adoro, me namoro. Sou tão fã de mim. O sal da lágrima que me escorre trás boas lembranças. A dor de ter chegado é prazerosa. Finalmente posso admitir: os erros que cometi são meus, meus lindos defeitos. Abraço-os, adoro-os tanto, tanto quanto adoro a perfeição de assistir o sol escondendo-se por trás do mar. As nuvens ficam levemente alaranjadas, fecho os olhos novamente. Fecho-os para sentir-me mais perto de mim. Ao abrir deparo-me com o reflexo na água, meus olhos não choram mais de angustia. Meus pés não temem mais não saber para onde ir. Acho que cresci, nesse momento, com areia abaixo dos meus pés e vento no rosto. Acho que o sol fez-me mais mulher, mais humana. Agora eu sei que errar faz parte. Amar é a arte de conhecer-se em paz. Minhas guerras travo agora entre as quatro paredes do mundo. Não fujo mais do que sinto. Abraço, traço e devoro. O que sinto sou eu. O que me pulsa. O que me chama. O que me queima. Faço questão de sentir medo, receio. Depois disso tudo vem o prazer, nas quatro paredes do quarto, do bar. No formato do copo, da garrafa. No gosto cortante do álcool ou do cigarro. O que não me mata me fortalece. E o que me mata me engrandece. Vou embora antes que o sol se ponha, antes que o vento acabe, antes que meus pés enjoem da areia abaixo deles. Vou-me embora, agora, porque cresço e diminuo em questões de segundo. Sou assim, volúvel mesmo. Adoro sentir tudo. Adoro. Adoro sentir nada.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-3171065743408503622?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/3171065743408503622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=3171065743408503622' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3171065743408503622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3171065743408503622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/01/pensamentos-voluptuosos.html' title='Pensamentos Voluptuosos'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-1431440476350194537</id><published>2010-01-11T20:39:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T20:40:00.637-08:00</updated><title type='text'>Uma coisa</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'; FONT-SIZE: 12pt"&gt;Tenho guardada em mim alguma força estranha. Quase como um trem a vários quilômetros por hora. Alguma coisa que cresce quando a noite cai; que dorme quando o olho fecha; que pulsa quando a tarde arde; que dança quando a madrugada chega.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'; FONT-SIZE: 12pt"&gt;T&lt;/span&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'; FONT-SIZE: 12pt"&gt;enho guardada em mim uma vontade surpreendente. Quase como uma flor que nasce ao lado de pedras. Alguma coisa que cresce quando a dor aumenta; que sangra quando o olho arde; que sara antes de ser tarde; que chama a madrugada para dançar.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'; FONT-SIZE: 12pt"&gt;Tenho mesmo guardada em mim essa coisa de ser feliz. De amar, de cantar, de sentir. De sofrer, de chorar, de sorrir. De mudar, reclamar, consentir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'; FONT-SIZE: 12pt"&gt;Uma coisa sem porto. Uma coisa a mar aberto. Sem vela, sem motor, sem paz. Sem guerra, sem dor, sem cais. Morando no mundo, uma coisa sem teto&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'; FONT-SIZE: 12pt"&gt;Gosto dessa coisa. Vagando dentro das veias. Vagamente igual a mim. Usurpando a tranqüilidade do mundo, usando a loucura de tudo. Transformando a loucura do mundo em tranqüilidade dentro de mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-1431440476350194537?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/1431440476350194537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=1431440476350194537' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1431440476350194537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1431440476350194537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/01/uma-coisa.html' title='Uma coisa'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-4129867777227807475</id><published>2010-01-09T11:22:00.000-08:00</published><updated>2010-01-09T11:23:31.538-08:00</updated><title type='text'>Bem me quer, mal me quer</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'"&gt;Veja que sorte nós temos: não nos perdemos de nós. Apesar das cicatrizes e das lágrimas, você ainda deita em paz. Olhe só nossa sorte: não há mágoa em nossos corações. Esquecemos um do outro e agora vivemos nossas vidas. Você não se lembra mais do meu beijo. Surpreendo-me com a minha sorte, posso deitar a noite sozinha. E na liberdade de sonhar com o que quiser, sonho com você ao meu lado. Talvez eu não tenha tanta sorte assim. Meu bem veja como a sorte entrelaça nossos caminhos, um trevo de quatro folhas a cada esquina. Você não recorda minha voz, ainda assim continuo cantando. As minhas frases nunca mais chegarão aos seus ouvidos. Veja minha sorte, querido: posso fazer poesias sobre o que quiser. E, na liberdade de escolher, meu tema preferido é você. Rezo a Jesus Cristo, peço para sempre ele conceder-me tal sorte. As portas não se fecham diante de mim, há sempre um trevo de quatro folhas a impedir. A minha cabeça no travesseiro, deito em paz. Em meu peito algo me diz: “seu querido não está, mas tanto faz. Você sempre pode contar com sua sorte”. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Nós nos amamos loucamente tantas vezes, e agradeço a sorte que temos: não há recordações ruins, ambos rimos no fim. Dois bons amigos, velhos conhecidos com histórias para contar. Sem arrependimentos, querido. As sombras e o vento frio, o verão chegou para esquentar nossos pés. Perceba nossa sorte querido: não esperamos pelos pés um do outro por baixo do lençol. Eu esquento meus pés em outras camas. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="FONT-FAMILY: 'Georgia', 'serif'"&gt;Meu inferno é a nossa sorte. Um inferno individual. Em minha mente algo diz: “seu querido não está aqui”. E eu chamo seu nome. E rezo para que minha sorte se vá. Minha má sorte. Meu trevo de quatro folhas amaldiçoado. Minha sorte é um gato preto, meu bem, passando por baixo de uma escada e quebrando um espelho. Sete anos de azar, querido. Quando será que minha sorte vai mudar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-4129867777227807475?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/4129867777227807475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=4129867777227807475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4129867777227807475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4129867777227807475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2010/01/bem-me-quer-mal-me-quer.html' title='Bem me quer, mal me quer'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2694579877331142087</id><published>2009-12-25T16:05:00.000-08:00</published><updated>2009-12-25T16:36:08.042-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Há dias nos quais acordo com a sensação de ter esquecido algo. Talvez tenha esquecido de continuar a dormir, de não abrir os olhos. Permanecer com os sonhos. Possuo essa mania de ficar na cama por algum tempo antes de me levantar. Deixo o ar vindo até mim e vou sentindo meu corpo querendo acordar. Respirar fundo, alongar os braços, pôr os pés no chão frio. Em frente ao meu quarto a paisagem de concreto e fumaça. Sinto vontade de fumar, mas me lembro que parei. O sol fere meus olhos, mas aos poucos a luz é bem vinda. Ainda há sono, ainda há sonho. Mas lá fora algo chama meu nome e meu coração bate rápido, como quem escuta; como quem responde, minhas pernas, no entanto, sentem preguiça de acompanhá-lo. Ando preguiçosa, ou não ando. É que meu corpo todo dói, por ressaca ou qualquer coisa. Moído pelos dias, pelas noites, pelas danças e sons, pelas camas, pelos homens. Não é enjoou, não é dor de cabeça. É só vontade que a noite chegue logo, trazendo mais cervejas e mais ressaca para o outro dia. Meu cansaço tem tempo curto. De noite, meu corpo para de doer, procuro pelos dias, pelas noites, pelas danças e sons, pelas camas, pelos homens. Antes de sair de casa, me olho no espelho e acompanho a música: "ainda há fogo em mim". Um sorriso é o que me leva à porta da frente. Não creio em destino ou em sorte. O sangue bombeado pelo meu coração chega as minhas pernas fresco. Tudo em mim anda rápido, como quem escuta meu nome e responde "impulsionado por um desequilibrio feroz".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2694579877331142087?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2694579877331142087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2694579877331142087' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2694579877331142087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2694579877331142087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/12/ha-dias-nos-quais-acordo-com-sensacao.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8624581086436214637</id><published>2009-12-15T22:22:00.000-08:00</published><updated>2009-12-15T22:36:14.310-08:00</updated><title type='text'>Eu confesso</title><content type='html'>Caminho vendendo sonhos,&lt;br /&gt;Por trocados.&lt;br /&gt;Carrego sonhos fiados,&lt;br /&gt;Impressos no almoxarifado,&lt;br /&gt;Utopias de um plebeu de coração fidalgo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho que virou pó,&lt;br /&gt;Vestígios das águas de março.&lt;br /&gt;Guardo no bolso os pedaços&lt;br /&gt;Dos sonhos que sonhei só.&lt;br /&gt;Sem tinta, sem papel pautado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi a cor nos espelhos&lt;br /&gt;De duas faces.&lt;br /&gt;Confesso,&lt;br /&gt;Não há mais maquiagem&lt;br /&gt;Por baixo dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é tudo saudade.&lt;br /&gt;Agora é tudo miragem,&lt;br /&gt;Recortes de sonhos traçados&lt;br /&gt;Nas marcas de um rosto cansado&lt;br /&gt;Impresso em preto e branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não haja mais Deus,&lt;br /&gt;Talvez não seja pecado&lt;br /&gt;Invejar Eurídice.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8624581086436214637?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8624581086436214637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8624581086436214637' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8624581086436214637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8624581086436214637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/12/eu-confesso_15.html' title='Eu confesso'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8240918978503929707</id><published>2009-12-14T14:01:00.000-08:00</published><updated>2009-12-15T22:29:34.510-08:00</updated><title type='text'>Meu coração esfinge</title><content type='html'>Eu deixo meu coração numa caixa.&lt;br /&gt;Eu o deixo bater em silêncio,&lt;br /&gt;Ele prefere morrer sem saber.&lt;br /&gt;Pra mim meu coração é enigma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim meu coração é:&lt;br /&gt;Um órgão silencioso&lt;br /&gt;Preso e&lt;br /&gt;Medroso,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com vontade de ser esfinge&lt;br /&gt;E me comer à cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto ele apenas finge&lt;br /&gt;Dormir – mas haverá um dia&lt;br /&gt;Em que nem mesmo Édipo&lt;br /&gt;Conseguirá vencê-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8240918978503929707?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8240918978503929707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8240918978503929707' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8240918978503929707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8240918978503929707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/meu-coracao-esfinge_06.html' title='Meu coração esfinge'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8228309026892754119</id><published>2009-12-13T00:16:00.000-08:00</published><updated>2009-12-15T22:30:53.431-08:00</updated><title type='text'>Febre</title><content type='html'>Criei a expectativa de não te esperar mais. Agora tudo vem com o tempo, no tempo mesmo tudo morre. É assim: vir, ir, sarar. O tempo não deixa dúvidas. Não há resposta, não há expectativa. Você não pode sentar no chão, fumar um cigarro e esperar que o mundo se ajeite sozinho. Vai doer, é natural que doa. É humano sentir dor. Não sentir é deficiência. Como não conseguir respirar sem máquina ou andar sem rodas. Você pode fumar o cigarro; descansar; dormir. Mas você não deve dar tempo ao tempo. Porque o tempo vai embora também. É assim. Evitar a dor não significa que ela não venha. É como permanecer dentro de casa por medo de sair na rua, e ser assassinada dentro do seu quarto confortável. É dormir sem lembrar-se dos sonhos, é morte cerebral. Então desista, desista sim. Mas não desista pra sempre. Volte atrás. Comece de novo um começo novo. Mas eu não te espero mais. Não espero mais suas vírgulas, suas certezas, seu sentido. Eu ponho meu ponto final em tudo que não me faça mais sentido. Pra mim tem que ser assim; pelo menos agora; pelo menos isso eu aprendi. A ser sem você. E deixar você ser sem mim. Eu sarei de você. Deixei lavar a tatuagem de mentira que havia em mim; deixei levar, me levar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora nada mais tem fim. É tudo pra sempre, tudo urgente. Tudo merece minha atenção completa. Mas nada mais me tira o sono. Eu cuidei da minha febre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ardo sem medo que doa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8228309026892754119?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8228309026892754119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8228309026892754119' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8228309026892754119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8228309026892754119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/febre.html' title='Febre'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8183336967241555195</id><published>2009-12-02T00:44:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T00:56:43.229-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Faço aniversário todos os anos e, exceto por alguns cabelos brancos, sinto-me cada vez mais jovem. E mesmo quando morrer, nas minhas veias ainda pulsará um sopro de vida. Ainda que discretamente, meus restos mortais continuarão a dançar. Porque eu não quero o descanso eterno, não quero paz. Não quero a plenitude da alma, a inquietude dela me atrai mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, apesar de todos os dias meu corpo envelhecer, meus olhos surpreendem-se sempre com os aspectos da vida. Seguir a ordem natural das coisas nunca foi meu forte. Eu sou desordem. Sou bagunça. Sou anarquia. Guardo em meu peito amor e ódio em dose perigosa. Eu quero morrer tarde, mas desejo morrer nova. Nova de espírito mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem sair da roda quando a banda toca rápido demais. Eu acompanho o ritmo. Mudo de ritmo. A vida acontece para mim sem tom, mas com o ritmo certo. Sem ser constante. Um ritmo latente, visceral. Eu durmo quando o sol acorda. Faço minha festa e cavo minha própria cova. Ofereço-me a vida e em troca ganho mais algumas horas. Choro e dou gargalhadas em questão de segundos. As vezes corto minhas próprias asas, mas normalmente o céu é um limite próximo demais para mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8183336967241555195?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8183336967241555195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8183336967241555195' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8183336967241555195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8183336967241555195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/12/faco-aniversario-todos-os-anos-e-exceto.html' title=''/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-7770123974259460525</id><published>2009-11-20T21:35:00.000-08:00</published><updated>2009-11-20T21:37:45.232-08:00</updated><title type='text'>O preço que se paga às vezes é alto demais</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Não há nenhuma prece aqui, as pessoas falam suas metáforas, mas mentir não adianta de nada. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Você costuma levar o mundo ao topo, mas agora o mundo não é um lugar tão alto assim. E procurar uma forma de não escorregar faz de você mais uma mera mortal, onde está sua confiança de outrora? A realidade não é tão formidável assim e levar o mundo ao topo não lhe interessa mais. Você faz um acordo com o diabo, sua alma em troca de alguns segundos de alegria, mas seu mundo está desmoronando aos poucos e não há ninguém para puxar suas mãos e seus braços e lhe levar ao topo novamente. São apenas você e suas vagas idéias sobre a felicidade, infelizmente nada se encontra no caminho que lhe contaram. Você tem que cavar com suas próprias mãos e encontrar um novo lugar para depositar suas esperanças. Nesse momento o mundo todo reza por você, mas não há nada que se possa fazer: suas metáforas não lhe levam a lugar algum. Sua linguagem descolada e seus sorrisos emprestados, esse brilho nos olhos não engana mais ninguém. Suas poesias não têm mais graça e ninguém rir mais de suas piadas, por isso encoste a cabeça no seu muro das lamentações e esqueça sobre o acordo com o diabo, nenhum inferno é pior do que aqui.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Encontrar alguma razão para continuar com a viagem e evitar cair no próximo abismo. O que pode lhe salvar agora? Sua mente não continua a viajar como costumava fazer, essa sobriedade é mais barata do que cortar os próprios pulsos. Não arranque sua alma em troca de alguns centavos. Nenhum baseado vai acender para você, pois sua mente não lhe leva a lugar algum. ”Permaneça confiante” - é o que lhe dizem, contudo você desistiu de gastar seu precioso tempo com confianças que serão arrancadas. O diabo fez um acordo com você – “permaneça acordado e vá para o paraíso”, mas manter os olhos abertos é mais difícil do que lhe falaram. Toda essa conversa não adianta nada e os livros de auto-ajuda poderiam ser queimados, ninguém entende o que é permanecer no mesmo abismo. Seu corpo cai sem nunca encontrar um ponto onde descansar em paz. Mas você mantém sua confiança inabalável, onde há mais solidão do que entre as quatro paredes do seu quarto? Afogar o seu travesseiro em lágrimas não trás nada de volta. De volta ao começo, o mesmo frio no estômago. Rezar não adianta de nada agora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;"&gt;Por isso venda sua alma ao diabo e tente saber como nunca conhecer o preço. Há segredos que valem a pena nunca descobrir. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-7770123974259460525?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/7770123974259460525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=7770123974259460525' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7770123974259460525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7770123974259460525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/11/o-preco-que-se-paga-as-vezes-e-alto.html' title='O preço que se paga às vezes é alto demais'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-3374604055949588305</id><published>2009-10-27T21:53:00.000-07:00</published><updated>2009-10-27T22:00:15.719-07:00</updated><title type='text'>Silêncio, soul e fumaça.</title><content type='html'>Há coisas que precisam silenciar. Coisas as quais sentem a necessidade de serem guardadas, com sete chaves, em um segredo quase absoluto. Em cavernas, silenciosas como as almas. Cortando o tumulto com a calma e, como um grito que rompe o silêncio, é a tranquilidade que interrompe a tempestade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz tempo, mas minha voz ainda chega ao tom mais baixo. Faz tempo, mas ainda há certo medo de voltar sozinha para casa. Talvez nem faça tanto tempo assim. Seja só meu corpo e minha mente, enrugados, envelhecidos. Como se tivessem passado muito tempo submergidos, como os dedos ficam depois de um longo banho. Talvez seja apenas meu corpo me pedindo calma; talvez seja minha mente garantindo-me – há coisas demais guardadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutar Nina Simone enquanto se traga essa realidade, essa descoberta, de certa forma, apaziguadora, trás uma sensação de fatalismo. Você não pode evitar seu passado, ele continua lhe encarando por trás da janela embaçada. Meu silêncio ninguém quebra. Minha calma. Ela mói meu corpo doente e aos poucos me trás de volta, em um circulo vicioso que não me causa náusea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento o tédio me atrai; os dias cinza, cobertos pelo cheiro de gasolina queimada e cigarro; criando-me fantasias de amor e ódio, de certo e errado, certezas falhas, gastas, contudo, debilmente necessárias. Pretendo mesmo me recolher ao silêncio. Ele agora é quem fala mais alto. Prefiro mesmo o quarto escuro, o som baixo e uma fumaça azul saindo dos meus pulmões. Necessito ouvir o meu pulso, sentir o meu coração pulando no peito, enquanto leio um livro estúpido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora Nina Simone me dedilha o corpo, transpira minha alma e suaviza minha respiração. Ter calma é fácil, dar-se bem com a solidão. Só há você no quarto – o reflexo no espelho, as pessoas nos seus carros, tudo isso faz parte de outra dimensão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-3374604055949588305?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/3374604055949588305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=3374604055949588305' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3374604055949588305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3374604055949588305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/10/silencio-blues-e-fumaca.html' title='Silêncio, soul e fumaça.'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-1318093993006910757</id><published>2009-10-23T13:36:00.000-07:00</published><updated>2009-10-23T13:43:18.941-07:00</updated><title type='text'>Panis Et Circenses</title><content type='html'>Sonhei com uma bomba relógio no porão,&lt;br /&gt;O som da televisão foi o que me acordou.&lt;br /&gt;Olhei para os lados e não vi relógio algum,&lt;br /&gt;Meu despertador não me informou que horas são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo o céu vai clarear&lt;br /&gt;E eu dormindo na sala de estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme passa como se analiasse a mim,&lt;br /&gt;Nicole Kidman não me interpreta muito bem.&lt;br /&gt;Não me vejo com as pedras no fim,&lt;br /&gt;Eu iria para Londres naquele trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo o céu vai clarear&lt;br /&gt;E eu dormindo na sala de estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou descer até aquele maldito vagão.&lt;br /&gt;Olhar as árvores sem me despedir.&lt;br /&gt;Devo ir antes que exploda de decepção,&lt;br /&gt;A minha vida não pode caber em um gibi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo o céu vai clarear&lt;br /&gt;E eu dormindo na sala de estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou me levantar e abrir a porta da frente,&lt;br /&gt;A sala de estar não é para mim o suficiente.&lt;br /&gt;Eu vou dormir na calçada aqui da rua,&lt;br /&gt;Talvez de noite o que me acorde seja a lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo o céu vai clarear&lt;br /&gt;E eu saí da sala de estar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-1318093993006910757?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/1318093993006910757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=1318093993006910757' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1318093993006910757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1318093993006910757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/10/panis-et-circenses_23.html' title='Panis Et Circenses'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-1464042737001145282</id><published>2009-10-21T18:27:00.001-07:00</published><updated>2009-11-19T18:18:58.349-08:00</updated><title type='text'>Um amor pra recordar</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não se esquece de mim -&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;essas foram as nossas palavras. Nós não dizíamos ‘eu te amo’ ou ‘não vivo sem você’. Nós dizíamos “Não se esquece de mim”, o resto ficava implícito nas entrelinhas dessa frase. A primeira vez que ele me disse isso estávamos deitados no chão do apartamento alugado dele. Ele estava voltando para Londres, depois de ter passado seis meses e quatro dias aqui. Nós nos conhecemos na terceira semana dele na cidade, em um bar esquisito perto do rio. Eu tinha quinze anos, então quando ele me ofereceu um cigarro, eu aceitei, mas não fumei. Fiquei apenas com o cigarro entre os dedos. Nós não nos beijamos naquela noite, ou em algumas outras depois daquela. Nossos lábios se encontraram após a quinta vez que nos vimos. Ele era o segundo cara que eu beijara. Eu era a segunda brasileira que ele beijara. Nós rimos disso após algum tempo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Acho que nunca havia me tocado, de verdade, no fato de estar apaixonada por ele. Só na ultima noite chorei, encolhida nos seus braços. Ele me olhou com um sorriso bobo, disse que voltaria e me pediu – não se esquece de mim. Eu olhei para ele e o beijei na bochecha. É lógico que não esqueço – deixei esse pensamento para mim. Apesar de termos dormido juntos diversas vezes nunca chegamos a fazer nada demais, me arrependi disso no instante que o vi pegando o avião. Passamos alguns meses nos comunicando através da &lt;span id="SPELLING_ERROR_0" class="blsp-spelling-error"&gt;internet&lt;/span&gt; e até alguns telefonemas rápidos. Após um ano quase não nos falávamos mais. Eu arrumei um namorado, ele estava com vinte anos e quase terminando seu curso na Inglaterra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Era uma noite quente quando recebi sua ligação. Lembro que era quente porque havia um ventilador na minha frente e o seu barulho me impediu de reconhecer sua voz, com aquele sotaque e nostalgia. Apenas quando desliguei o ventilador reconheci – o calor que se dane, pensei, vale a pena. Com vinte e três anos ele veio ao Brasil resolver negócios da sua recente empresa, me ligou e perguntou apenas – você ainda bebe cerveja? Eu respondi que sim, ele chegou à minha cidade um dia depois, eu o peguei no aeroporto e lá fora fumamos juntos. Ele se espantou a me ver fumando, mas disse ser lindo. Eu olhei para ele, apaguei o cigarro e disse – eu não me esqueci de você. Nós nos beijamos ali.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Ele passou apenas três noites em Recife. O suficiente para que fizéssemos tudo que não havíamos feito quatro anos atrás. Em meu peito algo me dizia – não se apaixone por ele novamente. Mas eu sabia, eu nunca o havia esquecido, nunca havia deixado de estar apaixonada. Passamos dez anos sem no ver, no falamos apenas o suficiente para que o sotaque britânico dele não se perdesse nas minhas lembranças. Quando soube que ele iria se casar, senti ânsia de &lt;span id="SPELLING_ERROR_1" class="blsp-spelling-error"&gt;vômito&lt;/span&gt;. Ele me convidou ao casamento, mas não fui. Não gostaria de substituir a lembrança dele deitado em um apartamento vazio, com a camisa de &lt;span id="SPELLING_ERROR_2" class="blsp-spelling-error"&gt;Sex&lt;/span&gt; &lt;span id="SPELLING_ERROR_3" class="blsp-spelling-error"&gt;Pistols&lt;/span&gt; e um cigarro nas mãos, por uma imagem, até mesmo &lt;span id="SPELLING_ERROR_4" class="blsp-spelling-error"&gt;cômica&lt;/span&gt;, dele entrando na igreja, de &lt;span id="SPELLING_ERROR_5" class="blsp-spelling-error"&gt;smoking&lt;/span&gt; e gravata borboleta. Ele se casou aos vinte e sete anos. Aos trinta e um estava divorciado, me mandou um email contando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Dois anos depois nos encontramos em São Paulo. Passamos um fim de semana juntos, quando me deixou no aeroporto para voltar à minha cidade natal, ele me disse – nunca me esqueci de você. Chamei-o para voltar a minha cidade comigo. Moramos juntos por sessenta anos. Hoje, estou aqui ao seu lado, vestida de preto e sem chorar. Fumo meu ultimo cigarro, segurando em suas mãos geladas e mortas. Não consigo pensar em mais nada a não ser: "não se esqueça de mim". Em breve vão ser minhas mãos que estarão frias, meu último suspiro vai ser em forma de um sorriso debochado – me lembrei de você por mais tempo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-1464042737001145282?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/1464042737001145282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=1464042737001145282' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1464042737001145282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1464042737001145282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/10/um-amor-pra-recordar.html' title='Um amor pra recordar'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-1482478886771997717</id><published>2009-10-18T11:51:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T11:57:54.212-07:00</updated><title type='text'>Santa heresia</title><content type='html'>Estava andando no meio da rua, quando parou em frente a uma igreja. Faz tempo que não parava aqui – pensou. Seus olhos envergonhados assistiam aquela exuberância de vidros e concretos. Aos seus olhos, juntaram-se seus pés, hesitantes, descalços e sujos. Você não pertence a esse lugar – lembra de ter ouvido aquilo no seu intimo. Mas ora, não é essa a casa de Deus? E não é Deus o pai de todos? Entrou vagarosamente, andando impotente por um corredor extenso. Ao lado, distante, viu um padre olhando-lhe com sintomas de desprezo. No altar, acima de todas as outras estatuas, jazia a estatua de Jesus. Uma barba igual a minha – percebeu – porém penteada. Jesus é branco. Jesus tem olhos verdes. Eu não sou negro não, só tenho essa pele descascada, ressecada pelo sol escaldante. Sentiu-se constrangido, muito embora não houvesse nenhuma outra presença ali, além da dele e do padre, suas roupas gastas, furadas e acinzentadas não faziam parte da paisagem. Em frente aos seus olhos havia o cheiro da riqueza. Por isso passava muito tempo sem entrar em uma igreja, a sensação de deslocamento já basta nas ruas, com os vidros abaixados, com o olhar de medo. É verdade, não podia negar que essa é uma atitude justificável, havia muitos como ele, alguns realmente esperam que você não feche a janela por outro motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando ao redor, percebeu que a sombra do padre não estava mais ali – seis horas da noite, ele deve ter ido jantar. Aos poucos foi vendo as pessoas entrando na igreja, seis horas da tarde, vai haver missa. Eu poderia ficar aqui – pensou – assistir a missa, sentado em um desses bancos marrons e com cheiro de lustrador de móveis, eu poderia pertencer a esse lugar. Contudo não suportaria os olhares. Esses, que estão acontecendo, olhares que indagam – será que a missa vai começar com &lt;em&gt;isso&lt;/em&gt; aqui dentro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. Ele não &lt;em&gt;queria &lt;/em&gt;pertencer àquele lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sair da Igreja olhou para trás e pensou – eu não pertenço a esse lugar. No seu bolso havia dinheiro roubado da caixa perto do altar – se deus estiver mesmo entre nós ele seria o primeiro a dizer amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-1482478886771997717?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/1482478886771997717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=1482478886771997717' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1482478886771997717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/1482478886771997717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/10/santa-heresia.html' title='Santa heresia'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-7158735754496051300</id><published>2009-10-15T18:15:00.000-07:00</published><updated>2009-10-15T18:16:08.824-07:00</updated><title type='text'>Amor efêmero</title><content type='html'>Quero você e sua calça de linho.&lt;br /&gt;Seu cigarro entre os dedos,&lt;br /&gt;Seu gole de vinho.&lt;br /&gt;Quero seu corpo sedento,&lt;br /&gt;Beijando-me o corpo todinho.&lt;br /&gt;Me quero entre seus dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te quero sozinho.&lt;br /&gt;Entre as quatro paredes do mundo,&lt;br /&gt;Pela eternidade de alguns segundos.&lt;br /&gt;E quando houver inverno entre nós,&lt;br /&gt;Sempre haverá outra estação&lt;br /&gt;Em outro lugar do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanha você pode me procurar,&lt;br /&gt;Mas se eu não atender,&lt;br /&gt;Não insista.&lt;br /&gt;Eu quero você agora,&lt;br /&gt;Nesse momento perfeito, nós dois&lt;br /&gt;Com as cabeças para fora da janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos olhares se cruzam,&lt;br /&gt;Eu quero você agora,&lt;br /&gt;Eu te amo agora,&lt;br /&gt;Amanha esqueço seu nome&lt;br /&gt;E no telefone,&lt;br /&gt;Sua voz não me provoca mais arrepio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-7158735754496051300?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/7158735754496051300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=7158735754496051300' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7158735754496051300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7158735754496051300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/10/amor-efemero.html' title='Amor efêmero'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-3415900310237544872</id><published>2009-10-10T11:57:00.000-07:00</published><updated>2009-10-10T11:58:00.138-07:00</updated><title type='text'>Um samba para nós dois</title><content type='html'>Se eu fizer um samba para nós dois,&lt;br /&gt;Você vem fazer amor comigo?&lt;br /&gt;Talvez não haja motivo de raiva,&lt;br /&gt;Mas entendo a necessidade de querer ouvir&lt;br /&gt;Um samba que fale sobre nós dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fizer um samba para nós dois,&lt;br /&gt;Ainda que sem rima ou ritmo,&lt;br /&gt;Só palavras de amor rabiscadas&lt;br /&gt;Como se fosse um livro de um autor&lt;br /&gt;Contemporâneo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você viria dormir abraçada comigo?&lt;br /&gt;Se eu fizer um samba sem jeito,&lt;br /&gt;Do fundo do peito&lt;br /&gt;Com gosto de cerveja e cigarro&lt;br /&gt;Você volta para mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que haja motivo para raiva,&lt;br /&gt;Entendo sua necessidade de ir dormir,&lt;br /&gt;Contudo, compreenda meu amor&lt;br /&gt;Sua dor de cabeça não pode ser maior&lt;br /&gt;Do que a vontade que insisto em sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você preferir com rima,&lt;br /&gt;Eu faço do jeito que você quiser,&lt;br /&gt;Ponho os seus preceitos acima&lt;br /&gt;Dos conceitos que eu tiver.&lt;br /&gt;Tudo depende, minha querida,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do samba que eu fizer para nós dois.&lt;br /&gt;Muito embora eu não seja Cartola,&lt;br /&gt;Nem faça samba como o meu guri,&lt;br /&gt;Ainda assim tento te trazer de volta&lt;br /&gt;Com esse samba mal feito e ruim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-3415900310237544872?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/3415900310237544872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=3415900310237544872' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3415900310237544872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/3415900310237544872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/10/um-samba-para-nos-dois.html' title='Um samba para nós dois'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-4646399739162956423</id><published>2009-10-08T17:56:00.000-07:00</published><updated>2009-10-08T18:01:53.856-07:00</updated><title type='text'>Effect and Cause</title><content type='html'>Talvez você consiga imaginar a cena:&lt;br /&gt;São dois pares de sapatos, jogados. Ambos de tamanho 37.&lt;br /&gt;Eles são do mesmo dono – dona, no caso. São antigos, daqueles que se usam quase todos os dias, já com o formato do seu pé.&lt;br /&gt;Eles estão ao lado do sofá, sofá vermelho, com algumas manchas laranja devido ao tempo, ao descuido.&lt;br /&gt;Um único par de meias, ele está ao lado do sapato azul, parece até que foi posto lá, cuidadosamente.&lt;br /&gt;No momento não há ninguém deitado no sofá – se eu pedisse para você imaginar alguém deitado, você conseguiria imaginar.&lt;br /&gt;Não há luz, ao menos não há luz forte. Apenas uma claridade desconhecida que a travessa a janela da pequena sala.&lt;br /&gt;No som – daqueles pretos, grandes e antigos – toca 300 M.P.H. Torrential Outpour Blues, a terceira faixa do Icky Thump, cd do White Stripes. A música repete, repete, quase que desnecessariamente – QUASE.&lt;br /&gt;A cena toda parece um quadro. É tudo imovel dentro daquela sala.&lt;br /&gt;Até que aparece ela, com sua calça listrada e sua camisa roxa.&lt;br /&gt;Põe no chão, ao lado do par de meias, uma cerveja cor verde, com um nome estranho e de pronuncia dificil. Finalmente permite que o cd toque normalmente.&lt;br /&gt;Demora cerca de dez segundos para conseguir acender o cigarro, primeiro ela não consegue apertar o botão para fazer o fogo subir – depois ela não consegue acertar o fogo no cigarro.&lt;br /&gt;Talvez já estivesse bêbada o suficiente, mas ainda não é hora de parar – resta uma caixa de cerveja dentro da geladeira.&lt;br /&gt;Não há mais ninguém dentro da casa; pela quantidade de cigarro e cerveja no lugar você até poderia pensar que houve uma festa ali – não, não houve.&lt;br /&gt;Apenas uma comemoração silenciosa, um pouco solitária.&lt;br /&gt;Comemorar o que? Uma promoção, uma viagem, um prêmio?&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;Uma comemoração desconhecida para nós.&lt;br /&gt;Para quem mora sozinha a casa é até um pouco organizada. No seu quarto um poster da familia Addams ocupa metade da sua parede. Na outra parede um armário com algumas roupas amassadas dentro. Não havia nenhuma foto.&lt;br /&gt;Na sala, atrás do sofá, uma palavra em inglês, escrita em preto e vermelho – UNLEARN.&lt;br /&gt;O apartamento era pequeno.&lt;br /&gt;Era dela.&lt;br /&gt;Talvez a comemoração fosse a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto descrevo, ela viaja nas cordas da guitarra de Jack White.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Guess what', try and Catch Hell; If you're getting tricky lying to yourself, you're gonna Catch Hell; and if you're testing God and lying to his face, you're gonna Catch Hell; I know it.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No outro dia provavelmente haveria ressaca, dor de cabeça, fadiga.&lt;br /&gt;Besteira.&lt;br /&gt;Mais uma cerveja levada à boca, mais um gole descendo na garganta.&lt;br /&gt;Tudo é apenas isso: questão de efeito e causa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-4646399739162956423?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/4646399739162956423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=4646399739162956423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4646399739162956423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4646399739162956423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/10/effect-and-cause.html' title='Effect and Cause'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-4501030753490879025</id><published>2009-10-07T12:57:00.001-07:00</published><updated>2009-10-07T12:57:45.663-07:00</updated><title type='text'>Quero ser Jesse Owens</title><content type='html'>Eu hoje caminhei porque não tinha nada para fazer, é engraçado ver a cor do céu refletida nas calçadas das ruas e as árvores ao lado de montanhas de concreto. Dá uma sensação de saber que não dá para se ter certeza nunca. Voltei para casa quando o céu ainda estava clarinho, mas o sol não queimava mais. Ele servia apenas para iluminar as nuvens, deixá-las com aparência de lâmpadas. Em casa nada me esperava, exceto alguns livros, velhas canções e um ventilador amarelo, antigo e com aparência de sujo. De dentro de casa ainda conseguia ouvir os pássaros lá fora, alguns paravam no parapeito da minha janela e zombava de mim, saiam voando sem medo de cair. As únicas asas que eu tinha eram os livros – olhei para eles. Não há como escolher o melhor livro para se ler, você simplesmente sente, naquele momento, o que você gostaria de fazer, aonde você quer que sua mente vá. Minhas mãos agarraram, quase inconscientemente, um livro branco com letras vermelhas. Novamente deixei as palavras me levarem até o raso porão da Rua Himmel; novamente deixei me apaixonar por aquele judeu com aparência de um paletó surrado; mais uma vez corri junto ao menino com os cabelos cor de limão. Eu senti o gosto da dor de Liesel, sentada em uma rua devastada por guerra e bombas, a dor na boca do estômago, do tipo que provoca um gosto ácido na boca. Uma dor que corta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para fora, vi o sol se escondendo por detrás de prédios gigantes, vi carros passando, sinais abrindo e fechando. Vi o mundo acontecendo ali, naquele momento, junto ao vendedor de cd’s piratas na rua. Personagens da vida real. Pus de lado o livro. Comecei a reparar nas pessoas que passavam ali, apressadas, desligadas, cansadas. Em um carro branco vi um senhor impaciente, falando ao telefone e colocando as mãos na cabeça. Eu senti vontade de ir lá, falar com ele. Dizer a ele “senhor olha só como é bonito o sol se pondo por detrás dos prédios gigantes”. No entanto, o sinal abriu, o carro branco foi embora. É engraçado você perceber esses momentos de plenitude, onde você enxerga que realmente há beleza. No mundo, nos homens, nas ruas. Nem tudo é sujo, com aquele cheiro que fica na parte da calçada onde o sol não alcança. Nem tudo faz você querer prender sua respiração, fechar seus olhos, passar correndo. Se deixar surpreender, resgatar a esperança de que as coisas vão dar certo no final, uma velha esperança inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momentos como esse podem passar rápido. Com sede me levantei e fui buscar um pouco de água, ao voltar o sol não precisava mais de prédios para escondê-lo, o cheiro nas calçadas voltou a causar incomodo. A única coisa que ficou em meu pensamento foi a última nota da narradora: Os seres humanos me assombram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-4501030753490879025?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/4501030753490879025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=4501030753490879025' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4501030753490879025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4501030753490879025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/10/quero-ser-jesse-owens.html' title='Quero ser Jesse Owens'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2112832036841299550</id><published>2009-09-27T16:41:00.000-07:00</published><updated>2009-09-27T16:51:36.969-07:00</updated><title type='text'>You want a piece of me?</title><content type='html'>Depois de alguns anos você percebe como, no final das contas, só sobra você para juntar as coisas que ficaram para trás, as coisas que escaparam e quebraram. Não adianta de nada tentar esquecer, deixar de lado e fingir que não faz falta. Querendo ou não faz falta sim, como se fossem pedaços em branco na pagina de um livro ou um violino a menos na orquestra. De alguma forma aquilo coça, como se ainda estivesse lá. Feridas antigas, até já cicatrizadas. São como dores crônicas nas costas, nas juntas, você toma remédio, mas elas voltam. E o pior de tudo mesmo é saber que não, realmente não há ninguém com você naquela hora. Quando você ajudou outras pessoas a limparem a sujeira delas, quando você até mesmo deixou que arrancassem um pedaço seu, isso não conta. Você está só. Dentro de um apartamento, com o silêncio em cada metro quadrado do lugar. Você fuma só para ver alguma outra coisa dentro da sala. Você toma uma cerveja, só para ter alguma coisa a fazer. Você não chora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque chorar é para pessoas fracas. As lágrimas que caem são sempre um cisco no olho; a vontade de não se levantar é sempre a ressaca do dia anterior. Nunca é dor. Nunca. Porque você não pode deixar que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o fatídico dia em que aquilo ocorre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre devagar. Quase não se percebe a presença. Às vezes você pensa que é apenas uma sensação ruim, como se soubesse que algo vai acontecer, mas não perde tempo com isso. Você tem muitas coisas a fazer. Muitas sensações a esconder. Até o dia em que deita a cabeça no travesseiro e percebe, realmente vê claramente, como se estivesse desenhado na porta do seu armário, escrito no seu espelho, refletido na sua retina: só há você para catar os pedaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A descoberta pode ser um choque, uma surpresa enorme que faz o sono ir embora. Ou não, ela pode vir como uma amiga, que faz carinho na sua cabeça e sussurra em seu ouvido:&lt;em&gt; é isso que você quer saber? É disso que você quer a resposta? Então faça o seguinte, se lembre daquele dia em que você estava andando de bicicleta e caiu, não havia ninguém para lhe ajudar a se levantar e você simplesmente percebeu que ficar chorando no chão não adiantaria de nada, não faria a dor passar, o susto ir embora. Então você se levantou sozinha. Pois é, a partir daquele dia você descobriu como a vida pode ser dura, mas apenas hoje assumiu.&lt;/em&gt; Então a descoberta é na realidade apenas algo que você adiou, mas sempre estava por ali, como uma nuvem em cima da sua cabeça, um pressentimento ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É duro assumir. Você gostaria de não ter ido dormir naquela noite, talvez pudesse ter adiado por mais algum tempo. Você gostaria de esquecer. Mas não, não dá. É um tipo de tatuagem, uma espécie de arrependimento depois de se ter puxado o gatilho. Os cinco segundos antes de se entrar em contato com o chão. O susto, a premeditação da dor e o pensamento: &lt;em&gt;por favor, que a cicatriz não seja tão grande, tão feia, tão visível&lt;/em&gt;. Mas ela vai ser, porque em grandes quedas a única coisa que pode lhe ajudar são as mãos de outras pessoas e você acabou de perceber que não há ninguém ali para lhe segurar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2112832036841299550?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2112832036841299550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2112832036841299550' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2112832036841299550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2112832036841299550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/you-want-piece-of-me.html' title='You want a piece of me?'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5099028253825752479</id><published>2009-09-23T11:56:00.000-07:00</published><updated>2009-09-23T12:00:05.756-07:00</updated><title type='text'>Fogo</title><content type='html'>Não há nada a dizer. Será que você poderia me consumir mais um pouco? Me consumir desse jeito meio louco, meio rock star que eu gosto de ser? Não, não há mais nada a dizer. As palavras caíram sorrateiras, foram descendo preguiçosas, quase não arranhando, quase não fazendo questão de voltar ao grito. Será que você entende? Eu não possuo formulas, eu não sei quem eu sou ou o que faço aqui. Eu vou vivendo um dia depois o outro, pegando emprestados os segundos da vida; pagando com meu corpo, com meu jeito insano de sair de mim.  Não sei mais o que dizer. Se eu te pedisse para ficar, você ficaria? Se eu lhe dissesse que você é a única coisa que me dá vontade de ver o mundo parar de rodar. Se eu te pedisse para voltar, você voltaria? As coisas estão pegando fogo, bem diante dos meus olhos, elas estão virando restos qualquer. Porque eu sinto seu gosto, seu toque, seu cheiro. Eu sinto seu veneno possuindo-me mais. Eu não quero, eu não pretendo morrer triste. Não, tem que haver alguma coisa para se fazer. Tem que haver. Talvez se eu correr, se eu pular. Talvez se eu ao menos for me matando aos poucos. Tem que haver algum sentido, qualquer sentido. Tem que haver diferença entre verdade e mentira. Talvez eu não te peça para ficar; talvez você não volte; talvez você não faça meu mundo parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu goste de ver o circo pegando fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu goste.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5099028253825752479?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5099028253825752479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5099028253825752479' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5099028253825752479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5099028253825752479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/fogo.html' title='Fogo'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-756771837038233324</id><published>2009-09-21T23:11:00.000-07:00</published><updated>2009-11-11T21:10:34.331-08:00</updated><title type='text'>Sem perdão</title><content type='html'>Parecia que o mundo estava em câmera lenta quando a cerveja soltou-se da minha mão e, ao entrar em contato com o chão, ecoou em um barulho ensurdecedor, enquanto se espalhava por todos os cantos. Naquele momento ele se virou para mim. Talvez ainda estivesse de pau duro e antes dizer “eu posso explicar tudo” ou “não é o que você está pensando” dei as costas e sai dali. Perdi-me dentro da multidão; mais um coração partido; mais um coração traído; mais uma memória ruim. Pensei em ir embora de lá, voltar para casa. Mas não era disso que precisava. Eu precisava ficar. Provar a mim que os corações quebrados também são capazes de dançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez ele nem estivesse se dando ao trabalho de me procurar, ainda assim fiquei. Lembro que a cada dose de tequila eu via o flash dos dois juntos, sentia raiva – por que eu não segurei a cerveja nas mãos? Dois reais e cinqüenta centavos desperdiçados. Quatro anos da minha vida jogados fora. A única coisa que me restou foi uma mágoa inútil, os sonhos decepados, a crença de que a vida está entre a intermediação de “era uma vez” e “foram felizes para sempre”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo cura tudo, lembro de ter pensado. “Essa dor vai passar, o tempo cura tudo”. Aguentei no show durante algumas horas. Ao sair meu celular anunciava doze ligações perdidas e uma mensagem – estarei no seu prédio esperando você voltar. Nessa noite eu não fui dormir em casa. Alguns dizem que perdoar é a maior virtude do homem. Dizem que isso eleva a alma, deixando-lhe superior ao erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia voltava para casa e pensei – todo mundo merece ser feliz. Estava sol, estava calor e eu suava. Todo mundo merece ser feliz. Eu gritei isso pela janela do carro, o menino que iria me pedir dinheiro assustou-se e recuou. Eu tive vontade de dizer a ele, baixo, olhando nos seus olhos – Menino, todo mundo merece ser feliz. Talvez seus olhos entendessem o que eu estava falando. Talvez o buraco no seu estômago o impedisse de compreender a frase. Será, será mesmo que todos merecem ser felizes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar a minha casa ele estava sentado no sofá assistindo Domigão do Faustão. Minha família percebeu haver alguma coisa errada e saiu da sala quando eu entrei. Ele me pediu perdão, jurou embriaguez, arrependimento e amor. Eu desliguei a televisão, limpei o sofá e confessei uma coisa: eu nunca tentei ser superior a ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-756771837038233324?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/756771837038233324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=756771837038233324' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/756771837038233324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/756771837038233324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/sem-perdao.html' title='Sem perdão'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-7521589990206525114</id><published>2009-09-20T10:49:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T10:50:06.519-07:00</updated><title type='text'>Milton</title><content type='html'>Não importa que no show de Beirut o Teatro Guararapes tenha ido a baixo. O que me importa mesmo é que sábado, quando Milton Nascimento entrou no palco, eu o vi cantando Cais; eu senti meu coração indo a baixo. Rolando degrau por degrau, até chegar aos pés do cantor. Eu o vi abaixando-se para fazer o meu coração de microfone. A voz de Mlton ecoou dentro de mim; ecoou dentro das artérias e veias do meu coração; inundou meus olhos de uma emoção maravilhosa. Os dedos de Milton tocavam no meu corpo, pressionando-me como a um piano. As minhas palmas não bastaram e minha voz não conseguiu soltar nenhum grito frenético. Eu estava vendo Milton Nascimento; eu estava ouvindo Cais; eu quero mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Para quem quer se soltar, invento o cais, invento mais que a solidão me dá.&lt;br /&gt;Invento lua nova a clarear, invento o amor e sei a dor de encontrar.&lt;br /&gt;Eu queria ser feliz. Invento o mar, invento em mim o sonhador.&lt;br /&gt;Para quem quer me seguir, eu quero mais. Tenho um caminho&lt;br /&gt;Do que sempre quis. E o saveiro pronto pra partir.&lt;br /&gt;Invento o cais e sei a vez de me lançar”&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-7521589990206525114?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/7521589990206525114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=7521589990206525114' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7521589990206525114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7521589990206525114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/milton.html' title='Milton'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-4432002093670547773</id><published>2009-09-17T18:23:00.000-07:00</published><updated>2009-09-17T18:25:05.345-07:00</updated><title type='text'>Sorte de hoje:</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;A vida é como um livro: não importa que seja longa, contanto que seja boa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto você tenta prender a atenção na sorte de hoje do Orkut, se pergunta o que é realmente estar só. Talvez seja não ter a quem recorrer quando quer uma cerveja; talvez seja sentir medo; sentir vontade de algum conselho, qualquer conselho, mesmo aqueles que fazem mal. Porque o mundo é um ovo. O mundo é um saco, um saco que dói quando alguém chuta. Achatado, morto, cansado. Pequeno demais. Tão pequeno que pode explodir em um grito de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Janis&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Joplin&lt;/span&gt; – porque tudo arranca mais um pedaço do seu coração, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;baby&lt;/span&gt;. Viver é basicamente isso – &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;so&lt;/span&gt; I’&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;ll&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;say&lt;/span&gt; come &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;on&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;and&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;take&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;it&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;take&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;another&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;little&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;piece&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;of&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;my&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;heart&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;now&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;baby&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-4432002093670547773?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/4432002093670547773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=4432002093670547773' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4432002093670547773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4432002093670547773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/sorte-de-hoje.html' title='Sorte de hoje:'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5919657832573209898</id><published>2009-09-17T18:06:00.001-07:00</published><updated>2009-09-17T18:06:42.584-07:00</updated><title type='text'>Fome irracional</title><content type='html'>Gosto das coisas assim,&lt;br /&gt;Sem começo nem fim.&lt;br /&gt;Sem parágrafo inicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que me faz bem&lt;br /&gt;Não tem ponto final&lt;br /&gt;Nem garantia total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem prazo vencido,&lt;br /&gt;Nem tempo corrido.&lt;br /&gt;Sem pressa de ser,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com pressa animal,&lt;br /&gt;Quase não racional&lt;br /&gt;De viver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5919657832573209898?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5919657832573209898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5919657832573209898' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5919657832573209898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5919657832573209898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/fome-irracional.html' title='Fome irracional'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-4093582326138988699</id><published>2009-09-07T19:58:00.001-07:00</published><updated>2009-09-07T20:01:15.988-07:00</updated><title type='text'>O amor no forno</title><content type='html'>Porque o amor pode envelhecer. Pode difamar. O amor existe de qualquer forma: de homem para homem e de mulher para mulher. O amor é só a forma de se amar. Nada além de uma coisa que cresce dentro da gente, como se fosse um bolo fermentado demais. E daí vai crescendo, crescendo, até chegar ao ponto de explodir. Porque o amor explode. Às vezes ele explode baixo, sem ninguém ouvir, então você vai e limpa todos os pedaços espalhados. E como ninguém viu, continua se fingindo o amor. Porque fingir amor é fácil, difícil mesmo é amar de verdade. O amor pode, também, explodir alto e ecoar para todos os lados. Todo mundo pode ver, enquanto você nem se importa em juntar os pedaços, apenas cria outro bolo, para pôr em outro forno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos fica mais difícil achar fermento para o novo amor. E aí as coisas vão secando, secando. É nessa hora que se descobre o amor de verdade, porque o bolo começa a crescer sem fermento, só a idéia de estar junto á mesa com a outra pessoa. Você consegue desligar o forno antes de tudo explodir. E aí, quando o bolo está acabando, você faz outro. Porque amar dá fome, fome e amor são quase sinônimos. São amigos perfeitos. Almas gêmeas ou sei lá. Quanto mais amor existir, mas você sente seu estômago vazio. E aí você vai devorando a pessoa aos poucos, e vai deixando-se devorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que seja simples permanecer com a fome. Às vezes ela acaba também, e daí o amor não se sustenta sozinho. Porque eles se completam: a fome e o amor. Então, quando você se sente cheio demais, simplesmente diz que nunca mais vai amar. Você chora, reclama, bebe. No outro dia acorda de ressaca. E daí conhece um segundo amor de verdade, um que também não exploda dentro do forno. Existem muitos amores verdadeiros, vários. Não só um, porque se existisse apenas um, seria egoísmo nosso deixar de ter fome. Todo mundo pode amar diversas vezes, provar de diversos bolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o amor engorda, mas não dá colesterol. O amor envelhece, mas não causa hipertensão. O amor, de fato, transforma. E amar é maravilhoso, simplesmente porque são poucas as pessoas que não gostam de bolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema todo é aprender a cozinhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-4093582326138988699?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/4093582326138988699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=4093582326138988699' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4093582326138988699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/4093582326138988699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/o-amor-no-forno.html' title='O amor no forno'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5345178282067614655</id><published>2009-09-06T21:38:00.000-07:00</published><updated>2009-09-06T23:55:43.973-07:00</updated><title type='text'>Casa Amarela</title><content type='html'>Havia uma casa amarela em cima de uma montanha enorme. Havia uma nuvem por cima da montanha, fazendo a casa parecer uma gema de ovo. A montanha tinha flores brancas, cheirosas. Cheirosas como o amanhecer em uma cidadezinha pequena no interior. Aquilo tudo parecia ser a figura de um quadro, uma pintura inspirada na beleza transcendente de alguma coisa. A casa parecia ser um pouco desgastada, talvez pela pintura roída ou apenas por conta do balanço, meio caído, naquela árvore grande e quase sem folhas. Havia muito tempo ninguém brincava ali; um balanço apenas, quebrado. Na janela da casa o rosto de uma mulher. Ela observava a nuvem enquanto passava ali, com vontade de pô-la na frigideira. No seu rosto há uma vontade de que chova logo, chova de uma vez por todas. O tom cinza do céu estava deixando-a para baixo, cavando em seu estômago uma vontade de correr para debaixo da chuva e sentir o gosto dela, na ponta da língua. O seu telefone não tocaria. Já possuía rugas o suficiente para saber: a solidão, às vezes, pode ser nossa melhor amiga. Era por isso que estava ali, naquela cidade do interior, naquela casa cor de gema. Para fazer as pazes com a solidão. Porque precisava do ombro amigo do silêncio. Necessitava da fumaça de um cigarro solitário, encostado no cinzeiro vermelho, levado a curtos intervalos a seus lábios secos. Não havia razão para choro, apenas um constante vazio mascarado pela beleza do lugar. Pássaros que voam baixo, sussurrando para os céus: “chova, pelo amor de Deus, chova logo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas gotas caíram tímidas do céu. Tão poucas gotas que mal molharam as flores brancas na montanha. O céu parecia cansado demais para chorar, talvez houvesse um pouco de esforço necessário para que ele conseguisse inundar a montanha inteira. A montanha parecia uma frigideira, esquentada com óleo, esperando a hora de cair sobre ela gotas de salvação. Como se fosse entrar debaixo de uma torneira. A mulher queria apenas molhar os cabelos, sentir a chuva escorrer pelo seu corpo nu, gostaria de lavar aqueles pedaços de tristeza tatuados em seus braços, em suas pernas. Gostaria de sentir o arrepio do frio, o conforto proporcionado pelo medo de não parecer ridícula. Afinal, só havia ela naquela montanha, apenas ela habitava a pequena casa amarela. Os seus únicos companheiros eram os pássaros no ar. Eles observavam o rosto da mulher na janela, enquanto ela sentia vontade de voar e tragava lentamente um cigarro quase acabado. Não havia música; qualquer música trairia o silêncio confortante daquele momento. Com seus cabelos negros, presos em um coque, a mulher não usava brincos. Usava uma blusa azul, comprida, com um leve decote. O tecido da blusa era fino. Sua saia rosa, grande e leve. Sem sandálias, sentia o chão frio coçando os seus pés. A janela estava entreaberta, para que o som do silêncio alcançasse lá dentro. Um silêncio cinza, farto, largo. Um silêncio de mãos dadas com a solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol já havia sumido no céu. Restava apenas a vaga clareza que as coisas deixam momentos antes de ir embora. Aos poucos essa clareza também se recolhia, o céu cinza passou a ser escondido por uma escuridão quase sombria. Apenas a tranqüilidade não fazia o coração da mulher disparar. A tranqüilidade de se estar sozinha. Até mesmo os seus pensamentos escapavam naquele momento; nada sobre a vida; nada sobre as coisas da cidade grande. Para ela, havia apenas o suspiro doce daquela montanha, resfriada pela escuridão do final de um dia. Em seu rosto quase surgiu um sorriso, quase um brilho nos olhos aparecia. Mas a chuva lá fora começou a cair, torrencialmente. E, enquanto ela se despia, a lua iluminava calmamente os pedaços verdes entre as flores. Ao se deitar na grama, sentiu o cheiro das flores mudando. Pareciam agora com terra molhada, misturado com o perfume do anoitecer. O seu corpo era banhado pela chuva gelada da nuvem. Ao prestar muita atenção conseguiu perceber a fumaça subindo da montanha, como se a frigideira finalmente conseguisse descansar em paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5345178282067614655?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5345178282067614655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5345178282067614655' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5345178282067614655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5345178282067614655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/casa-amarela.html' title='Casa Amarela'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8452549768936783350</id><published>2009-09-05T13:49:00.000-07:00</published><updated>2009-09-05T13:50:40.933-07:00</updated><title type='text'>Como diria Bob Dylan</title><content type='html'>Viver não é pra ser difícil. Você não deve abrir os olhos e enxergar um mundo cinza. Viver, supostamente, não é para ser tão difícil. Ela lembra quando costumava pôr todos os sonhos na palma da mão; ela lembra como aquilo tudo era tão possível. A vida se resumia simplesmente a uma xícara de leite com chocolate antes de dormir e arranhões que quase nunca doíam tanto quanto as lágrimas deixavam revelar. Depois que você cresce, no entanto, aprende a não chorar mais ou chorar o menos possível. Porque tem medo de que aquilo deixe a ferida evidente demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você aprende a vestir todas aquelas armaduras. Armaduras pesadas e enferrujadas. Passa a perceber que os verdadeiros super-heróis são os do dia a dia. Aqueles que você vê atravessando a rua em uma faixa de pedestre mal pintada; os que se recusam a derreter como chocolate quente; os que ousam ficar de pé. Quando toma sua xícara de café de manhã, tenta esquecer os pedaços que já ficaram para trás. Põe as palavras cruzadas na bolsa e deixa em casa os pesadelos da noite anterior. Dias ruins que não voltam mais. Lembranças as quais você não pega pelas mãos, não inala. Atravessar a rua na faixa mal pintada; não se deixar derreter; não virar moléculas. Não há mais ninguém para trazer leite quente com chocolate; ela teve que aprender a lidar com suas próprias feridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são todos os dias ruins. Há alguns que fazem valer a pena ter dor de cabeça, a falta de tempo. Esses dias você pega pelas mãos e leva a lugares mágicos dentro de suas lembranças. Esses dias você faz questão de não deixar que a vida os assopre; esses ficam nos pulmões, renovando sua respiração. Ela faz questão de ter o máximo de dias bons. Eles dão uma vontade de continuar abrindo os olhos, mesmo que tudo a se ver seja cinza. Olhos dentro de garrafas. Sorrisos escapando pela boca. Pôr as duas mãos na cabeça enquanto o mundo roda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo tem um jeito de aplacar o vazio – o dela é com uma dose de whisky enquanto a vida acontece lá fora. Todo mundo precisa afogar as decepções em algum momento – ela as sente descer goela a baixo, com um gosto de madeira adocicada, as sente queimar enquanto passam pelo seu esôfago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo inteiro canta em seus ouvidos. Enquanto ela dança a o som de um rock dos anos oitenta. Ela poderia se apaixonar por qualquer um ali; poderia levá-lo para casa; poderia fazer um sexo não apaixonado. E talvez o faça. Talvez escolha alguém, dentro daquele bar imundo, para fazer companhia à sua solidão. No outro dia não haveria telefone; provavelmente os nomes não importariam. Just like a woman. Rodeada por sonhos; por trapaças; por cansaço. Uma mulher que beija a face da loucura; brinca com ela; dorme com ela. Com seu whisky importado, sua dança e seu sexo casual. A sua crença nos desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda feira de manhã, há sua xícara de café amargo. Há palavras cruzadas. Um leve efeito do calmante da noite anterior. Um peso nos olhos; o céu listrado, manchado de mostarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda feira de manhã - she breaks just like a little girl.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8452549768936783350?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8452549768936783350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8452549768936783350' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8452549768936783350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8452549768936783350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/como-diria-bob-dylan.html' title='Como diria Bob Dylan'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8103749071925313895</id><published>2009-09-02T22:28:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T22:42:40.057-07:00</updated><title type='text'>Invento o vento.</title><content type='html'>Em vento vai,&lt;br /&gt;E sei o ponto que não quero ir.&lt;br /&gt;Invento a dor,&lt;br /&gt;Só para poder sentir vontade de não ir.&lt;br /&gt;Em vento vou,&lt;br /&gt;Sem ligar pro ponto que vai me exaurir.&lt;br /&gt;Invento sim,&lt;br /&gt;Pois não aceito uma só forma de sentir.&lt;br /&gt;O vento trás&lt;br /&gt;Toda a licença de seguir em paz.&lt;br /&gt;Invento a paz,&lt;br /&gt;Com a certeza dela não existir.&lt;br /&gt;Não corro atrás,&lt;br /&gt;Não fujo ao encontro do que eu nunca vi.&lt;br /&gt;Eu corro mais,&lt;br /&gt;Sem sentir medo de não conseguir.&lt;br /&gt;Subir demais,&lt;br /&gt;Pode causar medo de cair.&lt;br /&gt;Eu subo sim,&lt;br /&gt;Dá mais vontade de viver assim.&lt;br /&gt;Invento a falta&lt;br /&gt;Para não esquecer aquilo que já vi.&lt;br /&gt;O vento causa&lt;br /&gt;Uma vontade de sempre ver mais.&lt;br /&gt;Invento o amor,&lt;br /&gt;Para que a vida fique fácil de engolir&lt;br /&gt;E o vento leva&lt;br /&gt;Toda a dor que não quero sentir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8103749071925313895?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8103749071925313895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8103749071925313895' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8103749071925313895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8103749071925313895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/invento-o-vento.html' title='Invento o vento.'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2136265080871144621</id><published>2009-09-01T21:21:00.000-07:00</published><updated>2009-09-01T21:33:52.193-07:00</updated><title type='text'>Alcoholic Logic II - Amnésia momentânea.</title><content type='html'>Acordei sem lembrar, sequer, de ter dormido. A galega peituda já fora embora. Chamei seu nome e nada respondeu. Sozinho. Novamente sozinho. Eram 8h da manhã. Acho que até mesmo meu corpo está com amnésia. Não se lembrou de ter ressaca. Levantei com preguiça. Ao lado da cama enxerguei um bilhete, segurando-se apenas por meu celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ainda há tarde mando-te uma mensagem sobre a repercussão da reunião. Pelo que li dos teus relatórios sei que vai fazer sucesso por lá. Bom dia. PS: tomei a liberdade de me preparar um pouco de café, deixei para ti também”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mulher é daquelas que enlouquece você. Dentro ou fora de um quarto. Guardei o bilhete. Nunca fui muito romântico, mas sempre gostei muito das pequenas lembranças da vida. O café não estava muito frio, sinal de que não havia muito tempo da sua saída. Vi minha calça e minha camisa largadas. Fizemos amor ali mesmo, no chão. Por cima de toda aquela excitação. Sem muita conversa jogada fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone toca. Droga, quem é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô? – falei um pouco grosseiro, mas tinha um pouco de razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô. Oi, sou eu. Foi mal ta te ligando essa hora, mas ontem você disse que ia acordar cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, tudo bem – droga, por que eu pigarreie agora? Deu a impressão de estar nervoso. Será que estou nervoso? – Pode falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu quero te avisar que hoje de tarde minha sobrinha vai ser batizada, se der aparece por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, diz o endereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Telefone desligado. Estou mesmo nervoso. Merda, às vezes os batimentos cardíacos servem como testemunha principal de suas reações emocionais. Mas, tentando ser racional, o coração acelerado podia ser por causa da forma rápida que levantei do sofá para atender ao telefone. Talvez o fato de ser minha ex-namorada do outro lado da linha não signifique nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 10h da manhã cheguei ao consultório de uma psicóloga. Nunca havia ido a um. Dei meu nome à recepcionista, sentei-me na sala de espera. 30 minutos depois fui chamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na verdade todas essas perguntas estão me parecendo bem previsíveis – droga, eu queria fumar agora, quanto tempo será que dura essa merda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Previsível, e por quê? – será que fui grosseiro? Abstinência é um caso sério. E a seriedade dentro dessa sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei as mãos nos cabelos; no rosto; na parte de trás da nuca. Por cima dos olhos. Pus minhas mãos no encosto da poltrona. Olhei-a nos olhos. Ela era bonita. Linda, na realidade. Talvez se ela fosse feia eu conseguisse levar toda essa merda a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Antes de entrar aqui fiquei imaginando as perguntas que você faria: por que está aqui? Por que veio logo agora? O que você acha que posso fazer para ajudá-lo? Pois bem, respondi a todas essas perguntas antes de entrar e sentar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que você acharia imprevisível da minha parte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra. Bem que disseram que psicólogo tem uma mania de fazer pergunta difícil. Eu sorri. Sorrir pode mascarar seu pânico diante de situações difíceis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me perguntar se aceito um cigarro- acho que me saí bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E porque seria imprevisível fazê-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque ou você estaria adivinhando meu pensamento ou me conhece mais do que acho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A psicóloga sorriu para mim. Pôs a mão na bolsa, puxou uma carteira de marlboro light e me ofereceu um. Ficamos alguns minutos sentados, ambos fumando. Não conversamos sobre nada, além do tempo, de Obama, do trabalho. Um cigarro que valeu 175 reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns minutos antes da consulta acabar a psicóloga sentou-se no divã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não tenho nenhuma consulta pela próxima uma hora, talvez você queira ficar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que a mulher está dando em cima de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fico. Claro. Se você quiser que eu fique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso que sempre acontece comigo quando eu vou pedir ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acabo fudendo com tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2136265080871144621?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2136265080871144621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2136265080871144621' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2136265080871144621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2136265080871144621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/09/alcoholic-logic-ii.html' title='Alcoholic Logic II - Amnésia momentânea.'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5401067461984527675</id><published>2009-08-22T19:58:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T20:07:52.824-07:00</updated><title type='text'>Rugas e Sujeiras</title><content type='html'>Não é fácil crescer. Na verdade é tão difícil que você esquece como chegou até ali. Simplesmente percebe que aconteceu, seja pelos cabelos brancos, pelas rugas – marcas naturais que a vida faz. Há aquelas pessoas que pintam os cabelos, fazem plásticas. Pessoas as quais tentam de alguma forma disfarçar os anos que se escondem por trás dos milagres da medicina. O pior mesmo são as rugas que fincam na alma. Aquelas engancham, mancham, sujam. E não tem medicina que cure. Estão ali simplesmente, você acostuma-se com elas. Aprende até a respeitá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As rugas da alma. Elas sim são assombrosas. Você conversa sobre elas. Deixa, até mesmo, que algumas pessoas as vejam. Mas não pode puxá-las e fazer com que desapareçam. Você pode usar um tratamento paliativo. Maquiá-las. Mas tudo saí com água, tudo saí com o tempo. As rugas são persistentes, duronas. Inevitáveis. Sim, inevitáveis. E aqui não entra questão de pessimismo ou não. É a realidade. Elas existem – você ignorando-as ou não. A melhor forma de se conviver com elas é evitar que enruguem ainda mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil conviver com a sujeira. Principalmente aquela que não desgruda do seu pé. Está sempre por ali, para fazer com que você se lembre do seu tropeço. Da sua má sorte. Para esfregar na sua cara o quanto imaturo foi, o quanto cuidadoso foi. Para esfregar na sua cara que não precisa fazer nada de errado para o mundo tirar sarro de você. É tipo “ordem da natureza”: você nasce, cresce, reproduz e morre. E enquanto isso tudo acontece, a vida lhe ensina que não é tão simples quanto dizem nas aulas de Ciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um tem sua própria sujeira. Envelhecer talvez seja apenas sinônimo de poeira debaixo do tapete. E todo mundo tem medo de ficar velho. Mas vale a pena. A dor nas costas, a visão embaçada, o cheiro de velhice. O tapete na sala de estar, no qual todos pisam sem saber aquilo que há por baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem que valer a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5401067461984527675?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5401067461984527675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5401067461984527675' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5401067461984527675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5401067461984527675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/08/rugas-e-sujeiras.html' title='Rugas e Sujeiras'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-5632675840819860260</id><published>2009-08-17T12:23:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T19:38:51.862-07:00</updated><title type='text'>Lençóis</title><content type='html'>Ainda não haveria razão, pelo menos não uma razão suficientemente séria, para que ele deitasse suas palavras em um coração quase morto. Havia um pouco de medo. Uma censura secreta diante de certezas que não viam. E, acima de todas as sensações, uma vontade explosiva de ser o próximo fogo de artifício a estourar no céu. Talvez não seja fácil para você entender e assimilar todas essas sensações juntas. Mas tente não se esforçar demais, compreenda apenas o seguinte: existem coisas que devem continuar em silêncio e outras que devem explodir em tons vibrantes e quentes. Ele, infelizmente, não possuía o dom para distinguir aquilo que deveria silenciar e o que deveria explodir. Aos poucos suas certezas morreram secas ou decepadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silenciar demais acaba tornando o mundo um emaranhado de poeira.&lt;br /&gt;Explodir demais acaba tornando o mundo um ensopado de pedaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, no entanto, sempre sofrera o mal da alergia. Sempre fora mal com quebra-cabeças. E reconstituir-se sozinho é uma tarefa difícil demais. Principalmente quando, com uma insistência bruta, fazem o favor de lhe tirar mais alguns pedaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendera desde cedo a lidar com as perdas. Talvez por isso fizesse questão de não considerar nada como propriamente seu. Por isso negava-se a depositar em outras camas palavras que lhe preenchia. Deitava-se apenas em corações surdos, recitando apenas palavras vazias. Negava-se a exposição demais e havia sim medo nisso. Medo de que o próximo pedaço a ser arrancado fosse fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma atitude costumeira. Quando você tem apenas dez anos de idade e sente um calafrio. Como se houvesse mais alguém dentro daquela casa enorme. É uma atitude costumeira correr para o quarto, trancar-se em seus lençóis e fechar os olhos com força. Rezar. Mesmo que você desacredite no fato de que vá adiantar de algo. Até porque você está rezando exatamente para quem rezou três anos atrás, e fazê-lo não havia resultado em nada naquela época. Seu irmão e seu pai não se levantaram daquela cama de hospital, e sua mãe ainda negava-se a olhar nos seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você só tem dez anos de idade. Você ainda não sabe que os lençóis não protegem de nada. Você não compreende que fantasiar sobre mais alguém caminhando naqueles corredores frios é só uma maneira de se sentir menos solitário. Na realidade você acha possível brincar com estrelas; caminhar até as nuvens e come-las feito doce. Mas há momentos em que se deve crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas você só tem dez anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o dia em que você cresce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E percebe que os lençóis são apenas feitos de algodão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-5632675840819860260?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/5632675840819860260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=5632675840819860260' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5632675840819860260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/5632675840819860260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/08/lencois.html' title='Lençóis'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6719588722128763757</id><published>2009-08-16T18:43:00.000-07:00</published><updated>2009-08-16T18:44:13.740-07:00</updated><title type='text'>Eu quero comer Caetano</title><content type='html'>Se a Ana Carolina,&lt;br /&gt;Pode comer a Madonna&lt;br /&gt;Nada me condena.&lt;br /&gt;Eu posso te ter entre as pernas&lt;br /&gt;Eu posso.&lt;br /&gt;Eu quero comer Caetano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse domingo à noite,&lt;br /&gt;Eu quero te ter sobre a mesa,&lt;br /&gt;Te ter entre os dentes.&lt;br /&gt;Com esse desejo sedento&lt;br /&gt;De ser tua Sampa,&lt;br /&gt;Teu samba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós tamo tão separados.&lt;br /&gt;Minhas milhas de anonimato&lt;br /&gt;Impedem que teus olhos morenos&lt;br /&gt;Enxerguem minha pele branca.&lt;br /&gt;Quero,&lt;br /&gt;Mas não posso comer Caetano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6719588722128763757?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6719588722128763757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6719588722128763757' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6719588722128763757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6719588722128763757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/08/eu-quero-comer-caetano.html' title='Eu quero comer Caetano'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-2376650746396017194</id><published>2009-08-15T01:06:00.001-07:00</published><updated>2009-08-15T01:06:46.189-07:00</updated><title type='text'>Como é que se diz "Eu te amo"?</title><content type='html'>A única maneira que sei dizer eu te amo é não te dizendo. É deixando isso existir em silêncio. Corroendo-me por dentro. Sendo uma corda em volta de mim. Apertando-me; espremendo-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas assim sei amar. Te amar. De olhos vedados; deixando no tato a responsabilidade de demonstrar. Demonstrar qualquer coisa. Provando a você que é em mim a moradia desse sentimento. É a mim que ele volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única maneira que sei dizer eu te amo é te trazendo de volta. É não sabendo te amar; nem ao menos sabendo que de fato te amo. É deixando meu rastro em outras camas. Tentando extrair de mim essa coisa que eu não sei o que é. Mas que me é. Me é quase que completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas assim sei amar. Te amar. Recusando-te; matando isso que mora aqui dentro; deixando renascer com uma força apavorante. Tão apavorante que fujo. Provando a mim que sou mais forte que isso, mas no fundo entregando-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única maneira que sei dizer eu te amo é me afastando. É não sabendo ficar. Pois essa coisa que sinto me desengonça. Me deixa maior. E por ficar maior, perco o controle de mim. Até parar, novamente, em sua cama.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-2376650746396017194?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/2376650746396017194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=2376650746396017194' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2376650746396017194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/2376650746396017194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/08/como-e-que-se-diz-eu-te-amo.html' title='Como é que se diz &quot;Eu te amo&quot;?'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8857529690775752182</id><published>2009-08-14T23:37:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T23:43:22.132-07:00</updated><title type='text'>Verbo Querer.</title><content type='html'>Eu quero sentir raiva de você&lt;br /&gt;Te sentir entre meus dentes&lt;br /&gt;Te morder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero seus cochichos,&lt;br /&gt;Pois, aos meus ouvidos,&lt;br /&gt;Eles soam como algo proibido,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como pedaços de canções que nunca ouvi.&lt;br /&gt;Retalhos de sonhos comestíveis,&lt;br /&gt;Que regam as certezas de um prazer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infinito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8857529690775752182?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8857529690775752182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8857529690775752182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8857529690775752182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8857529690775752182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/08/eu-quero-sentir-raiva-de-voce-te-sentir.html' title='Verbo Querer.'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6020896574777454074</id><published>2009-08-03T20:18:00.001-07:00</published><updated>2009-08-03T20:18:36.154-07:00</updated><title type='text'>Sendo-me</title><content type='html'>Eu faço minha própria loucura.&lt;br /&gt;Minha própria calma sou eu.&lt;br /&gt;Visto meus próprios sonhos.&lt;br /&gt;Morro da minha doença.&lt;br /&gt;Dispo-me sozinha em pedaços.&lt;br /&gt;Cato-me arranhando os dedos.&lt;br /&gt;É-me necessário viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou minha própria solidão.&lt;br /&gt;Meu próprio remédio pra insônia.&lt;br /&gt;Danço sozinha nas noites.&lt;br /&gt;Cuido dos meus próprios medos.&lt;br /&gt;Sou dona das minhas idéias.&lt;br /&gt;Senhora do meu coração.&lt;br /&gt;É-me necessário ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio das mais cruéis dores.&lt;br /&gt;Uso da vida os sabores.&lt;br /&gt;Esqueço os dissabores da vida.&lt;br /&gt;Crio meus próprios conflitos.&lt;br /&gt;Caio sempre um pouco.&lt;br /&gt;Para noutro instante subir.&lt;br /&gt;É-me necessário morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou enorme diante de mim.&lt;br /&gt;Em cálculos que não sei fazer,&lt;br /&gt;Calculo não saber para onde ir.&lt;br /&gt;Sigo por diversos lugares.&lt;br /&gt;Preciso conhecer novos ares&lt;br /&gt;Para o tédio não me atingir.&lt;br /&gt;É-me necessário sentir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6020896574777454074?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6020896574777454074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6020896574777454074' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6020896574777454074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6020896574777454074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/08/sendo-me.html' title='Sendo-me'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8578290843939539148</id><published>2009-07-31T22:52:00.000-07:00</published><updated>2009-08-03T20:27:11.125-07:00</updated><title type='text'>Ideias caleidoscópicas</title><content type='html'>Neste dia chuvoso, eu gosto de ficar sentada no frio. Escutando meu queixo tremer. Se você pudesse ver como minhas mãos tremem agora, talvez nunca tivesse largado-as. Só para segurar-me agora. Segurar-me enquanto caiu nas armadilhas que o amor preparou para mim. Não sei expressar-me muito bem. Constantemente fujo de qualquer coisa que tenha de ser definida. Estas palavras, talvez, não digam nada. Sejam apenas desenhos de uma criança, rabiscos... Rabiscos secretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o céu desaba a meio metro de mim, tenho inveja da chuva. Sinto vontade de segura-la em minhas mãos. Engoli-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O frio não me atinge mais. Carcaça apenas. Coisa fingida. Sinto tanta falta. Sinto tanto a sua falta. Gostaria que você me escrevesse algo. Até mesmo seus rabiscos secretos me satisfariam. Eu desejo sua rima. Desejo seu sono. Desejo ser sua gramática inteira. Desejo tudo em você.&lt;br /&gt;Menos o seu adeus. Rejeito-o.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me incrivelmente dramática agora. Enquanto meu quarto garante calor e conforto, prefiro ficar sentada no chão frio. Minhas lembranças confortam-me mais do que qualquer colchão macio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentindo a sobriedade do mundo. Dentro deste apartamento vazio. Apenas minhas lembranças recusam-se a morrer. Todo o resto afoga-se nesta taça de vinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8578290843939539148?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8578290843939539148/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8578290843939539148' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8578290843939539148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8578290843939539148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/07/ideias-caleidoscopicas.html' title='Ideias caleidoscópicas'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-8339429630069269725</id><published>2009-07-26T16:11:00.000-07:00</published><updated>2009-07-26T16:14:36.271-07:00</updated><title type='text'>Alcoholic Logic</title><content type='html'>- Eu já sei o que deu errado no nosso relacionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhei para o lado, depois olhei para ela. Aquele mesmo rosto inflexível de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah é, e o que foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma olhada para o lado, depois para baixo. Copo vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- EI! EI!... Mais uma dose de vodk, por favor? Você qu... Duas doses. Na verdade o que deu errado foi sua mania de sempre ter que ser a ultima palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Discordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que discorda. Desde quando você concorda com alguma coisa que eu digo? Que som ruim, essa música me tira do sério. Na verdade eu já estou bem bêbado, o suficiente pelo menos para debater sobre meu ex-relacionamento com a minha ex-namorada. Mais um gole na bebida, gosto de vodk pura em boate. Parece ainda mais gostosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E por que você discorda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque se eu concordasse iria ficar calada e não teria dado a ultima palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é ela discordando, apenas para dizer que concorda? Ok, pensamento confuso. Deve ser essa vodk, ou apenas a musica ruim mesmo... Às vezes essas coisas de fora entram na sua cabeça e embaralham tudo. Ok, não é a música. Estou bêbado mesmo – Mais uma dose, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então você concorda que errou! – não sei a razão, mas sempre é importante ter alguém para culpar, alguém que não seja você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não concordo não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você concorda que sempre quer ter a ultima palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não acho que esse meu defeito consiga competir com o fato de você ter me traído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, tudo bem. Ela está fazendo isso de novo, esse lance de me culpar. Ela sempre consegue fazer. Nem ligo mais para isso, definitivamente; não ligo para o fato de ter destruído meu relacionamento só porque transei com uma galega peituda. Eu ligo mesmo é por não ter nem conseguido gozar, eu estava realmente bêbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estava completamente embriagado, e você ainda ficou por dois meses depois disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, fiquei. Mas acabei com você justamente por não conseguir esquecer a traição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as pessoas falam “traição” – nossa, que drama. Parece que eu bolei um plano para derrubar o presidente. Eram três anos de namoro, pelo amor de deus! Eu tinha direito a uma escapulida. Minha dose acabou e não sei se quero outra. Vou beber mais uma e pensar sobre o assunto. Velhos dançando é bizarro, mas o pior são jovens bizarros dançando. Eu já fui assim um dia; agora eu tenho 29 anos de idade; não danço mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vou dançar, você não vem? – ela sempre dançou muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não vou. Vou beber mais uma dose e ir para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é meu aniversário! Você tem que ficar até o final. No ano passado nós ficamos acordados até as 5h da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo amor. Ficamos acordados até as 5h da manhã fazendo amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho que acordar cedo amanhã. De verdade – outra dose, essa ta com um gosto esquisito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– EI! EI, AMIGO! ESSA DOSE É DE VODK? – não, não era de vodk  – Desculpe senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que nada, foi até bom. Percebi que não estou tão bêbado quanto pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu gostaria de ficar – bem, eu gostaria de beijar você também, e de ficar até as 5h da manhã ao seu lado, mas acho melhor não dizer isso. Virei à dose de vodk, meus olhos lacrimejaram. Tudo&lt;br /&gt;bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então ta certo. Obrigada por ter vindo, é bom saber que podemos continuar amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço – Foi ótimo ter vindo, vamos marcar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí da boate às 2h45 da madrugada. Estava chovendo lá fora. Finalmente pude fumar um cigarro, ela acha que eu parei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente espero que ela nunca mais me chame para fazer nada. Vou ligar para aquela galega peituda, quem sabe não consigo terminar o que comecei há quatro meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você ainda está aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tá legal, desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu pedi desculpa? Por quê? Acho que o desespero pra transar faz essas coisas. Não tinha feito nada de errado, ou ela achou que ia ligar apenas para conversar e jantar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Volta para cá, ok? Esse elevador ta quebrado. Vamos conversar. Ouvir uma música. Pedir um jantar – vinho! Definitivamente esse momento necessita de vinho. Vinho e uma comida afrodisíaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu a chamei para vir aqui no apartamento com a desculpa de que havia uma papelada para entregar amanha e eu infelizmente não iria comparecer na empresa. Acho que ela acreditou mesmo, talvez porque fosse verdade. Mas eu poderia chamar qualquer outra pessoa, contudo a chamei – a galega peituda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu entendo que você esteja chateada. Aliás, são 3h da manhã, certo? Mas esses papéis realmente são importantes para a apresentação de amanhã.  E eu estou com fome, então, você quer jantar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok. Eu volto. Mas você tem que me prometer uma coisa – meu deus! Prometer o que? Eu nem sei seu nome do meio, você quer que eu prometa lhe amar na saúde e na doença até que a morte nos separe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Prometo! Tudo o que você quiser, mas volte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela voltou. Tirou o casaco, a bolsa. De repente ela começou a tirar a roupa. Toda. Devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deliciosamente devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você promete que consegue ir até o final? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, prometo, na saúde e na doença. O vinho nem foi tão necessário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-8339429630069269725?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/8339429630069269725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=8339429630069269725' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8339429630069269725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/8339429630069269725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/07/alcoholic-logic.html' title='Alcoholic Logic'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-7734751392811432397</id><published>2009-07-25T12:31:00.000-07:00</published><updated>2009-07-25T12:33:43.610-07:00</updated><title type='text'>Solidão que nada.</title><content type='html'>Escutando Ney Matogrosso, interpretando Cartola. Um dia azul. Um dia com pregos na cama. Um dia sonolento. Sonífero em forma de ar, de mar, de sol. Tentando esquecer promessas vis, feita por amores cruéis. O cigarro transformando-se em cinzas – e aquele liquido no copo, aos poucos transformando-me em cinzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;“e só você violão compreende porque perdi toda minha alegria”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mais doses. Mais doze músicas estão por vir. Sinto-me indo ao encontro do vento. Desfazendo-me do meu corpo, aos poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;em&gt;Não sei se sou humana ou se o mundo é um cinzeiro.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entregando-me ao tempo e o tempo tragando-me. Esse vazio talvez tenha nome. O incomodo de não ter respostas é a única sensação diante dos meus olhos. As outras correm por de baixo de panos, mascaradas pelos anos. Sensações mal digeridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“acontece que eu não sei mais amar”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vomito há dias. Mas ainda grito. Não tenho tempo de não ter para onde ir. Desligo o som. Recuso-me a engolir o restante dessa solidão em carne viva. Por hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-7734751392811432397?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/7734751392811432397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=7734751392811432397' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7734751392811432397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/7734751392811432397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/07/solidao-que-nada.html' title='Solidão que nada.'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6642875075689251829.post-6686419362568927939</id><published>2009-07-16T20:35:00.000-07:00</published><updated>2009-07-16T20:36:34.030-07:00</updated><title type='text'>Mertiolate</title><content type='html'>O que lhe provoca? O que impulsiona você? São tardes ensolaradas, ou madrugadas que insistem em vir tarde demais? O que lhe faz esperar o clímax, o momento exato da combustão total?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passadas, passadas, passadas, exatamente para onde você pretende ir enquanto tudo em você arde? Passado, passado, passado, exatamente quando tudo pode ser conjugado em pretérito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que você exige é algo que venha no total. Sem partes. Sem pedaços. Tudo o que lhe exigem é o que? Dividir, diminuir, retribuir o que nunca lhe foi dado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foda-se. Foda-se. Foda-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é seu pertence a quem? É seu estômago que ronca na fome, seu queixo que treme no frio, sua pele que queima no sol, é em você que o machucado dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final o que fica é a mesma merda de sempre. E você pode escolher banhar-se nela fingindo ser um rio de pétalas de rosa, ou pode cagar em cima dela também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso foda-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minha ferida eu mesmo boto mertiolate.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6642875075689251829-6686419362568927939?l=ferrugemnossorrisos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/feeds/6686419362568927939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6642875075689251829&amp;postID=6686419362568927939' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6686419362568927939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6642875075689251829/posts/default/6686419362568927939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ferrugemnossorrisos.blogspot.com/2009/07/mertiolate_16.html' title='Mertiolate'/><author><name>clarissa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12957538118764840547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_SmZeg2n6X8s/SdLIbmL_4iI/AAAAAAAAAHg/tGErJGaKZa0/S220/new2+499.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
